ESTE TRABALHO FOI APRESENTADO PARA OBTENÇÃO DO TITULO DE PEDAGOGA DAS ALUNAS GISLENE FERREIRA DOS SANTOS E VALDIRENE VIEIRA NO ANO DE 2009
Sumário
Introdução.............................................................................................................................4
Capitulo I - A educação religiosa
no espaço tempo...........................................................9
1 – A religião antes do
descobrimento
8
2 – O Proselitismo jesuítico
10
3 – O Estado Laico
Pombalino.........................................................................................
12
4 - A religião no II Império…………..………………………………………………13
5 - O rompimento Igreja – Estado no Período Republicano…..………………………..13
Capitulo II – O
Conceito de educação religiosa...............................................................17
1 - A diversidade religiosa no Brasil ..................................................................................17
2 – Crenças indigenas..........................................................................................................18
3 –
Judaismo........................................................................................................................19
4 –
Cristianismo...................................................................................................................20
5 –
Protestantismo...............................................................................................................22
6 –
Islamismo......................................................................................................................23
7 –
Espiritismo.....................................................................................................................24
8 – Afro
brasileiras..............................................................................................................25
Capitulo III – O respeito
a religiosidade nas escolas paulistas......................................27
1 – Aculturação religiosa.....................................................................................................27
2
-A educação religiosa e a formação social.
31
3
- A religiosidade e o
autoconhecimento...........................................................................33
3
–Religião e
cidadania......................................................................................................35
4 - Comunidade escolar e o ensino religioso
39
Bibliografia:........................................................................................................................43
Midia Eletronica:................................................................................................................45
Introdução
Desde os primórdios da
Humanidade o ser humano procura desvendar seus mistérios e mitos, se
pesquisarmos o conceito de - homem - no dicionário Michaelis, veremos que o homem
é um mamífero bípede, dotado de inteligência e linguagem articulada, a Bíblia
por outro lado nos informa que somos a imagem e semelhança de Deus, algo que os
evolucionistas negam pois segundo eles é preciso comprovar tudo
cientificamente, quando falamos
em evolução biológica, geralmente o primeiro nome que nos vem à mente é o de
Charles Darwin. Entretanto, não podemos negar que o homem é um ser tricotômico,
o Padre polonês Michael Keller, de 72 anos,
doutor em cosmologia e um dos mais conceituados cientistas no campo da
cosmologia e, também um dos mais renomados teólogos de seu país, e percussor na
área da Teologia da Ciência, afirma que: ao questionar (a causalidade primeira)
não estamos apenas falando de uma causa como qualquer outra. Estamos nos perguntando
sobre a raiz de todas as possíveis causas. Invariavelmente eu me pergunto como
pessoas educadas podem ser tão cegas para não ver que a ciência não faz nada
além de explorar a criação de Deus. Claro que há diferentes idéias e conceitos sobre Deus, para o filósofo americano
Daniel Dennett,
ateu e evolucionista radical, o homem simplesmente tinha a necessidade de
acreditar em algo divino e simplesmente o inventou, os Cristãos pensavam
normalmente em Deus em termos muito pessoais como um ser que é de algum modo
como nós, capaz de pensar e sentir, mas que é diferente de nós por não ter
limitações ou imperfeições. Dado que não podemos lidar separadamente com todas
estas concepções diferentes de Deus, restringir-nos-emos à concepção de Deus
que tem sido dominante na civilização ocidental desde há mais de dois milênios.
Esta é a idéia da concepção de Deus que
surgiu com o Judaísmo antigo há cerca de três mil anos e foi adaptada pelos
posteriores Cristãos e Muçulmanos.
O filósofo tcheco Comênio, autor da Didática
Magma; foi um dos primeiro a defender
uma ruptura da escola com a igreja católica, apesar de ser extremamente
religioso, Comênio propôs que houvesse uma separação entre a escola e a
religião, pois, o ensino da época era elitista e voltado para os estudos
abstratos.
A separação entre a igreja e o
Estado foi efetivada no Brasil em 7 de janeiro de 1890 pelo Decreto nº 119-A, e
constitucionalmente consagrada desde a Constituição de 1890 a 1891, o
catolicismo era a religião oficial do Estado e as demais religiões eram
proibidas, apesar de se fazerem presentes na clandestinidade, em decorrência da
norma do art. 5º da Constituição de 1824 o ensino era privilégio da elites
dominantes, só entre 1940 e 50 alguns intelectuais participaram de campanhas em
defesa da escola pública, essas campanhas deram origem a discussões para
aprovação da primeira Lei de Diretrizes e bases da educação (LDB), Fernandes
Florestam, um dos principáis ativistas em defesa de uma escola pública e
participou de debates onde o tema principal era a centralização ou
descentralização do ensino, este tema foi polêmico na época e não foi aprovado
pois, o então Deputado Carlos Lacerda entrou com um substutivo que defendia o
interesse de escolas privadas e religiosas, que pretendiam ganhar verbas do
Estado
Florestam lutou para que o ensino
fosse democrático e combatia as pretenções das escolas privadas e elitistas,
hoje a nova constituição diz que é vedado ao Estado –Distrito Federal (DF) ou
Municípios estabelecer em seus currículos culto religioso ou igrejas,
subvencionálos embaraçar-lhes o funcionamento ou manter vinculo com eles,
inicialmente a lei nº 9394/96, indicava conteúdos para o ensino religioso nas
escolas fosse ministrado por voluntários, por se tratar de uma disciplina não
obrigatória e com matricula facultativa, porém a lei 9475/97 diz que haja
remuneração para o profissional de educação, segundo Roseli Fishimann,
presidenta do juri Internacional da UNESCO, vai alem afirma que em tese deveria
haver professores capazes de representar todas as religiões explicando seus
principios dogmas e dando enfase a ética, moral
e construção da cidadania.
O objetivo desta monografia é fazer
uma defesa da laicidade e fazer um reconhecimento ético cultural, de que a
proteção a diversidade religiosa deve ser visto como instrumento educacional e
um valor humano, abordaremos a pluralidade religiosa da cidade de São Paulo
devido a sua tão grande variedade de imigrantes
e migrantes vindos de varias partes do país.
O Estado laico não
combate a religião de seus cidadões, mas
a respeita sem predileções nem simpatias, é neutro para proteger e privilegiar,
ao contrário do laicismo que separa o Estado por completo de qualquer valor
religioso, rejeitando-o invés de respeita-lo. Não queremos enfatizar o
ateismo nesta monografia e sim constatar uma ameaça a laicidade, queremos fazer
um reconhecimento ético da proteção a diversidade religiosa e mostrar que o ER
deve ser visto como instrumento de construção da cidadania.
Entendemos que o Estado é laico mas
a sociedade não, e esta sociedade conta com o Estado para assegurar seus
direitos e que o pluralismo religioso nela se abrigue, sendo assim o Estado não
pode negar – recusar ou impor tal ou qual religião, mas deve devotar o mesmo
respeito a todas, segundo Gilberto haddad Jabur, diretor cultural do Instituto
dos Advogados de São Paulo (IASP), o Estado é imcopetente para reconhecer ou
não qualquer religião, porque a ele não cabe alimentar ou difundir a verdade
mas sim respeitar a diversidade religiosa e ate sua ausência sem arrogacia ou
prepotência.
O trabalho de pesquisa será formado basicamente de uma
pesquisa bibliográfica buscando como referencial teórico a
atual Constituição brasileira,
datada de 1.988, art. 19; da Lei de Diretrizes e Bases da educação
(LDB), o trabalho do Dr.
Rubem Alves nascido a cidade de Boa Esperança, MG, em
1933. Psicanalista - Bacharel em Teologia,
pelo Seminário Presbiteriano de Campinas -Mestre em teologia pelo Union
Theological Seminary em New York,Doutor
em
Filosofia
(
Ph.D.)
pelo
Seminário Teológico de Princeton
(
EUA);
lecionou no Instituto Presbiteriano Gammon, na cidade de Lavras, Minas Gerais -
onde foi Pastor protestante - Seminário Presbiteriano de Campinas, na Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras de
Rio Claro
e na
UNICAMP,
onde recebeu o título de Professor Emérito. Autor de um grande número de
publicações, tais como
crônicas -
ensaios e
contos -
O que é
religião (Loyola) - livro usado
neste trabalho como fonte bibliografica -
A Tlieology of Hunian Hope - três
edições em inglês. Traduzido para o italiano, o francês e o espanhol.
Tomorrow's
Oúld, um livro sobre a imaginação e a magia, a esperança e a utopia. E
sobre plantar árvores em cuja sombra nunca nos assentaremos.
O Enigma da
Religião (Vozes).
Protestantismo e Repressão (Ática). Além de ser
ele mesmo o tema de diversas
teses,
dissertações
e
monografias.
Muitos de seus
livros
foram publicados em outros idiomas, como inglês, francês, italiano, espanhol,
alemão e romeno.
No capitulo I abordaremos a questão
da religião em sua fase etimológica, fazendo uma abordagem da educação
religiosa na linha espaço, tempo abordaremos tambem a historia das principais
religiões, enfatizando a forma com que chegaram ao Brasil e suas ramificações
na cidade de São Paulo de acordo com os grupos étnicos, quais seus problemsas
ao chegar ao Brasil e de que forma essas religiões foram adptando-se a nossa
cultura –explanaremos também como a religião foi incluída no universo escolar
da escola publica da cidade de São Paulo; no capitulo II mostraremos de forma
imparcial as características básicas e
as relações éticas que cada grupo religioso tem em comum, veremos também neste
capitulo qual a contribuição que cada grupo étnico religioso tem colaborado
para o desenvolvimento da cidadania e desenvolvimento social na cidade de São
Paulo, deixando para o capitulo III a abordagem da educação religiosa em sala
de aula, com o objetivo de ajudar os educadores a nortear suas aulas de forma
imparcial e de não ferir a identidade religiosa de seus educandos, procurando
enfatizar as normas éticas e morais de cada segmento sem caráter pessoal ou
confessional
Capitulo I - A educação religiosa no espaço
e tempo
1 A religião antes do descobrimento (1500)
Nas varias fases da
história brasileira o ensino religioso foi ministrado de forma diferente e com
um objetivo diferente, ora com carater catequisador visando a dominação por
meio da fé; ora de forma confessional. Quando analisamos a história vemos que desde
o século XV, antes mesmo do chamado
Brasil colônia, acordos já eram fechados
entre o Estado e a Igreja, no ano de 1494
Em Tordesilhas, município da província de Valhadolide, em Espanha, o
reide Portugal D. João II e os reis Católicos Isabel e Fernando de Castela e
Aragão, assinaram um tratado que delimitava as esferas de ação de Portugal e de
Espanha nos descobrimentos marítimos realizados e a se realizar.
