[CULTURA DE MASSA] - até que ponto você é influenciado pela mídia.








INTRODUÇÃO
A relação entre os campos da cultura e da política é algo permanente na história pela compreensão antropológica dos dois conceitos, pela fonte e lócus social das duas práticas ou pela prática espetacular da segunda, que se encontra com a primeira também neste aspecto. Este texto tem como objetivo identificar esta relação, no contexto contemporâneo, enquanto símbolo e expressão do processo político-cultural de maturação e enraizamento do sistema sócio-produtivo capitalista, consolidando sua lógica produtivista e a racionalidade técnica, em todos os campos da produção e criação humana.
Observamos no decorrer da história ser preconizada uma cultura de capital ressaltada pela massificação do consumo e a pesquisa de novas tecnologias; que difundem valores fundamentados na politica do “ter”
Como marco desta ação; observamos em nosso viver empírico a constante difusão de valores das culturas de massa. cada vez mais comum no mundo contemporâneo; tais fatores moldam o viver da população criando uma politica de consumo elitizada, facilitada pela constante evolução da sociedade; aprimoramento e criação de novas tecnologias de comunicação; que possibilitam a circulação de informações de forma rápida, abrangente, e principalmente incessante.
com o aprimoramento desses artefatos, o que antes era divulgado para pequenos grupos, hoje pode ser apresentado a um número grandioso de pessoas, quase que simultaneamente. as mídias de massa são um meio disseminador de informações de grandes proporções, uma vez que atinge de forma ampla seu público.
Um dos mais importantes componentes da mídia de massa é, sem dúvida, a televisão. A partir daí, com a potencialidade apresentada pelas mídias de massa, e pelo seu poder de abrangência e penetração, isso potencializa as varias faces do capitalismo que vão desde a  “indústria cultural da beleza” até a fonográfica, atingindo todos os níveis sociais.
Observamos que a indústria, que é cada vez mais imposta à sociedade, padroniza as formas, os corpos, as roupas, os acessórios, os moveis e gostos da sociedade, dentre outras coisas. Assim, pretendemos relacionar tais conceitos às observações da aplicação dessa prática refletindo sobre o processo ideológico que se manifesta não exclusivamente sob formas teóricas, mas na prática de um sistema orientado para a instrumentalização dos indivíduos em potenciais consumidores, fixando ou até remodelando seus estados de consciência
uma vez que percebe-se que a mídia é estrategicamente formulada; de modo a suprir necessidades empresariais, e neste caso em especial, a da difusão de ideais e valores; padronizados como modelos “aceitáveis”.
Teoricamente embasaremos nossa pesquisa no campo da antropologia social e cultura de massa; propondo inicialmente uma análise do conceito de indústria cultural, contextualizando sua forma original às suas utilizações na atualidade. Explanaremos o poder de penetração e influência das mídias sobre as massas, salientando particularmente a TV aberta, que é o foco dessas reflexões. analisaremos conjuntamente a relação entre a mídia, a indústria cultural e a difusão de valores, a fim de refletir sobre como a cultura  de massa e o capitalismo desenfreado molda a sociedade, analisando o consumo sob uma perspectiva global e em seguida, passaremos ao estudo do consumo dentro da realidade brasileira.
O presente trabalho, entretanto, parafraseando a autora britânica Joan Robinson (1970), tem o objetivo de deixar mais perguntas do que oferecer respostas.
Urge uma profunda reflexão acerca do comportamento do consumidor perante o mundo, e é exatamente este um dos desafios do novo modelo de Estado Democrático de Direito.