O ensino religioso esteve presentes em várias fases da história
brasileira, mesmo antes da chegada do primeiro explorador Português, pois em
nosso país já existiam várias nações indigenas, que apesar de diferentes em
liturgias apresentavam padrões éticos comums a sua realidade tribal.
Após a descoberta do Brasil o primeiro contato com indios brasileiros
foram apenas de carater extrativista, sabemos apenas que cada nação indígena
possuía sua crença e rituais diferenciados, porem todos tinham em comum a
crença nas forças da natureza nos espíritos dos antepassados. Para estes,
deuses e espíritos, faziam rituais, cerimônias e festas. O pajé era o
responsável por transmitir estes conhecimentos aos habitantes da tribo. Algumas
tribos chegavam a enterrar o corpo dos índios em grandes vasos de cerâmica,
onde além do cadáver ficavam os objetos pessoais. Isto mostra que estas tribos
acreditavam numa vida após a morte. Existem relatos porem que os Tupi –guaranis
não tinham nenhuma forma de culto, e que apesar do cristianismo ser inserido em
sua cultura seu fundamento não foi modificado.
Veja o que diz o antropólogo Carlos Robrigues Brandão
sobre isso:
Certo é que a religião de
todos os grupos da tribo que hoje vivem no Brasil, no Paraguai e na Argentina
não cristã, mas a Guarani. De tudo o que de possível cristã se possa descobrir
no conjunto de suas crenças, ritos e cerimônias conservaram-se apenas aspectos
tangíveis e formais. O conteúdo é pagão
O indio brasileiro com a chegada dos colonizadores portugueses foram
expostos a merce de três interesses, que apesar de interligados acabavam em
certos momentos se chocando, Portugal em primeiro plano o viu como força de
trabalho braçal e quando começou o processo colonizador a metrópole queria
intrega-lo ao processo de colonização, os jesuitas queriam converte-los ao
cristianismo e condiciona-los aos valores europeus,
e os colonos queriam usá-lo como escravo para
o trabalho.
2 – Proselitismo Jesuítico (1549 – 1759):
Chegando
ao Brasil no ano e 1500, os colonizadores portugueses encontraram várias nações indígenas, que por sua
vez, viviam de forma rudimentar – O governo português entendeu que para
assegurar o uso da terra era mais fácil educar o índio, que por causa de sua
ingenuidade, aceitaria a doutrina do homem branco, enviaram então os jesuítas,
que através da educação – catequização – poderiam fazer com que os povos
indígenas aceitassem sua religião - língua – hábitos e costumes, pois
para o governo português essa educação tinha caráter meramente dominante, uma
visão pedagógica que perdurou durante décadas (1549 a 1759), haja vista, a
necessidade de manter uma divisão político administrativa.
A união entre o Estado e a igreja era fortissima e como a educação não tinha o carater de
instruir mas sim de dominar, sua atitudeera meramente colonizadora– dominadora,pois,
segundo eles acreditavam que era mais fácil dominar um povo através da crença
religiosa, em 1549. Estes religiosos da Companhia de Jesus chegam ao Brasil com
o objetivo de converter os índios ao cristianismo, eles tem uma missão
especifica que consiste em aculturar o índio brasileiro.
Alem de assegurar que o indio
aceitasse seus costumes a vinda dos Padres jesuítas para terras brasileiras também,
tinha a finalidade de proibir a entrada de protestantes em terras brasileiras,
a Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loiola, em 27 de setembro de 1540,
instalou-se no Brasil colonial, para combater os cristãos protestantes que
porventura aqui estivessem, fato que fica esclarecido pelas palavras do professor
Aldir Guedes Soriano historiador. Veja um trecho do juramento jesuitico reproduzido abaixo:
Prometo
e declaro que farei, quando se me apresente a oportunidade, guerra sem quartel,
secreta ou abertamente contra todos hereges, protestantes ou maçons (sic), tal
como se me ordene fazer, extirpá-los-ei da face da Terra,.
Segundo Soriano os
padres jesuítas ensinavam aos índios que não deveria ser levado em conta idade
ou sexo empregando a pena de morte e se
não houvesse condição de fazer isso abertamente; empregar veneno para mata-los
em segredo, com isso alem de impedir a entrada de outras religiões, faziam com
que a imagem dos pajés da tribos existentes no Brasil fossem marginalizados e
caçados, ressaltamos porem que ao analisar a história do sistema jesuítico não
podemos julga-los pois os padres estavam condicionados a normas éticas de seu
tempo histórico, já que de acordo com os missionários jesuítas os índios eram
considerados rudes, sem lei, e sem fé, e
muitos achavam impossível conseguir sucesso no processo civilizatório.
Notamos com isso que o aspecto
educacional visava a ascensão portuguesa como nação mercantilista, e a
propagação da fé católica, segundo Ribeiro, a assinatura do tratado de Methewem
1703,
firmado pela Inglaterra, que neste século já era uma nação em processo de
industrialização, sufoca a processo de industrialização português, com isso seu
mercado interno fica saturado de manufaturas inglesas, enquanto a Inglaterra se
comprometia em comprar o vinho de Portugal, tal tratado fez com que o lucro
português fosse desviado para a Inglaterra, pois havia uma defasagens nos
preços dos produtos agrícolas em relação aos industrializados, ou seja,
enquanto Portugal entrava a falência a Inglaterra se fortalecia como nação
mercante e sua economia crescia; a abertura dos portos permitiu que praticante
de várias religiões se estabelecessem no brasil.
Leoncio Bausmam, ao falar sobre este
asunto afirma que Portugal estava despovoado - sem braços para lavoura e
destituido de poder politico já que sua burguesia se salientava no poder
mercantil.
Como nação, continuava Portugal um país pobre, sem
capitais, quase despovoado, com uma lavoura decadente pela falta de braços que
a trabalhassem, pelas relações de caráter feudal ainda existente, dirigido por
um Rei absoluto, uma nobreza arruinada, quase sem terras e sem fontes de renda,
onde se salientava uma burguesia mercantil rica, mas politicamente débil
preocupada apenas em importar e vender para o estrangeiro: especiarias e
escravos e viver no luxo e na ostentação.
[12]
3 - O Estado Laico Pombalino (1759 – 1822)
No século XVIII
(1759), com a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Barão de
Pombal e com a então reforma da educação dá inicio a reforma que tinha como
objetivo a transformação da nação portuguesa de mercantil, para capitalista,
seguindo o então modelo da Inglaterra. A reforma pombalina (1759 a 1822), como ficou
conhecida era dotada de uma visão
elitista e influenciada por conceitos racionalista e iluministas, Pombal
estituiu as aulas régias – que na verdade era uma forma de ensino laico pois
pertenciam a coroa e o ensino passa a ter uma visão elitista de engrandecimento
da coroa Portuguesa.
Embora o ensino deixa-se de ser leigo, continuava obrigatório o ensino da religião
católica, nesta fase da Historia, o material
de estudo literário passa pelo controle severo da inquisição e tratava-se de
uma defesa dos costumes católicos, rejeitando-se as idéias francesas tidas como
abomináveis pelo clero.
Pombal queimou em praça pública obras literárias tida como heréticas pela
Igreja Católica, vale ressaltar porem que a pesar de querer modernizar o país Pombal defendia a Monarquia absolutista e a
religiosidade.
Veja o comentário do historiador Português Romulo Carvalho sobre um dos
atos da Reforma Pombalina:
(….) em 24 de setembro de 1770, um edital da Real Mesa Censória torna
pública uma lista de livros proibidos por conterem doutrina ímpia – temerária –
falsa – blasfema – herética – cismática – sediciosa – ofensiva da paz e sossego
público.
Na longa lista figuram Hobbes – Diderot – Rosseau – Voltaire – La Fontaine
– Espinosa etc. De todos os livros recolhidos e condenados mandou o Marquês de
Pombal proceder a grandes fogueiras no terreiro do Paço e na Praça do
Pelourinho, em Lisboa.
4 – A religião no II Império
(1822-1888)
Em 1862 no dia 2 de Janeiro, o então Imperador do Brasil D. Pedro II diz:O
ensino deve ser inteiramente secular, com a exceção do religioso.
Entendemos por ensino secular
toda forma de ensino tradicional ou seja, materias como, matematica – física –
linguas, são consideradas matérias seculares,o então Imperador D. Pedro II
escreveu isto em seu diário, pois tinha em vista que o Estado precisava gerir
os seus problemas politicos e focar-se na crise que se aproximava.
O ensino secular, no II
Império do Brasil ainda era comandado pela Igreja e tinha o carater de
catequisar e educar de acordo com a fé cristã católica, os indios, negros e
vassalos da corte Portuguesa.
Essa forma de educação predominou
ate o termino da monarquia no Brasil e so foi abalado com a proclamação da
Republica e o desejo do povo de criar uma Constituição; fez com que houvesse
uma conscientização que para haver mudanças se fazia nescessario mudar velhos
preceitos e romper com a antiga forma de transmição de conhecimento, rompendo
assim os paradigmas da maneira de educar.
5 - O rompimento Igreja – Estado no Período Republicano
Neste período da História deixamos de ser um país oficialmente
católico; devido a crise vivida pela Igreja católica e com a
proclamação da Republica, o novo regime pede a separação do Estado e Igreja,
vinculando a seguinte expressão:
Será Leigo o Ensino ministrado nos
etabelecimentos oficiais de ensino.
Temos então uma das primeiras citações oficiais sobre o ensino religioso
firmado em nossa Constituição, salientando que o ensino religioso só poderia
ser ministrado em estabelecimentos específicos, ou seja em escolas religiosas e
não nas escolas mantidas pelo poder publico, nos tornamos laicos pela Carta Magna de 1891, com o
reconhecimento da liberdade de religião e de expressão religiosa, vedando-se ao
Estado o estabelecimento de cultos, sua subvenção ou formas de aliança. Essa
primeira Constituição Republicana, ao mesmo tempo em que reconhece a mais ampla
liberdade de cultos, pune também a ofensa a estes como crimes contra o
sentimento religioso das pessoas. O ensino oficial, em qualquer nível de
governo e da escolarização, tornou-se laico, sendo contrario a do Período Imperial
em que a obrigatoriedade do ensino religioso se fazia presente.
O pensamento da separação entre Estado e a Igreja era proveniente dos
ideais franceses, e fazia parte da
maioria dos discursos dos parlamentares que atuavam na Assembleia Constituinte
e na Implantação do novo regime, a Igreja Católica continua com sua atuação
voltada a prática da catequização dentro das escolas publicas brasileiras, a
idéia do ensino religioso nas escolas publicas foi amadurecida em 1931 com a
reforma Francisco Campos, que com a criação do Decreto Lei nº 19.941 - de 30 de abril de 1931,
dispõe sobre a instrução religiosa nos
cursos primário, secundário e normal, segundo ele o ensino religioso será facultativo, nos estabelecimentos de instrução primária,
secundária e normal. Isso passa a ser ratificado no artigo 153 da Constituição
federal de 1934.
Em 1937 a
nova Constituição brasileira, afirma no artigo nº 133 que o ensino religioso poderá ser contemplado como matéria do
curso ordinário das escolas primárias, normais e secundárias. Porem, não
poderá ser obrigado pelos mestres ou professores, nem
ser exigido àfreqüência compulsória por parte
dos alunos. Fato que foi ratificado as futuras Constituições
federais e se faz notório ate os dias de hoje.
No ano de 1961 foi notificado pela Igreja
Católica que a escola pública não tem condições de dar ao aluno uma formação
moral e quiçá apenas a formação da inteligência, em outras palavras ela instrui
mas não educa, ela não tem uma filosofia integral de vida, a resolução dos
problemas do homem e sua psique suas origens e destinos, tal coisa só pode vir
através da solução religiosa da existência humana, assim ela indica que só a
escola confessional seria a forma ideal de formar a inteligência e formar o
caráter do individuo. De acordo coma Igreja Católica toda a tentativa de harmonização
entre os problemas do individuo e o bem das sociedades acha-se condenada a um
malogro irreparável, segundo ela existe uma ligação entre a propagação da
escola pública e o aumento do índice de criminalidade.
Segundo Leonel Franca historiador, as igrejas
evangélicas estavam reunidas em
congresso no Rio De Janeiro, reconheceram a importância e a necessidade
do ER e moral, opinaram porem, que este ensino de cunho religioso não deveria
ser ministrado nas escolas públicas e
sim nas igrejas e escolas paroquiais, Franca afirma também, que outras seitas
dissidentes tem o parecer de que apenas no seio da família, deve se dar o
ensino religioso.
Capitulo II -O Conceito de educação religiosa
1- A diversidade
religiosa no Brasil
O pluralismo religioso no Brasil e bem
diverso. Só na cidade de São Paulo é comum vermos templos de varios seguimentos
religiosos, na região do Brás por exemplo vemos templos evangelicos, católicos
e lojas espíritas e maçônicas próximas; segundo o censo 2010 do IBGE, temos em
nosso território nacional representações de todas as religiões existentes
mundo, apesar do Brasil ser oficialmente considerado um país católico.
De acordo com o IBGE é comum o fluxo de membros
entre os cultos; por este motivo se faz tambem comum levarem conceitos
religiosos de uma religião para outra, o que acaba sendo absorvido como forma
cultural, o chamado sincretismo religioso, significa absorver ritos de uma
religião para outra, adotando parte de uma doutrina ou filosofia, ou até mesmo
toda ela e mudando seus dogmas e principios luturgicos, transformando-a.
Essa diversidade religiosa, no entanto
parece respeitar uma certa ordem social, o espiritismo apesar de ser comum na
capital paulista não tem uma presença muito significativa na periferia, nota-se
tambem que muitos espíritas se auto denominam católicos, na periferia paulista
existem muitos adeptos de cultos evangélicos pentecostais, segundo Cesar Romero
Jacob; desde o Centro a zona Oeste da capital paulista em bairros com Pinheiros
– Jardins – Mooca e Ipiranga, há um domínio de 82% de católicos e apenas 5% de
evangélicos; em outra regiões da cidade como Cidade Tiradentes e Guaianazes no
extremo da zona Leste paulista a proporção de evangélicos tem uma alta e vai
para 30%, em contra posto os católicos caem para 40%, nas regiões Sul e Oeste a
presença de evangélicos é menor enquanto nas áreas mais nobres da cidade em
bairros como Jardins há uma concentração de Judeus fato que se da tambem na região central.
Segundo o Jornal O GLOBO, a capital paulista
ganhou em media um novo templo religioso a cada dois (2) dias, só no período
entre 2005 e 2009, existiam em 2005, 2.675 imóveis destinados a pratica de
cultos este numero subiu para 3.584 em 2009, ou seja em cada 12 meses foram
abertas 277 igrejas na capital paulista, o que da uma media de um (1) templo
para cada 3 mil moradores na cidade de São Paulo.
Por sua vez os espíritas se concentram em uma série de bairros que vão do
sudoeste ao nordeste da capital, onde a religião representa de 6% a 10% dos
moradores. Eles se encontram também em alguns bairros dos municípios de Santo
André e São Bernardo.
Notamos porem que apesar de suas diferenças litúrgicas, que as religiões
tem princípios éticos comuns, e tais princípios servem como bussulas morais
para o aluno, não que a falta da religião faça com que o educando se torne
antiético ou imoral, mas serve como uma ferramenta que pode e deve ser usada
para trazer ao jovem princípios de humanidade e cidadania; relacionaremos as
principais religiões existentes na cidade de São Paulo e seus pontos em comum, tal relação será
feita a partir do numero de adeptos e sua contribuição para formação cultural
da sociedade.
Segundo dados do IBGE a religiosidade aumenta de acordo com a idade e
7,4% da população brasileira se declara sem religião definida, esse numero
entre os paulista é de aproximadamente 6,5%
Relacionamos a seguir algumas religiões
existentes no Brasil; entretanto devido a grande diversidade religiosa; estão
presentes neste trabalho apenas as de maior numero de adeptos e presentes na
cidade de São paulo, entretanto queremos deixar registrado tambem nosso sincero
respeito a todas as outras religiões não citadas e destacarmos que isto não
significa que as mesmas não deixaram sua contribuição no contexto histórico.
2 - Crenças
indigenas
Como já vimos anteriormente os primeiros habitantes do Brasil os
índios,
eram distribuídos por todo o
território em varias nações, não tinham uma religião predominante, cultuavam os
rios – o sol – a lua – e a natureza dando a eles nomes e caracteres humanos,
alguns desses povos
acreditavam na
existência de espíritos – na reencarnação segundo Raine Souza
historiador da equipe Brasil escola - em
alguns casos os índios praticavam a antropofagia como um importante ritual em
que os guerreiros da tribo entendiam que absorviam a força e as
habilidades
dos inimigos capturados
3 - Judaísmo
O Judaísmo é uma das religiões
mais antiga e praticada até os dias atuais, ela tem mais de três milênios de
existência e tem perdurado através do tempo pelo fato de que muitos judeus
atuais se identificam com os que viveram na época do rei Davi (1000 a.e.c), o
que não significa propriamente que a religião judaica não tenha passado por
transformações. Podemos citar que diferentes circunstâncias históricas têm
marcado o judaísmo, que nos dias atuais passa de 16 milhões de fiéis,
concentrados nos Estados Unidos e no Estado de Israel.
O Cristianismo uma das religiões mais numerosas do mundo recebeu grande
influencia do Judaísmo, Um dos livros principais é a Tora, que é composta pelos
cinco primeiros livros da Bíblia, também conhecidos como o Pentateuco.
Conhecemos seus nomes pela derivação do grego são eles os livros de
Gêneses – Êxodo – Levítico – Números e Deuteronômio; seus nomes em hebraico
são: Bereshit – Shemot – Vayikra – Bamidbar – Devarim – quando lidos em
hebraico as primeiras frases dos livros formam um texto que significa;
No principio estes são os nomes que
chamou no deserto e disse estas palavras.
Um dos testos judaicos mais conhecidos é o Decálogo ou Dez Mandamentos que
podemos definir como uma norma ética voltada para os valores da pessoa, um
apelo ao ser humano interior, um resgate da consciência.
O nome – judeu - foi usado primeiramente para aqueles que eram Hebreus e
faziam parte da tribo de Judá, com o exílio em Babilônia uma das únicas tribos
que eram consideradas puras, pois, não se casavam com pessoas de outras etnias.
Os Israelitas foram perseguidos ao longo da Historia mundial, podemos citar
vários conflitos porem o de maior repercussão mundial foi o Holocausto judeu
promovido por Hitler, que vitimou mais de seis milhões de pessoas. Com a
instauração de sistema políticos laicos as situações anti-semitas e
discriminatórias foram revisadas e intelectuais de origem judaica como Marx e
Freud, revigoraram um pensamento formalmente livre da divindade.