1. A antropologia social e o Estado Democrático de Direito
Vivemos em um século de mudanças; O consumo de massa afigura-se fenômeno relativamente recente; segundo Joan Robinson (1970: P.61) alguns historiadores chegam a dividir a história humana apenas em dois períodos: o primeiro refere-se ao espaço temporal que vai do neolítico ao século XVIII, e o segundo, da Revolução Industrial até o presente. No primeiro o homem sai de seu estado primitivo e começa a explorar o mundo ao seu redor; formam as cidades e estipulam leis que irão determinar os termos de sua civilização; cada povo em seu determinado território explora suas novas descobertas e criam sua cultura.
No segundo o homem define seu espaço territorial e começam as eras das grandes descobertas tecnológicas onde o industrialismo foi um dos fatores determinantes  para que a humanidade adotasse leis comportamentais que mudariam toda uma geração.
A chegada da Revolução Industrial acabou por provocar alguns vários choques sociais, que culminaram na mudança das diretrizes estatais. O gozo da liberdade mostrou-se insuficiente ao ser humano, clamando, ainda, as condições de usufruí-la (LIMA, 2003: p.23). Dentre os movimentos sociais de maior importância, nessa época, destacam-se o Ludita (1811-1813) e o Cartista (1838-1842), ambos oriundos das tensões entre patrões e empregados da indústria inglesa, sendo que este último, após sistemática rejeição, pelo Parlamento, das reivindicações contidas na primeira Carta do Povo de 1838, somente mais tarde veio a ter alguns de seus pedidos atendidos pelo governo inglês. Surgiria, assim, o Estado Social, ou Estado do Bem-Estar Social, ou ainda, o Welfare State.
O modelo de Estado de Bem-Estar, segundo o sociólogo sueco Gunnar Myrdal (1966), teve suas origens depois que a prosperidade capitalista obrigou a expansão dos serviços sociais, a fim de amenizar as privações experimentadas pelo proletariado, destacando:
(...) um cidadão que passe privações constitui uma censura à economia, e não possui utilidade para ela, seja como operário para produzir, seja como mercado para absorver os bens que podem ser vendidos; a saúde precária é um desperdício e a instrução pública é necessária para produzir trabalhadores habilitados e os escalões mais baixos da tecnoestrutura. Assim, o capitalismo moderno se voltou para o Estado do Bem-Estar.

O mesmo autor, todavia, questionou os benefícios de uma sociedade regida por tal modelo político, ou seja, sem grandes problemas, com desemprego mínimo, sistema previdenciário eficiente, ensino público de qualidade, enfim, bem-estar sócio material praticamente pleno, tomando-a como entediante, o que supostamente explique, por exemplo, os altos índices de suicídio entre os suecos.
Durante o período entre guerras, notadamente a partir de 1922, o Welfare State operou profundas mudanças nos Estados Unidos, onde fez consolidar o American Way of Life (modo de vida americano), o qual veio a ditar o padrão de consumo da época. Nesse ínterim, a indústria americana experimentou um crescimento fantástico, com destaque para a produção de automóveis e eletroeletrônicos, consequência das altas taxas protecionistas adotadas pelo governo.
Segundo Pazzinato e Senize (1997) “A euforia tomou conta da população, embora as bases desse desenvolvimento fossem frágeis. Todos passaram a ter como meta a aquisição de automóveis, rádios, telefones e eletrodomésticos em geral, criando uma falsa aparência de bem-estar, consolidada no padrão do modo”
Os reflexos dessa superprodução da indústria culminaram com a crise de 1929. A produção foi tamanha a ponto do mercado não mais conseguir absorvê-la, e tão rápida a ponto de não permitir a formação de mercados externos. O desemprego foi maciço, o consumo interno baixou e os investimentos diminuíram tudo praticamente em progressão geométrica.
O homem busca então aquilo que chamamos de Liberdade de expressão, algo que seria prioritário parta as mudanças a serem buscadas; podemos definir tal liberdade como a capacidade de ir e vir; falar e pensar livremente; ou seja, a ausência de obstáculos para fazermos o que quisermos; para entendermos melhor tal conceito; adotaremos neste trabalho a definição de Immanuel Kante, para ele, quando nós como animais buscamos o prazer ou evitamos a dor, na verdade não estamos agindo livremente, estamos agindo como escravos de nossos apetites  e desejos, pois sempre que buscamos a satisfação de nossos desejos; isso se faz voltado para um desejo que esta além de nós, ou seja externo (Sandel. 2013 p.140).
A pergunta é eu tenho tal desejo ou estou apenas satisfazendo o desejo que me foi expressa por algo que esta além do meu querer; o comportamento consumista hodiernamente observado explora este recurso, o refrigerante Sprite usava o recurso Kantiano quando esboçava em seu comercial o slogan “Obedeça sua sede”.
É imperioso destacar que o modo de ser do Estado é, antes de tudo, a consagração dos valores almejados por seu povo, ou seja, exprime-se no que é cultuado por seus súditos, deve expressar seus desejos e harmonizar sua sociedade. Segundo Miguel Reale (1977);  a sociedade em que vivemos é, em suma, também realidade cultural e não mero fato natural.  Como a sociedade das abelhas e dos castores que pode ser vista como um simples dado da natureza, porquanto esses animais vivem hoje, como viveram no passado e hão de viver no futuro. A convivência dos homens, ao contrário, é algo que se modifica através do tempo, sofrendo influências várias, alterando-se de lugar para lugar e de época para época. É a razão pela qual a Sociologia é entendida, pela grande maioria de seus cultores, como uma ciência cultural.
A propaganda tenta fazer com que o homem sucumba a seus extintos mais primitivos; Theodor W. Adorno & Max Horkheimer (P.119);  expõem seu parecer sobre a propaganda da seguinte forma “Propaganda para mudar o mundo, que bobagem! A propaganda faz da linguagem um instrumento, uma alavanca, uma máquina. A propaganda fixa o modo de ser dos homens tais como’ eles se tornaram sob a injustiça social, na medida em que ela os coloca em movimento. Ela conta com o fato de que se pode contar com eles. No íntimo, cada um sabe que ele próprio será transformado pelo meio num outro meio, como na fábrica”.

2. O princípio de liberdade.
A sociedade moderna baseia sua estrutura no pluralismo, sendo constituída por uma variedade de grupos que se sobrepõem, que se entrecruzam, que se sustentam ou que se opõem uns  aos outros; teoricamente cada um dos grupos maiores vai tentar impor sua cultura e sua visão particular da sociedade e do mundo a todos os membros (Cohen. 1978 p. 111).
No senso comum, cultura adquire diversos significados: grande conhecimento de determinado assunto, arte, ciência, aos olhos da Sociologia, cultura é tudo aquilo que resulta da criação humana. São ideias, artefatos, costumes, leis, crenças morais, conhecimento, adquirido a partir do convívio social.
Certa vez, Oliver Wendell Holmes proferiu: “Deem-nos o supérfluo da vida, que dispensaremos o necessário”. Transpondo esta frase, cunhada no início do séc. XIX, para os nossos dias, embora seja muito provável que o autor não vaticinasse os acontecimentos hodiernos, a mesma nunca esteve tão atual, pois é a expressão real do que ocorre na sociedade consumista.
Thomas Jefferson assim concebia a liberdade:


Da liberdade, pois, diria que, em toda a plenitude de seu alcance, ela está na ação não obstruída de acordo com nossa vontade, mas a liberdade justa é a ação livre de conformidade com nossa vontade dentro dos limites traçados em torno de nós pelos direitos iguais de outros.