Podemos citar,
por exemplo, a relação entre a esperança Marxista de uma sociedade sem classes
e a familiaridade direta com a esperança messiânica onipresente do judaísmo
desde o século II a.e.c.
Religião com aproximadamente 2.106.962.000 de adeptos no mundo, segundo Philip
Wilkinson
, O
Cristianismo é a religião dos seguidores de Jesus Cristo, Que crêem que Jesus é
o Filho de Deus; o Messias cuja vinda fora prometida pelos Profetas nos livros
do Velho Testamento Bíblico. O Cristianismo prega que a humanidade vive em
pecado desde que Adão e Eva desobedeceram a Deus, no Jardim do Éden, os
cristãos crêem, na doutrina edênica criacionista que Jesus, através de sua
vida, morte e ressurreição, trouxeram a seus seguidores a redenção de seus
pecados. É uma doutrina monoteísta que acredita por meio da fé em um só Deus,
que existe sob três formas distintas – Pai - Filho e Espírito Santo - constituindo
a Santíssima Trindade. Jesus Cristo foi o fundador dessa religião, basta
lembrar também que segundo alguns historiadores Jesus é um nome comum e Cristo
é na verdade um
titulo; que significava o
Ungido; seus ensinamentos enfatizavam o amor e o perdão e a redenção dos
pecados passados recentes e futuros.
A História de sua vida - doutrina - ensinamentos e história de sua morte
juntamente com os principais credos do Cristianismo, são descritos nos
evangelhos de Mateus – Marcos – Lucas e João e nos livros iniciais do novo
testamento bíblico. Cerca de 300 anos depois da morte de Jesus Cristo, o
cristianismo tornou-se religião oficial do Império Romano.
A fé se expandiu da Palestina para a Europa, o oeste da Ásia e o norte da
África, e, através de pregação e ensinamento constantes, continuou a
espalhar-se por todo o mundo desde então. Desde o Século 16, colonos europeus
trouxeram a fé Cristã para as Américas, e no século 19 houve uma grande
expansão quando missionários seguiram os colonizadores europeus em várias
regiões da África e da Ásia. Atualmente há mais de dois bilhões de cristãos em
todas as partes do mundo.
Eles pertencem a três grupos: católicos, ortodoxos e protestantes e/ou
evangélicos - que apesar de terem diferenças quanto à liturgia de seus cultos -
doutrinas e rituais, compartilham as crenças básicas cristãs, chamadas pelos
teólogos de doutrinas sistemáticas; o Cristianismo ao longo de sua existência
gerou tendências esotéricas - gnósticas e neoplatônicas, que em geral são
considerados desvios perigosos pelo Cristianismo oficial. Veremos algumas
dessas variações separadamente, para compreendermos melhor seus dogmas
doutrinários.
5 - Catolicismo
O Cristianismo no principio de sua criação não era como o conhecemos
hoje, segundo a BIBLIA; os discípulos de Cristo foram pregando sua doutrina de
cidade em cidade e firmando igrejas que não tinham uma liderança eclesiástica,
o líder dessas igrejas eram os então evangelistas e firmavam sua liderança nas
cidades em que estavam; o então Catolicismo romano começou a tomar forma no ano
325 com a “conversão” do imperador romano Constantino, após sua
”conversão" ao cristianismo, Constantino convocou o primeiro concilio das
igrejas que foi dirigido por Hosia Cordova com 318 bispos presentes; esses
bispos na verdade eram os lideres cristãos das cidades onde havia pessoas
convertidas ao cristianismo, os cristãos viviam de forma ilegal, proscritos nas
catacumbas, e realizavam suas reuniões e atos religiosos às escondidas; com a
conversão do imperador ao cristianismo, a religião passou a ser considerada
oficial e universal, porem sua universalidade cabia ao domino do império
romano. Constantino construiu a -Igreja do Salvador - num bairro nobre de Roma,
chamado Vaticanus. Os bispos de então construíram vários palácios ao redor da –
igreja - construída pelo imperador, formando o Vaticano que hoje existe; com a
morte de Constantino seu sucessor Teodósio com a intenção de centralizar o
poder da recém igreja criada pelo império
, favorece o triunfo do cristianismo sobre os povos pagãos ou gentios,
convocando o 2º Concílio Ecumênico, de Constantinopla, no ano 381; O então
imperador reafirma a universalidade da religião cristã, com o decreto Cunctus
Populos dando-lhe então o nome de Católica - que significa universal. Segundo
os católicos, todas as Igrejas Apostólicas - que têm sucessão dos Apóstolos -
são Católicas.
6 - Protestantismo
O protestantismo foi um movimento que começou com a revolução e/ou
reforma protestante criada por Martinho Lutero; sua doutrina se baseia em que
qualquer pessoa pode se dirigir diretamente a Deus baseada na morte de Jesus
Cristo na cruz, segundo Lutero o homem não pode interpor-se entre o homem e a
palavra de Deus colocando obstáculos éticos, ele deseja que o homem defronte-se
com Deus face a face, a base de sua doutrina é a distinção entre a lei e o
Evangelho, para ele se estas duas coisas se misturam o evangelho perde sua
soberania e se torna uma lei terrestre, seus dogmas principais são as 95 teses contra
as vendas das indulgências pregadas pela então doutrina católica romana, no dia
31 de outubro de 1517;
os primeiros indícios da chegada do movimento protestante ao Brasil foi no século
XVI com a chegada dos holandeses; os holandeses criaram sua própria igreja
estatal nos moldes da igreja reformada da Holanda, e durante os 24 anos de sua
dominação, foram organizadas 22 igrejas e congregações, essas igrejas formaram
mais de 50 pastores chamados de Predicantes, alem de pregadores auxiliares os
Proponentes.
Segundo Boanerges Ribeiro, escritor e historiador, ao iniciar-se o século
XIX não havia no Brasil vestígios do protestantismo, porem, com a chegada da
família real ao Rio de Janeiro, o príncipe regente D. João decretou à abertura
dos portos as nações amigas, esse decreto concedia amplos privilégios a
imigrantes de qualquer nacionalidade ou religião
Segundo Ribeiro, no período da República Velha as religiões não
católicas, principalmente as evangélicas, passaram a fazer parte do cenário
nacional, ele enfatiza que: “Alastrou-se a Reforma por todo o Brasil e por
todas as classes sociais”
Em fevereiro de 1810 Portugal assinou com a Inglaterra Tratados de
Aliança - Amizade e de Comercio; nestes tratados prometia aos estrangeiros,
“perfeita liberdade de consciência” para praticarem sua fé, tal liberdade por
sua vez era na verdade limitada, pois vinha acompanhada de proibições de fazer
prosélitos e de falar contra a religião oficial, outra exigência era de que as
igrejas protestantes não poderiam ter forma exterior de templo nem utilizar
sinos. Uma das primeiras igrejas
brasileiras foi à igreja Anglicana, e teve como um de seus capelães Robert C.
Crane que chegou ao Brasil em 26 de maio de 1822, após isso continuaram a
chegar missionários de varias igrejas protestantes.
No ano de 1910 na cidade de Belém do Para nascia a Igreja Evangélica
Assembleia de Deus, que foi a primeira igreja protestante nascida no Brasil e
que se denominava Pentecostal,A Assembléia de Deus é uma igreja protestante,
que segue os princípios da Reforma pregada por Martinho Lutero, no século 16,
contra a Igreja Católica. Em 1920 a chamada Comissão Brasileira de Cooperação,
liderada pelo Rev. Erasmo de Carvalho Braga (1877-1932) procurou unir as
igrejas evangélicas na luta pela preservação dos seus direitos. Após 1964, as
relações das igrejas evangélicas e da Igreja Católica com o estado brasileiro
tomaram rumos por vezes diametralmente opostos, também no que tangem ao ensino
da educação religiosa.
Reily enfatiza que houve três grandes fases do movimento pentecostal:
As três ondas ou fases do pentecostalismo brasileiro
foram as seguintes: (a) décadas de 1910-1940: chegada simultânea da Congregação
Cristã no Brasil e da Assembléia de Deus, que dominaram o campo pentecostal por
40 anos; (b) décadas de 1950-1960: fragmentação do pentecostalismo com o
surgimento de novos grupos – Evangelho Quadrangular, Brasil Para Cristo, Deus é
Amor e muitos outros (contexto paulista); (c) anos 70 e 80: advento do
neopentecostalismo – Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da
Graça de Deus e outras (contexto carioca).[29]
7 - Islamismo
O Islamismo é uma das religiões que mais crescem em número de adeptos no
mundo e tem enviado missionários para varias partes do globo para intensificar
sua doutrina, é uma religião monoteísta fundada por Maomé entre o ano 578 a 622
DC; após receber uma revelação do anjo
Gabriel, ela tem entre seus principais dogmas, que existe um só Deus, que seu
nome é Ala seu profeta é Maomé; o livro de fé da religião Muçulmana é o
Alcorão.
Segundo o livro sagrado da religião mulçumana o alcorão, todo fiel deve
visitar a cidade de Meca, cidade natal do profeta Maomé, pelo menos uma vez na
vida (se tiver condições para isso); o alcorão é a compilação das revelações
tidas pelo profeta Maomé durante os 23 anos que sucederam sua morte, estudiosos
dizem que o profeta Maomé, recitava suas revelações a quem quer que esteja por
perto, e estes por sua vez, memorizavam, o alcorão trata de temas relacionados
à lei – sabedoria – doutrinas – rituais – ética e cidadania; é um texto com
base político-religiosa, e para o povo mulçumano é como uma constituição, onde
um dos principais temas é o relacionamento do homem com Deus.
Para a doutrina mulçumana os peregrinos ao visitar a mesquita sagrada de
Meca edevem dar sete volta em torno da grande edificação negra (a Caaba); diz a
tradição islâmica que este templo foi construído por ordem de Abraão e
representa o ponto em que os poderes divinos tocam a terra, dentro deste templo
existe uma pedra negra que os mulçumanos devem beijar ou tocar.