A ideia que as pessoas geralmente têm de liberdade é a de ausência de condicionamentos. ‘Liberdade é fazer o que se quer’, dizem muitos. Ser livre seria estar completamente aberto, a todo o momento, para escolher o que se quer, o que se apetece, o que se deseja, sem qualquer limitação moral: ‘Livre para voar’, apregoa o slogan publicitário. Essa seria a liberdade total.
Na medida em que o homem vai fazendo opção pelos bens que o aperfeiçoam, vai sedimentando virtudes, que facilitam o exercício da liberdade. Já as sucessivas escolhas por bens aparentes, que o degradam, vão forjando vícios, que escravizam o homem, dificultando-lhe, depois, o exercício da liberdade e tornando-o incapaz de aspirar e perseguir bens convenientes à sua natureza.
Numa sociedade massificada, há, naturalmente, a pressão da padronização: sanduíche do Mc Donald’s, calça Jeans, beber Coca-Cola etc. Poderia se dizer que não há liberdade de escolher, pois os padrões nos vêm impingidos de fora.
Ser livre não é apenas ter a possibilidade de escolher, mas principalmente escolher bem, tendo em vista os valores que realizam efetivamente o homem.
Segundo Garcia de Lima (2003: p.31) assinala:



Hodiernamente, o fenômeno consumismo é visível tanto nas sociedades industrializadas, quanto nas economias em desenvolvimento. Persegue-se frequentemente a satisfação de necessidades irreais ou incorretamente hierarquizadas, em função do condicionamento psicológico criado por uma estratégia de produção industrial extremamente dinâmica no oferecimento de novidades.

Seja a sociedade simples ou complexa, todas possuem sua forma de expressar, pensar, agir e sentir, portanto, todas têm sua própria cultura, o seu modo de vida. Não existe cultura superior ou inferior, melhor ou pior, mas sim culturas diferentes. As funções da cultura são:
Satisfazer as necessidades humanas;
Limitar normativamente essas necessidades;
Implica em alguma forma de violação da condição natural do homem. Por exemplo: paletó e gravata são incompatíveis com clima quente; privar-se de boa alimentação em prol da ostentação de um símbolo de prestígio, como um automóvel; pressão social para que tanto homens quanto mulheres atinjam o ideal de beleza física.
O que é belo numa sociedade poderá ser feio em outro contexto cultural; e a maneira como uma sociedade sobrepõem-se sobra as outras.
A indústria cultural é eficiente em transformar tudo em negócio, em produto de bens de consumo. Ela invade todos os setores da sociedade (musica futebol, jornalismo, etc.). Nada escapa a sua visão mercantilista. Nem mesmo a fé ou religiosidade escapam das suas artimanhas. Aproveitando da devoção dos fieis, a indústria cultural não hesita em investir nesse mercado consumidor. Divinizando personagens e artigos religiosos, captura o indivíduo na sua fragilidade intelectual, emocional e situacional. As peregrinações religiosas e os feriados programados no calendário anual, que a primeira vista aparentam ter a finalidade de criar um espaço para reflexão e proximidades do homem com a Divindade, tratam-se de eventos que têm como plano de fundo finalidades de mercado, ou seja, são fontes de grande lucratividade para indústria cultural. O natal, por exemplo, não trás a concepção religiosa à qual pretendia antes o aniversariante, Jesus Cristo é substituído pela figura do papai Noel, uma personagem implantada no imaginário coletivo e mantida pela indústria cultural. O momento de devoção do período é suplantado pelas gigantescas festas comemorativas (de que?) regadas a champanhe, panetone, fogos de artifícios, etc.

3. Cultura de massa
O termo cultura de massa é utilizado para definir um conjunto de atitudes, ideias e perspectivas que caracterizam o senso, padrões que são compartilhados pela maioria dos indivíduos, independente da renda, instrução, ocupação etc.
Para Orson Camargo; Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas – (UNICAMP); Cultura de massa é produto da indústria cultural, tipicamente de sociedades capitalistas; refere-se aspectos superficiais de lazer, gosto artístico e vestuário, segundo ele a indústria cultural está sempre “fabricando” modas e gostos, a cultura de massa só é viável em razão da invenção da comunicação em massa.
No mundo atual tal qual, o conceito kantiano o homem não é livre para escolher seus grupos; consideremos os grupos de profissionais e homens de negócios que moram em uma grande metrópole, por morarem em uma grande metrópole eles podem ser considerados os homens mais livres, ou seja tem o poder de escolher a qual grupo pertencer, qual religião terão ou que estilo musical irão aderir; porém na realidade o fato é bem diferente, cada profissional só pode fazer aquilo que é subordinado a sua classe profissional e as escolhas; religiosas e empíricas já são pré-definidas pelo primeiro grupo social a família (Cohen. 1978 p. 112).
Temos outros fatores externos que definem as culturas de massa  e o consumismo um bom exemplo são as telenovelas brasileiras e os chamados "enlatados americanos" os filmes trazem um  certo culto aos atores e as grandes produções hollywoodianas.
O culto dos astros do cinema tem como complemento da celebridade o mecanismo social que nivela tudo o que chama a atenção. Os astros são apenas os moldes para uma indústria de confecção de dimensões mundiais e para a tesoura da justiça legal e económica, com a qual se eliminam as últimas pontas dos fios de linha (Theodor W. Adorno & Max Horkheimer P.111).
As telenovelas vem moldando o pensamento das massas em relação ao  senso comum, sobre as novas formas de família. Um exemplo disso é foi a novela "Insensato Coração", exibida este ano pela Rede Globo, que apresentou em suas tramas diversas temáticas relacionadas ao Direito de Família, como o reconhecimento de paternidade, relações extraconjugais e homofobia além de promover os produtos de seus patrocinadores nos intervalos comerciais.
Segundo o Código de Defesa do consumidor (CDC) – É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. – Artigo. 37