Segundo a revista Veja,o Monsenhor Vittorio Formenti, encarregado do
relatório anual de estatística do vaticano afirmou que os mulçumanos serão
cerca de 30% da humanidade; ele enfatiza que:
A vantagem islâmica no jogo demográfico é, por
enquanto, parcial, pois se forem somados os fiéis de todas as denominações
cristãs o total ultrapassa 2 bilhões de pessoas. O próprio Islã não é um bloco
monolítico. Cada uma de suas várias vertentes – xiita, sunita, alauíta etc. –
é, isoladamente, menor que o catolicismo. O futuro, de todo modo, favorece os
seguidores de Maomé. No ritmo atual de expansão do islamismo, em menos de vinte
anos os muçulmanos serão 30% da humanidade. O número de católicos então
representará 16,7% da população mundial e os cristãos serão 25%. (VEJA – 2008)[30]
Formenti acredita que hoje os mulçumanos estão em numero igualado com os
cristão porem em 20 anos seu numero sera maior que os cristãos em numero de
adeptos; e tem uma caracteristica em comum: tambem se dividem em grupos
ideológicos.
8 - Espiritismo
Codificada na França no mês de abril de 1857, pelo bacharel em letras e
ciências, e professor universitário, Hippolyte Denizard Rivail, mais
popularmente conhecido como Allan Kardec, a religião Espírita prefere se
identificar como ciência de observação embasada numa doutrina filosófica,ou
seja o espiritismo procura identificar atraves da psicometria fatos
metafisicos, segundo os espíritas Kardec, não é o fundador o espiritismo e sim
o codificador da doutrina espírita,Prof. Rivail após encontrar com fenomenos
sobrenaturais onde mesas e cadeiras se movian, estudou o fenomeno e se
convenceu de sua mediunidade, após isso adotou o nome de Allan Kardec, nome que
ele havia usado em uma encarnação passada – na época dos druidas - esta
doutrina teve sua maior divulgação com o fato acontecido com as irmãs Magie e
katie, que segundo elas se comunicavam com o espírito de Charles Rosna,
A primeira seção espírita registrada no brasil realizou-se no dia 17 de
setembro de 1865, em Salvador na Bahia.
Atualmente, a Federação Espírita Brasileira estima que há
cerca de 8 milhões de adeptos do espiritismo, 30 milhões de simpatizantes, e
quase 55 mil centros espalhados por todo o território nacional. De acordo com
seus praticantes o Espiritismo é ao mesmo tempo
uma ciência de observação e uma doutrina filosófica;
Como ciência de observação prática, ele consiste nas relações que se podem
estabelecer com os espíritos que estão em constante desenvolvimento, e a
relação com o mundo corpóreo, por outro lado como filosofia, tenta incluir
todas as conseqüências que podem decorrer dessas relações. Estudando a
natureza, da origem e da destinação dos espíritos, e suas relações com o mundo
físico, ou seja unir o abstrato e o concreto.
9 - Afro-brasileiras
Em algumas regiões da América existem manifestações religiosas
que são resultantes do sincretismo entre o cristianismo e os cultos afros; no
brasil esse sincretismo resultou em religiões como o candonblé e umbanda. De
acordo com o censo em 2010 haviam cerca
de 648,5 mil adeptos, entretanto estudiosos dessas religiões estimam que o
numero de adptos é bem maior, pois muitos fequentam os centros de forma
esporádica, e estão ligados a outras crenças.
O Candonblé cultua os orixás , que são os deuses das
naçoes africanas, que demonstram sentimentos humanos como ciumes e vaidade, o
candonblé chegou ao Brasil no séulo XVI e XIX com o tráfico de negros trazidos
da Africa Ocidental.
A Umbanda é uma religião afro-brasileira nascida no
Rio de Janeiro na década de 20, ela é produto do sincretismo de crenças
e cerimoniais africanos e europeus; a umbanda
considera o universo povoado de entidades espirituais, os guias, que entram em
contato com os homens por intermédio de um iniciado (o médium), que os
incorpora, a umbanda mistura rituais espiritas – indigenas e praticas
européias.
Cap. III - O respeito a religiosidade
nas escolas Paulistas.
1 - A aculturação religiosa
Antropologicamente só podemos conhecer a cultura de um povo através de
sua historia, pois a cultura é o resultado das atividade das formas que esse
povo agiu em determinadas épocas e o resultado da transformação resultante da
adaptação desse povo a sua realidade, ou seja a cultura de uma nação se
constrói, a partir dos resultados de erros e acertos de seus antepassados, de
acordo com isso podemos dizer que a cultura está em constante transformação; ou
seja, estamos fazendo cultura, transformando o espaço em que vivemos. Definimos
por aculturação, o procedimento de imposição cultural queno Brasil colonial,
ocorreu pela doutrinação dos índios, negros escravos e por meio de referências
civilizatórias trazidas por portugueses, franceses e ingleses.
Sociologicamente cultura é um processo permanente de evolução, que não é
apenas o modo de vida de uma determinada civilização, mas também a maneira de
como esta civilização sobrevive aos fatos da História. Observando a aculturação
religiosa e seu sincretismo religioso podemos dizer que o Brasil em sua
historia absorveu características de todos os povos que outrora se instalaram
em nosso território, segundo Roberto
Damatta, as formas culturais ou sub-culturas de uma sociedade, são na verdade
resultado de uma absorção de outras sub-culturas que não foram propriamente
extintas, mas sim adaptadas, nossa cultura como já dissemos é formada de traços
portugueses – africanos – indígenas; formação ocorrida no decorrer de nossa
história pela colonização e pelo processo de imigração.
A
globalização
e a interatividade dos meios de comunicação social consentem uma metodologia de
aculturação e nivelamento das culturas pela proximidade das sociedades, das
trocas e da rapidez dos veículos de transmissão que espalham diversos códigos,
condutas e símbolos culturais em diferentes países.
Podemos notar esse processo de aculturação ouajustamento, nos cultos
afro-brasileiros, onde é comum a identificação entre os Orixás e os Santos
Católicos, essa troca de dogmas e liturgias faz com que exista em nosso país
todo tipo de culto religioso, fato que alguns chamam de inculturação, pois se observamos por exemplo conceitos éticos de
acordo com uma visão católico romano, esses conceitos poderão parecer heresia
comparados a conceitos mulçumanos, da mesma forma que uma visão espírita possa
parecer refutável, se levarmos em conta a doutrina evangélica, nossa
constituição resguarda a liberdade de culto e característica cultural
religiosa, de cada seguimento religioso, porem ao observarmos os novos cultos
religiosos que vêem se mostrando no âmbito nacional, podemos notar por exemplo
que alguns cultos católicos se renderam a pratica evangélica e hoje cultuam de
forma mais moderna; é a chamada renovação carismática, por outro lado, os
cultos neo pentecostais são hoje mais flexíveis em relação a doutrinas que a
tempos atrás eram consideradas radicais, tanto nos usos quanto a vestuário e
também na forma litúrgica.
Segundo
Rubems Alves, o sagrado
não éuma eficácia inerente às coisas; ele considerava o contrário, existiam
coisas e gestos se tornam religiosos quando os homens os balizavam como tais.
Dessa forma a religião nasce com o poder que os homens têm de dar nomes às
coisas, que ele não compreende, fazendouma discriminação entre coisas de
importância secundária e coisas de importancia primárias, nas quais seu
destino, sua vida e suamorte se dependuram.
E por esta
razão ele faz uma concatenação entre seu conhecimento empirico e cientifico e
aquilo que para ele não tem explicação lógica, por que, fazendo uma abstração
dos sentimentos e experiênciaspessoais que acompanham o encontro com o sagrado,
a religião nos apresenta como um certo tipo defala, um discurso, uma rede de
símbolos. O ser humano tendo por base estes símbolosdiscriminam objetos,
tempose espaços, construindo, com o seu auxílio, uma abóbada sagrada com que
recobrem o seu mundo; com o objetivo de exorcizar o medo, Alves parte do
principio que sem esses simbolos o mundo seja por demais frio e escuro; e
fazendo uso de seus símbolos sagrados ohomem constrói diques contra o caos.
Com isso, coisas inertes — pedras, plantas, fontes — e
gestos, em si vulgares, passam a ser os sinais visíveis desta teia invisível de
significações, que vem a existir pelo poder humano de dar nomes às coisas,
atribuindo-lhes um valor. Não foi sem razão que ele se refere à religião como -
a mais fantástica e pretensiosa tentativa de transubstanciar a natureza - dessa
forma, objetos e gestos que poderiam ser discriminados como insensiveis e
indiferentes ao destino humano, são integrados a natureza humana; quando
tocamos nos simbolos o corpo inteiro estremece, e este estremecer é a marca
emocional/existencialda experiencia do sagrado.
Em nossa historia n
otamos que o homem tem um certo fascinio pelo sobrenatural
e tudo o que está relacionado ao metafísico e sobrenatural, um dos principais
desafios da educação pós moderna é então definir qual a melhor metodologia para
ministrá-la e tambem definir ate que ponto o
educador pode adentrar neste tema; sem ferir a liberdade religiosa cada grupo, e
sua definição de Deus.
O
termo religião deriva do latin religio, que entre os romanos signifacava, o conjunto de
crenças e práticas tradicionais, proprias de uma cultura ou de uma sociedade
humana que assim honra seus deuses; não entendem a religião como uma tradição
religiosa, e sim como uma manifestação real do sagrado; que faz uso de inumeras
práticas culturais e ritualistas; esse termo deu origem, a palavra reeligere
(re-eleger uma verdade para a vida); re-eligare (religar uma pessoa a si mesma,
aos outros ao mundo e ao transcendente, Deus);
re-Ligare,
que significa religação com o divino e relegere que por sua vez é reler o
fenomeno religioso; entretanto, em muitas outras linguas o termo religião, é
ausente
Segundo
o Forum Nacional
Permanente de Ensino Religioso(FONAPER); o ER em sua concepção trabalhava esses 3 (três), sentidos de religião:
- re-eleger sempre que
trabalha com ensinamentos de que uma unica denominação religiosa é a
verdadeira; Lei 4024/61
- re-ligare, quando se
desenvolve a ER a partir do presuposto de uma vivência religiosa de valor
antropológica de relacionamento do si mesmo, com os outros, com o mundo a
natureza e o absoluto (Deus); Lei 5692/71
- re-legere; quando se atende
a forma da diversidade cultural e religiosa, Lei 9394/96, alterada pela Lei
9475/97 artigo nº 33, através da resolução 02/98 Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional o ER deve constar no projeto pedágógico da escola e o
paragrafo 6 do artigo Nº3 desta resolução diz que as escolas precisam usar o
conteúdo diversificado para inserir em seu projeto pedagógico atividades de
interesse da comunidade.
Um
dos principios do ER é mostrar que não existem seitas – pois não existem
pequenas ou gandes religiões – e que para o historiador ou para o filósofo não
existe também sincretismo, por não termos uma religião melhor que a outra, pois
cada religião apresenta uma visão diferente de um grupo específico valores
diferentes do que é considerado sagrado.
Para
Mannheim: Religião é a atividade humana
pela qual o homem atinge uma unidade mais fundametalao ligar as atividades
dispersas a uma finalidade social comum, apenas válida quando enraizada em sua
consciência,
Definem-se
assim quaisquer formas de pensamento ou filosofia, é o serviço ou culto a Deus, ou a uma divindade qualquer, expresso
por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino.
Segundo
Feuerbach:
A consciência de Deus é autoconsciência,
conhecimento de Deus é autoconhecimento. A religião é osolene desvelar dos
tesouros ocultos do homem, a revelação dos seus pensamentos íntimos, a
confissãoaberta dos seus segredos de amor.
Para
Feuerbach ter conhecimento de Deus, é se auto conhecer e revelar a si mesmo seus
segredos mais intimos mostrando o lado romantico de nossa criação, definiremos
então por educação religiosa a forma de abordar os fundamentos das religiões,
normas éticas e morais; e como esses fundamentos norteiam o desenvolvimento
psicosocial do aluno, seu relacionamento e sua conduta para com a sociedade.
Segundo o artigo 33 da Lei n.º 9.394/96, de 20 de dezenbro a
educação religosa é traduzida
como área de conhecimento, e visa passar
ao educando normas éticas e morais concernentes a religião, passando a ser um
novo foco de pesquisa, reflexão e também como componente curricular, essa lei é
sancionada pelo então Presidente da Republica Sr. Fernando Henrique Cardoso,
pela Lei nº 9475/97, que estabelece a
modalidade do Ensino Religioso, de modo a respeitar a diversidade cultural e o
pluralismo religioso, sendo vedadas quaisquer formas de proselitismo.
Além do mais, delega aos sistemas de ensino a competência de organizá-lo e
orientar sua prática pedagógica, ouvindo as entidades civis constituídas pelas
diferentes denominações religiosas.
Com base nas observações
feitas na Lei de diretrizes e Bases da educação (LDB), o ER é um estudo sobre as
principais religiões, presentes no território brasileiro e qual a influência cultural
que essas religiões causaram nos costumes, ideologias e relações sociais,
enfatizando princípios éticos e morais de cada uma delas; segundo Meslim, é
através da religião que o ser humano se define no mundo e para com seus
semelhantes, ela empresta um sentido e constitui para seus fiéis uma fonte de
informações, que servirão como modelo para o mundo e seus semelhantes, pois
para seus crentes ela é um modelo de ações e de explicações, porque fornece
respostas as ameaças que pesam sobre a vida humana: o sofrimento; a ignorancia
e a injustiça.
2 - A educação religiosa e a formação
social
O ser humano tem como uma de suas necessidades básicas
a vida em sociedade, e viver em grupo geram certos problemas de espaço e faz
com que o individuo tenha que se acondicionar e respeitar normas de padrão
social, essas normas por sua vez tendem a ser orientada por conceitos éticos,
designados por essa comunidade, a ética comum de um povo é apontada pelas leis
dessa sociedade constituindo assim a moral dessa sociedade.
Historicamente
as normas morais de uma sociedade estabelecem entre seus cidadãos certo padrão
que é transmitido para seus descendentes através da cultura,
já vimos que a cultura de um povo absorve
padrões religiosos (transcendentais) e também conceitos lógicos, na História
observamos grandes filósofos como, Sócrates – Platão –
Aristóteles - Santo Agostinho - Tomás de Aquino – Hobbes – Hume – Hegel – Kant
– Bérgson – Heidegger – Habermas - Jesus Cristo - cada um a seu modo, buscando
o estabelecimento de códigos de ética válidos universalmente.Segundo
Gramsci, o saber público e o saber científico são mostrados na comunidade através
de suas manifestações populares e sua superioridade é mostrada no cotidiano
popular.
Verifica-se que entre as
varias religiões do mundo, existem pontos comuns que provam os princípios
filosóficos de eras passadas, então podemos entender frases históricas como a
de Albert Einstein, que afirmou que a ciência sem a religião é paralitica e a
religião sem a ciência é cega; convém lembrar que as teorias de Einstein quanto
a teoria da relatividade, eram tão avançadas para sua época que não havia como
provar se estavam certas, entretanto, Einstein tinha plena convicção de sua
crenças pois ele cria em Deus, e segundo ele, esse Deus não era o Deus da
crença Judaica que ele abandonara aos 11 anos, mas sim, um Deus cientifico
matemático que para ele simbolizava a simplicidade do universo relativo.
Ao ser indagado sobre a
existência de Deus Einstein respondeu:
Acredito no Deus de Espinoza.
Baruch Espinoza era filho de
judeus portugueses que migraram para Holanda, fugindo da inquisição, expulso de
uma sinagoga em 1654, aos 34 anos, ele propunha a idéia de um Deus que não
estava em sua visão acima da natureza mas faz parte dela; Einstein acreditava
num Deus que se manifesta na harmonia ordenada do que existe na natureza e não
em um Deus que se preocupa com o destino e ações dos seres humanos
A Declaração dos Direitos do Homem firma a
propriedade como direito supremo do cidadão, e valores como compaixão –
solidariedade – justiça e verdade – são
princípios presentes em todas as religiões, algumas dão ênfase a piedade e
solidariedade outras a prudência e castidade, livros ético religiosos como a
Bíblia mostram a família como centro da contexto ético social da comunidade e
vemos normas éticas velho testamentárias presentes na nossa sociedade atual, se
observarmos os ensinamentos de Jesus, veremos normas de conduta presentes no
código de Hamurabi que por sua vez foi baseado na lei de talião – dente por
dente e olho por olho.
O homem racional tende a
mudar as coisas e deseja dizer que suas leis e normas são baseadas em deduções
lógicas, vimos esse contexto acontecer na Grécia onde o pensamento filosófico
entrou em conflito com os seres mitológicos e o homem buscou uma explicação
lógica e natural para seus problemas cotidianos; tal observação também
aconteceu com Hegel e Marx que chegou a
dizer que religião é o ópio do povo, pois faz com que o homem se esqueça dos
problemas cotidianos e se foque no metafísico.
O raciocínio humano passou
por muitas transformações nas ultimas décadas, quando falamos em História 100
anos é uma fração de tempo muito pequena, a História da Civilização
substituiu a História Universal. Temos então um afastamento entre o laico e o
sagrado e direcionamos os acontecimentos da religião para o processo
civilizatório, identificado os fatos com os próprios desígnios divinos, surgiam várias teorias que pretendiam provar a existência
de Deus, e também existiam aqueles que pensavam negar sua existência.
Segundo os PCNs o Estado passa a ser visto como o
principal agente histórico condutor das sociedades ao estágio civilizatório.
Por isso abandonou-se a periodização da História Universal, que identificava os
Tempos Antigos com o tempo bíblico da criação, com o predomínio do sagrado
sobre o tempo histórico, e passou-se ao estudo da Antiguidade do Egito e da Mesopotâmia,
momento de gênese da Civilização com o aparecimento de um Estado forte,
centralizado e uma cultura escrita.
Só a partir do século XVIII
houve um crescimento na mentalidade filosófica humana; e fundamentos outrora
defendidos no período medieval perderam sua validade; como prova disso podemos
citar, por exemplo, que os navegadores da época das grandes navegações tinham
mitos de que a terra era plana, fato que foi mais tarde desmentido pela
ciência; filósofos como Kant e Feuerbach estimulavam o estudo das religiões no
âmbito social e antropológico e sua visão filosófica persiste ate os dias
atuais e foram absorvidos pela sociedade pós-moderna e o homem procura fazer
uma ligação entre a fé e a lógica, entre o material e o sobrenatural, entre o
absoluto e o concreto.
Podemos notar isso nesta
citação feita a respeito de Aristóteles que mostra a busca do homem pela
racionalidade filosófica e a felicidade:
Aristóteles, discípulo de Platão e uma das maiores
mentes observadas pelo mundo ocidental, entra no furacão da racionalidade e,
embora se afastando da orientação de seu mestre, pensa a ética no contexto da
polis, sem desconsiderar as paixões, naturais no ser humano, o que
influenciaria definitivamente qualquer ética, retirando a possibilidade de uma
solução puramente lógica, pois o homem para chegar à perfeição, deve alcançar
seu objetivo final – a felicidade.[50]
3 – A
Religião e o autoconhecimento.