(omisis) § 2º É abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite a violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança.
Com base nisto; pergunta-se, então: tal espécie de anúncio como o da Sprite supracitado neste trabalho; não estaria a induzir o consumidor a se comportar de forma a comprometer a sua liberdade?
A mídia consumista sempre se preocupou em ensinar a consumir, criou “necessidades” desnecessárias, as quais vêm deturpando crescentemente os valores éticos e morais, sob o argumento de que a não satisfação das mesmas acaba por gerar exclusão social. Para Hasson Sayeg (2004: P. 6):
O aparecimento dessas necessidades vinculadas à integração social coage o seu portador a satisfazê-las, sob pena de, alternada ou cumulativamente, não ter acesso a bens necessários a sua própria subsistência, suportar prejuízo na sua qualidade de vida ou sofrer exclusão social.
Consequentemente, a não satisfação de suas necessidades importa ao consumidor constrangimento e infelicidade, sendo, para determinadas pessoas ou em alguns casos, tão intensos que, por vezes, levam os mais fracos de caráter ou os desesperados à prática de atos impensados ou delituosos.
Com o advento das tecnologias de comunicação em massa (jornal, rádio, televisão, internet), e de uma nova ordem mundial configurada em meados do século XX, a cultura de massa desenvolveu-se a ponto de encobrir os outros tipos de cultura anteriores e alternativos a ela. Antes, falava-se em cultura popular, contrariamente à cultura erudita das classes elitistas; em cultura nacional como constituinte da identidade de um povo; em cultura clássica como conjunto historicamente definido de valores morais e estéticos; e certo número de culturas que, juntas e interagindo, formavam identidades diferenciadas das populações.
A chegada da cultura de massa, entretanto, acaba por submeter as demais "culturas" a um conceito homogêneo e submisso. Essa nova cultura está diretamente ligada ao poder econômico do capital industrial e financeiro, pois tem porte global.
A massificação cultural ocasionou em uma repressão às demais formas de cultura, de forma que os valores prezados se tornaram apenas aqueles compartilhados pela massa.
Os conceitos de “popular” e “popularizado” são completamente distintos se analisados no contexto da indústria cultural, além de completamente independentes, quando inseridos na indústria da cultura, visto que a intensidade da difusão de um bem cultural não depende mais de sua classe de origem para ter aceitação de outra. A cultura de massa leva as pessoas a um nível de consumistas, livres para consumir o que desejarem seguindo a lógica iluminista. Sendo assim, há a possibilidade de encontrar o “popular” (produto da cultura popular) que não seja popularizado.
A televisão é um dos meios de comunicação com maior poder de alienação da indústria cultural nacional, onde na maioria das vezes são levados ao ar programas que não levam o espectador a refletir, no entanto o levam para um mundo utópico, fazendo-o sair da realidade, do seu cotidiano. As novelas são um grande exemplo disso, já que levam o público a desejar coisas materiais que estão acima de suas condições e totalmente fora da sua realidade.
Diante desta problemática criada pelo consumo desenfreado de bens e produtos e sabendo-se que este consumo é passível de provocar desfechos ainda mais graves, a ponto de gerar ilícitos penais. Indaga-se, então: como pode o consumidor exigir seus direitos quando ao mesmo tempo viola regras de cidadania? Como é possível invocar expressões como direitos trans. individuais e direitos difusos, se ele próprio degrada o meio-ambiente, um bem jurídico cuja preservação se destina a garantir sua fruição pelas futuras gerações? Qual é a intervenção mais eficaz para conter o massacre publicitário?
García Canclini (2004), em conferência na 4a. Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, afirmou estar à juventude influenciada pela “cultura do instantâneo”, assinalando, ainda, que a cultura no mundo continua sendo fabricada pelos EUA, em que pese o crescimento da produção cultural e da mídia em diversos países.
No Brasil a cultura de consumo é cópia fiel do modelo americano com uma mídia televisiva que nada tem de oferecer de relevante, principalmente para as crianças.
Outra característica marcante da publicidade, na dicção de Miguel Reale, diz respeito à forma como a mesma é apresentada, ou seja, aos berros, remontando nossa péssima tradição radialista. Outro traço interessante é que esse tipo de publicidade geralmente é direcionado às camadas mais populares da sociedade, pois é possível notar, em relação à classe mais alta, que a publicidade de produtos a elas destinados é mais sutil e, relativamente à classe A, sequer existe publicidade de produtos, posto que se mostrem como consumidores diferenciados, cuja qualidade dos produtos até mesmo dispensa apresentações.
Numa sociedade que sabiamente impõe limites à superabundância que a ameaça, tudo o que é recomendado a todos por outras pessoas merece desconfiança. A advertência contra a publicidade comercial, que chama a atenção para o facto de que nenhuma firma dá nada de graça, vale em toda parte e, depois da moderna fusão do mundo dos negócios com a política, vale sobretudo para esta. Quanto maiores os elogios, menor a qualidade; diferentemente de um Rolls-Royce, o Volkswagen depende, da publicidade (Theodor W. Adorno & Max Horkheimer P.119).
Isso nada mais é do que a prova cabal de como a publicidade se vale do nível cultural das diferentes classes de consumidores, e é por isso que a educação para o consumo deve se fazer mais presente do que nunca nesse mundo globalizado, dominado pela tecnoestrutura.
Só o consumidor esclarecido saberá evitar produtos e serviços prejudiciais à sociedade, como os que utilizam mão-de-obra infantil ou que ameaçam o meio ambiente. Ele poderá, então, usar o seu poder de compra não apenas para garantir a qualidade dos produtos e serviços, mas, principalmente, para redirecionar os investimentos privados de forma a garantir mais qualidade de vida para todos29.
Uma sociedade, onde as liberdades individuais hão de ser mitigadas a fim de que se estabeleça um denominador comum de convívio sadio.
Ives Gandra da Silva Martins Filho assevera:
Para fundamentar qualquer teoria social, é peça de fundamental importância o Princípio do Bem Comum. Ao contrário do que se possa pensar, não é um princípio meramente formal ou demasiadamente genérico e teórico, sem conteúdo determinado, mas um princípio objetivo, que decorre da natureza das coisas e possui inúmeras consequências práticas para o convívio social.
Um dos grandes problemas que a sociedade vivencia, na seara ética, reside, como já explanado anteriormente, na assimilação das informações que nos são passadas. O indivíduo sabe que atitudes devem ser observadas no dia a dia para que se logre êxito na construção de uma sociedade mais justa, porém lhe falta a prática ou abstenção desses atos.
Aristóteles, em sua Ética a Nicômacos, norteia as gerações futuras enfatizando que: As coisas que temos de aprender antes de fazer aprendemo-las fazendo-as – por exemplo, os homens se tornam construtores construindo, e se tornam citaristas tocando cítara, da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos, moderados agindo moderadamente, e corajosos agindo corajosamente.
Diante disso, basta ressaltar que somente a educação poderia solucionar a questão exposta, pois ela, seria a única forma de despertar a consciência ética a fim de garantir a sobrevivência da tecnoestrutura da sociedade; levando em consideração que o público não é monopólio do Estado. De que existem políticas públicas e/ou ações públicas que não devem ser feitas pelo Estado, não porque o Estado esteja se descompromissando ou renunciando a cumprir o seu papel constitucional e nem porque o Estado esteja terceirizando suas responsabilidades, ou seja, não por razões, diretas ou inversas, de Estado, mas por “razões de Sociedade”.
Por outro lado  Lipovetsky utiliza os conceitos estruturadores na moda como ponto de partida para a formulação de valores que formatam toda a sociedade. “A moda muda incessantemente, mas nem tudo nela muda. As modificações rápidas dizem respeito sobretudo aos ornamentos e aos acessórios, às sutilezas dos enfeites e das amplitudes, enquanto a estrutura do vestuário e as formas gerais são muito mais estáveis. A mudança de moda atinge antes de tudo os elementos mais superficiais...” (HARVEY. 1996). No capítulo III –”Cultura à moda mídia”-, da segunda parte do seu livro, a análise da sociedade contemporânea sobre a ótica dos princípios que orientam a abordagem histórica: “Toda a cultura massa-midiática tornou-se uma formidável máquina comandada pela lei da renovação acelerada, do sucesso efêmero, da sedução, da diferença marginal. A uma indústria cultural que se organiza sob o princípio soberano da novidade corresponde um consumo excepcionalmente instável; mais que em toda parte reina aí a inconstância e a imprevisibilidade dos gostos: nos anos 1950, o tempo médio de exploração de um longa-metragem era de cerca de cinco anos, agora é de um ano; o ciclo de vida médio de um sucesso musical oscila hoje entre três e seis meses...”



