Na cidade de Delfos na antiga
Grécia, no templo de Apolo havia uma inscrição que dizia - Ó homem conhece-te a
ti mesmo e conheceras o universo dos deuses; o homem moderno procura resposta
para seus dilemas pessoais e procura na religião essas respostas, O Rei
Salomão; que levou ao auge o império Israelita, escreveu que para que o homem
se projetasse na sociedade ele teria de ter um pensamento de conquista, uma
conquista autopessoal, que começaria em primeiro lugar no campo do
subconsciente, que no contexto neo-testamentário, é chamado de consciência, ou
seja, segundo Salomão, o homem deveria pesar suas palavras e pensar antes de
colocar em prática suas ações atitudes
O apóstolo São Paulo,
ensinando as novas Igrejas relacionava que todo ser humano é dotado de algo
chamado consciência, para ele todo homem tem em seu interior ou subconsciente,
algo que em seus pensamentos o acusa ou defende; segundo Paulo o homem se vê
justificado de suas ações para com Deus e sua consciência pela fé.
Para Freud, o que Paulo chama
de consciência ele chamaria séculos mais tarde de inconsciente, o que segundo
Freud é um depósito de ações rejeitadas pelo consciente, isento de movimento e
estático, e que se forma a partir do consciente; por outro lado, para Jung, o
inconsciente é na verdade uma herança biológica de muitos conteúdos herdados de
seus ancestrais, desse modo o inconsciente existe antes mesmo de existir uma
consciência lógica. Freud e Jung têm
visões diferenciadas quanto a consciência para Jung a consciência era o Self
(si - mesmo), ou seja, o conceito biológico de vida psíquica do ser humano, que
exige ser reconhecido, integrado, realizado; porém, não há esperança de
incorporar mais que uma parte de um todo na vasta consciência humana,
entretanto, para Freud o inconsciente é na verdade a causa, o efeito, ou seja,
enquanto Freud busca as causas,Jung busca a direção.
Estudiosos afirmam que é na adolescência que se tem as
disfunções da Self, pois o indivíduo começa a canalizar o conhecimento empírico
adquirido em seu cotidiano, e mostra isso em seus relacionamentos com a
comunidade e o grupo, segundo Manhein é através da consciência que o homem faz
a ligação entre suas ações - responsabilidades individuais e o seu contexto
social, ou seja, através da consciência ele filtra os pensamentos subjetivos da
Self e os liga ao grupo e a sociedade em que esta inserido, há registros
históricos de que a religiosidade tem o objetivo de canalizar as ações e
responsabilidades e ditar regras de conduta éticas e morais; um desses registro
já foi citado neste trabalho na confissão de fé do período jesuítico, convém
lembrar que quando a religiosidade de um povo enfraquece, essa mudança é
sentida no contexto social, um exemplo disso são os antigos feudos da idade
média, observa-se que houve a dissolução da sociedade medieval, porem o povo
permaneceu intacto, pois sua religiosidade fez com que a sociedade civil se
reagrupasse, sua fé era fundamentada em sentimentos que iam alem do credo
comum, servindo como fonte de inspiração, que culminou em idéias de bem viver e
comportamento.
4 –
Religião e cidadania
Ao
examinarmos os Parametros Curiculares Nacionais (PCNs)
,
vemos que a cidadania é um dos objetivos da educação e segundo a Lei de
Diretrizas e Bases (LDB) ela é também uma de suas finalidades básicas; com
isso, podemos dizer que para cumprirmos os PCNs e garantir a cidania temos de
garantir tambem o acesso a cultura e lazer e o direito a nanifestações
religiosas sem discriminação; ao examinarmos os PCNs notamos quatro (4), pontos
específicos que norteiam a educação de forma interdisciplinar; são eles:
- Respeito mútuo: Valorização do ser humano, independentemente de sua posição social –
etnia – religião – sexo - gênero opinião política. Garante ao aluno a liberdade de expressar
sentimentos e emoções - revelar seus conhecimentos empíricos - admitir dúvidas
sem ter medo de ser ridicularizado - exigir seus direitos são atitudes que
compreendem respeito mútuo. Respeitar significa aceitar as diferenças mesmo que
não concordemos com elas.
- Justiça: Basicamente isso remete à obediência às leis. Mas o conceitode justiça
trabalhado na educação fundamental vai muito além disso. Ela vai nortear a
noção de igualdade de direitos, sejam eles de gênero – sexo - religião e de
oportunidades, o que ira definiro julgamento do que é justo ou injusto.
- Solidariedade: É a forma de expressar respeito pelo próximo e seus problemas. Participando
de sua solução opinando pelo bem estar comum da comunidade; com isso é ensinado
a criança que devemos ser solidários com o próximo independente de posição
social – credo – raça ou gênero.
- Diálogo: É a forma de comunicação entre duas pessoas, é a maneira de passar
verbalmente suas idéias e conceitos sejam eles, de ordem moral -religioso ou
ético, o diálogo só acontece quando os interlocutores têm voz ativa, então,
limitar-se a impor visões de mundo sem considerar o que o outro tem a dizer não
constitui um diálogo. E sim em um monólogo
A
interpretação critica de fatos históricos nos mostra que a religião é uma das
mais fortes significativas formas de manifestação cultural, notamos isso por
exemplo na Inconfidencia Mineira, quando vemos quadros e gravuras desse feito
histórico, esses desenhos ou pinturas, nos mostram Tiradentes o martir da Inconfidencia
Mineira; barbudo e vestido em sacos, fazendo uma analogia a pessoa de Jesus
Cristo; é o que os teólogos chamam de tipificação de imagem. Percebe-se então a
influencia religiosa na manifestação artistica de quem desenhou ou pintou a
cena; pois como já vimos a religião consiste em todo um aglomerado de anos de
cultura de uma nação, ora sendo influenciada ora influenciando em seu contexto
social, por este motivo é impossivel falar em cidania
e cultura sem a presença da religião.
A
cidadania aponta o sujeito como um titular de direitos e deveres e torna todos
iguais diante da lei, fazendo assim do aluno um cidadão que pode com suas ações
transformar a sociedade em que esta inserido, sendo a escola o instrumento pelo
qual o Estado passa para as futuras gerações as noções de ética - moral e
socialização, se faz nescessario que o educador compreenda que a educaçao
religiosa é uma feramenta prioritária que pode e deve ser usada na construção
da cidadania.
Veja o que
Nilson Jose Machado disse sobre isso:
Atualmente, a noção de cidadania ainda permanece
diretamente associada à idéia de ter direitos, uma característica que não
parece suficiente para exprimi-la, uma vez que, em termos legais, os direitos
não são mais privilégios de determinadas classes ou grupos sociais. Um
documento fundamental no balizamento de tal generalização é a declaração
Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada e proclamada pela Assembléia
Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.
Quando falarmos em tolerância religiosa - cidadania e
educação; compreendo que para alguns educadores isso parecia algo impossível,
era como se tais coisas fossem lados extremos de um mapa. Em conseqüência disso
muitos erros foram cometidos, ferindo o direito de liberdade religiosa de cada
individuo, alem disso vimos que historicamente o Brasil é um país considerado
católico, podemos notar que o calendário escolar foi criado respeitando-se os
feriados eclesiásticos católicos, entretanto, não temos em nossas escolas
apenas praticantes da fé católica ou cristã, hoje devido à liberdade religiosa
e ao sincretismo religioso de nosso povo; temos em nossas salas de aula,
mulçumanos – judeus – espíritas – protestantes e também adeptos de religiões
Orientais.
Em conseqüência disso a escola tornou-se um lugar onde
as diversidades se encontram e o conceito de tolerância religiosa deve ser
trabalhado em sala de aula, entretanto ao argumentarmos sobre isso temos de ser
cautelosos, pois, o pluralismo religioso brasileiro se faz presente em todas as
regiões do país, e cada cidadão pode exercer seu direito a religião; trata-se
então de reconhecer que isso esta ligado a assuntos
básicos e essenciais sobre o que é uma vida com sentido e qualidade, que não é
possível imaginar um consenso sobre vários temas; incluindo as questões de
ética e moral, sem respeitar a opinião do outro.
Alem disso,
respeitar e reconhecer o valor do ser humano é garantir a ele direitos básicos
de liberdade de expressão, ou seja, a liberdade de seguir suas próprias crenças
e credo religioso. Quando respeitamos
os outros em seu contexto religioso, estamos cultivando o conceito de cidadania
e bem estar social.
Neste rico e complexo processo, quando as identidades afloram,
há uma maior visibilidade da pluralidade cultural existente, o que tende a
debilitar identidades nacionais fortes e estáveis. É nesse contexto que as
culturas se tencionam. Portanto a situação vivida em cada país no processo de
desenvolvimento ou sobrevivência faz emergir as necessidades e reivindicações
de cada grupo e o embate entre eles. A emergência das pluralidades culturais
vem realçar a importância da tolerância e da democracia, onde a
"negociação" tem papel fundamental. Assim, acreditamos que a
sociedade poderá construir um caminho para resolver suas tensões e conflitos.
Com isso se fez necessário pensar em uma maneira de transmitir
o ER, e quais os termos para sua implantação no Estado de São Paulo; foi
promulgado então, no dia 9 de março de 2001 a lei paulista que implantava essa
forma de ensino, e em 27 de julho do mesmo ano o Conselho Estadual de educação,
aprovava a deliberação, que delineava os limitese os requisitos para a
formação do professor de ER e pensou-se
também no conteúdo que seria transmitido em sala de aula.
Ficou estabelecido então que a formação profissional do
professor de ER deveria ser de magistério ou licenciatura em Pedagogia, com
habilitação em magistério.
O ER definido como tema transversal; que segundo os PCNs. , incluem Ética, - Meio ambiente – Saúde –
pluralidade cultural e orientação sexual – entre outros e expressam conceitos
que correspondam a questões prioritárias para a formação da sociedade
brasileira e contida em todo o seu cotidiano, deve ser abordados - explicados e
aplicados de forma ampla para poder abranger questões em debate na sociedade e
onde o confronto de opiniões se coloca.