CONCLUSÃO

Por todo o extrato da pesquisa realizada, concluímos que a cultura de consumo de massas tem demonstrado ser um verdadeiro “câncer” para a sociedade.
Embora se tente somar esforços para a difusão de informações visando a conscientização da população acerca dos benefícios do consumo sustentável, a mesma ainda carece do sentimento ético indispensável a tal empreitada, sem distinção de classe social e de nível de instrução.
Daí se extrai a dificuldade de tutela das relações de consumo numa perspectiva global, vez que insertos, aí, aspectos legais, portanto passíveis de regulação, mas também éticos, dependentes de auto regulação por cada indivíduo componente do seio social.
Dentre as propostas a liquidar a cultura do material, em detrimento do moral, o moderno binômio Estado/sociedade civil talvez seja o mais promissor e eficaz para tanto. Neste trabalho explicamos sobre o contexto de antropologia social  e as transformações da sociedade, contextualizamos como a mídia é empregada para gerar uma cultura de massa; explanando seu poder de penetração e influência na sociedade, vimos que a TV aberta, que é o foco dessas reflexões e analisamos a relação entre a mídia, indústria cultural e a difusão de valores, além de refletirmos sobre como a cultura  de massa e o capitalismo tem molda os padrões da sociedade, analisando o consumo sob uma perspectiva global e dentro da realidade brasileira; com rara felicidade, Fábio Konder Comparato vaticinou:

“O combate decisivo será travado não por meios militares nem mesmo, como vulgarmente se pensa, no campo econômico, mas no terreno das idéias, dos valores e das justificações éticas. Dominador nenhum, em nenhum momento da história, sobreviveu sem alimentar nos súditos o sentimento da legitimidade do seu mando ou, pelo menos, da inutilidade da revolta. ‘O forte’, disse lucidamente Rousseau, ‘não é nunca bastante forte para estar sempre no poder se não faz de sua força um direito e, da obediência, um dever’".

Não temos o objetivo de ditar regras e sim abrir espaço para novos debates sobre o tema, fazendo-nos refletir sobre os rumos da sociedade.

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NOTAS DE RODAPÉ EM ORDEM CRONOLÓGICA.
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2 LIMA, Rogério Medeiros Garcia de. O Direito Administrativo e o Poder Judiciário. Belo Horizonte: Del Rey, 2002.
3Citado por Joan Robinson em seu livro Liberdade e Necessidade - Rio de Janeiro: Zahar Editores: 1971, pág. 89.
4 PAZZINATO, Alceu Luiz; SENIZE, Maria Helena Valente. História Moderna e Contemporânea. SãoPaulo: Ática, 1997.
5 SANDEL. Michael J. Justiça – O que é fazer a coisa certa. Rio de janeiro.2013 P.140
6 REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 8a. ed. São Paulo: Saraiva, 1981.
7THEODOR W. Adorno & Max Horkheimer. Dialética Do Esclarecimento Fragmentos Filosóficos 1947 (Dialektik der ufklärung  - Philosophische Fragmente) p.111.
8 COHEN, Abner. O homem bidimensional: A Antropologia do Poder e o simbolismo em sociedades complexas. Rio de Janeiro. Ed. Zahar. 1978. P. 111
92 The Political Writings of Thomas Jefferson. Coleção Os Pensadores, vol. XXIX, São Paulo: Abril Cultural, 1973, pág.12.
10 Revista vida simples / março de 2005, ed. nº 26, pág. 54
11LIMA, Rogério Medeiros Garcia de. O Direito Administrativo e o Poder Judiciário. Belo Horizonte: Del Rey, 2002. P31
12COHEN, Abner. O homem bidimensional: A Antropologia do Poder e o simbolismo em sociedades complexas. Rio de Janeiro. Ed. Zahar. 1978. P. 112.
13THEODOR W. Adorno & Max Horkheimer. Dialética Do Esclarecimento Fragmentos Filosóficos 1947 (Dialektik der ufklärung  - Philosophische Fragmente)111.
14Em debate na 1a. turma da pós-graduação em Direito do Consumidor da Universidade Estácio de Sá de Juiz de Fora-MG, o professor e magistrado do TJRJ, Werson Rêgo, se posicionou no sentido de que tal publicidade não feria o dispositivo ora em comento, haja vista a circunstância em que a publicidade geralmente se apresentava (manobras realizadas em local afastado da área urbana e, portanto, não oferecendo risco à segurança pública). Data venia, discordamos de tal posicionamento, e preferimos nos filiar à doutrina do eminente prof. José Geraldo Brito Filomeno que, lecionando para a mesma turma, quando questionado sobre o assunto, entendeu tal publicidade como atentatória à segurança do consumidor, uma vez que o dispositivo não fala em perigo à segurança coletiva, mas do próprio consumidor, pouco importando se este se encontre no meio de um deserto, ou em uma avenida movimentada.
15Op. Cit., pág 6.
16In www.midiativa.tv.
17 O Princípio ético do bem comum e a concepção jurídica do interesse público. Inwww.jusnavigandi.com.br./acesso em 27.04.2014
18ARISTOTELES ética a Nicômacos.
 LIPOVETSKY. in (HARVEY, David. Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Edições Loyola, 1996, p. 31-35).
 (op. cit., p. 205)


Este foi um trabalho feito pelos alunos de meu grupo de Direito da faculdade Drummoind,

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