Embora a cidade de São Paulo ser um dos pólos onde há à
formação de profissionais com o curso de Ciência da Religião, tais
profissionais ficaram fora dos que poderiam ministrar as aulas de ER; pois, segundo
as normas pedagógicas do Conselho Estadual deEducação, os cursos que não são de
licenciatura. Outra controvérsia também se deu a respeito a considerar o ER
como tema transversal; alguns grupos religiosos viram isso como a tentativa do
Estado de fazer com que o ER não seja reconhecido como área do conhecimento,
descaracterizando e desprezando seu valor.
Para lecionar na 8ª séries é preciso graduação em Filosofia,
Ciências Sociais ou história, abordando temas relacionados à história das
religiões e que os mesmos abordassem temas que ressaltassem o valor da
cidadania; segundo Gabriel Chalita, secretário da Educação do estado de São Paulo em 2002
, o ensino religioso precisa ser um elo, que conduza os
estudantes ao caminho do bem, para ele, valores sólidos como bondade -
fraternidade – honestidade – humildade e respeito a liberdade de expressão, são
cada vez mais escassos em um mundo onde prevalece o materialismo, é papel dos
estudantes lutar para que esse quadro seja mudado, sem comprometermos o futuro
de nossas gerações.
Analisaremos no próximo capitulo noções de respeito e
imparcialidade na educação religiosa e a postura do professor em sala de aula.
4 – Comunidade
escolar e ER
O ER na escola tem causado
um certo medo nos país de alunos da rede pública, isso por quê, há uma certa
falta de informação sobre o objetivo dessa disciplina, segundo a Lei de
Diretrizes e Bases da educação nacional (LDB), o ER faz parte da formação
básica do cidadão, ou seja, segundo a LDB sem o ER faltaria algo, e o educando
seria imcompleto, a legislação afirma tambem que a educação é dever da família
e do Estado. Já abordamos neste trabalho
que a família é a responsavel por passar ao educando valores culturais e
principios de cidadania, entendemos que através do contato famíliar temos os
primeiros apontamentos sobre ética – moral e religião.
Sócrates filósofo da
antiguidade, dizia que; O grande segredo para
plenitude é compartilhar; e onde esse principio estaria mais presente
que no seio da família, onde conceitos sobre religião - moral - bons costumes –
amor ao próximo – caridade e respeito devem ser passados ao educando de forma
fraternal e carinhosa.
O Ensino Religioso deve
ser visto como a especialidade na qual a escola Leiga e pluralista transmitira
ao aluno noções de ética que não partem do princípio segundo os quais os fims
não justificam os meios; baseada em uma educação que supera o proselitismo e a
posição monoteista de algums seguimentos religiosos e firma-se no sistema de
ensino público e que beneficia o povo.
São principios
desenvolvidos e centralizados em pontos errados que corrompem os bons costumes
e no decorrer da história causaram erros que até os nossos dias sentimos dor em
mencioná-los, em nome de ideologias efêmeras e usando o nome de Deus, muitas
vezes o homem por razões egoistas praticaram roubos – homicídios - morte –
travaram guerras - e o assassínio de milhões de vidas humanas, podemos citar
por exemplo as cruzadas onde em nome da fé
no século XI, cristão provenientes da Europa iniciaram uma série de
peregrinações que colocavam os cristãos em combate com os muçulmanos para
tentar dominar as terras que eram consideradas sagradas, esses movimentos
induziam os fieis do cristianismo ao Oriente para tomarem as terras que eram
ocupadas por seguidores do islã, no século XX também não foi diferente fatos
com o Holocausto judeu já citado neste trabalho,, os gulags de Stalim,
produziram 20 milhões de cadaveres; com isso podemos afirmar que apenas a ética
não consegue frear o impulso humano da sede de poder, porem quando olhamos com
respeito o ensino religioso de cunho não proselitista vemos nele incluso uma
ética diferente fundamentada nos principios gregos de cidadania porem
fortalecida pelas mensagens de Cristo sobre a nescessidade de o homem amar o próximo
como a si mesmo, e tendo como meta máxima não fazer ao próximo o que não
desejamos a nós mesmos.
Os ensino religioso
compreende que o individuo precisa ter uma experiência com o mundo metafísico
ou transcendente, entendemos por experiência o ato ou o efeito de experimentar
algo e deduzir a partir desse contato se isto é bom, podemos relaciona-la
também como uma habilidade adquirida ao longo do tempo, uma emoção pessoal, não
falamos aqui da experiência tecnicista adquirida de forma metodologica em escolas
e cursos, e sim da experiencia empírica, pessoal, adquirida no decorrer dos
anos, tambem relacionado com nosso desenvolvimento cognitivo.
Para K Rahmer, alem do
desenvolvimento biológico existe um desenvolvimento espiritual do ser humano, e
isto tambem vale para o religioso, segundo ele determinados procedimentos
religiosos têm seu lugar proprio e correto em uma determinada fase da vida, nem
tudo o que é religioso está disponivel em uma fase e nem tudo pode se completar
sincera e originalmente em todas as fases
Não é objetivo do Estado retirar da familia
suas atribuições, nem de ditar que religião é a correta, pois isso golpearia o
conceito Estado Laico, cabe a ele fazer com que a família seja participante do
universo escolar e da educação de seus filhos e por este motivo o ER nas
escolas precisa ser abordado pelos educadores de forma imparcial, o educador
deve então abordar na unidade de ensino conceitos básicos que ajudem o educando
a entender como se processa o desenvolvimento do religioso
Podemos relaciona-los
como: Religiosidade – Fenomeno Religioso – Religião e Fé e abordaremos cada um deles separadamente:
- Religiosidade:
É a dimensão religiosa que impulsiona o ser humano a buscar sua realização
plena e definitiva na constante superação e transcendência de seus limites. O
ser humano é um ser finito chamado ao infinito. Atraves da dimensão religiosa o
homem busca respostas para suas perguntas existenciais, como o sentido da vida,
da dor , do mal e da morte, ela traz ao ser humano uma atitude dinamica de
busca do que é sagrado, fazendo que o indivíduo chegue ao encontro do místério
do qual ela emana, Deus, o Todo Poderoso, o Eu Sou, o Logos. Derrida segue essa
mesma ideologia ao expressar que:
A história da metafísica, como a
história do Ocidente, seria a história dessas metaforas e dessas metominias (os
diferentes nomes que utilizamos para nos referirmos ao centro ou fundamento
estável a partir do qual possamos pensar a totalidade de uma estrutura ou mesmo uma realidade em geral).
Segundo Derrida, Deus é a
forma matrícial da qual todas as coisa são originárias, a determinação do ser,
ele afirma ainda que:
(....) a determinação do ser como presença em todos os
sentidos dessa palavra. Poderse-ia mostrar que todos os nomes do fundamento, do
princípio, ou do centro, sempre designaram o invariante de uma presença (eidos,
arque, telos, energeia, ousia, essência, substancia, sujeito, aletheia,
transcendenta lidade, consciência, Deus, Homem)
- Fenomeno
religioso: É a expressão da religiosidade através de gestos, palavras,
atitudes e ritos em carater social, trata-se da expressão individual da
religiosidade, que aparece nas manifestações culturais dos grupos humanos, é
preciso no entanto tomar cuidado para não associar-se o fenomeno religioso ao
ato de fé teologal.
apesar do ato
teologal tambem resultar em fenomeno religioso, Libanio define ato teologal
como;
fé - ético-histórica. teologal
- cristológica e eclesial – para ele, Há uma unidade profunda ontológica que
entrelaça essas dimensões, de modo que não podemos falar de forma concisa de
uma das dimensões sem conotar as outras, ou seja, para cita-la s é preciso
fazer uma interligação pois elas se comdizem.
Entretanto o fenomeno religioso não se apresenta
sempre em contexto religioso, as vezes ele fica escamoteado sob a estrutura social e economica como
absolutização do poder, do dominio da ordem
A mente humana aceita as evidências dos
argumentos “a posteriori” a favor de um Criador antecedente ao Universo, com
potência suficiente para criar a matéria do nada, com a sabedoria necessária
para governar e ordenar o universo; e com a santidade de justiça necessária
para dar ao homem sua consciência e moralidade; pois atribuímos ao Ser que tem
tais atributos em grau sobre-humano a eternidade e a perfeição em todos os Seus
atributos. Ainda que não possamos provar isto nosso mente nos leva a crer,
mesmo sem raciocinar que Aquele que nos fez com sentimentos ou instinto de
amar, de adorar, de pensar etc., revelou-nos também um Deus, como objeto
infinito e perfeito, a Quem podemos adorar e com Quem podemos ter comunhão.
Assim é que a mente humana atribui ao Criador o caráter de Deus e nos parece
muito lógico fazê-lo, mesmo que não o demonstremos cientificamente. (TUNER,s/d)
.
Metafísica: palavra de origem grega, usada
para nomear o conjunto de textos de
Aristóteles. Esta não foi usada por
ele e sim a expressão Filosofia Primeira, que
denota com maior precisão a sua
filosofia: a ciência dos primeiros princípios e das
primeiras causas.
Anexo I
Juramento Jesuitico reproduzido na
integra:
Prometo e declaro que farei, quando
se me apresente a oportunidade, guerra sem quartel, secreta ou abertamente
contra todos hereges, protestantes ou maçons (sic), tal como se me ordene
fazer, extirpá-los-ei da face da Terra que não tomarei em conta, idade, sexo,
ou condição, que enforcarei, queimarei, destruirei, envenenarei, cegarei,
estrangularei vivos a esses hereges, abrirei os ventres de suas esposas e
baterei com a cabeça de seus filhos nas paredes, afim de aniquilar essa
execrada raça. (sic) Que, quando não possa fazer isto abertamente, empregarei
secretamente a taça de veneno, a estrangulação, o aço do punhal, a bala de
chumbo, sem ter consideração à honra, à classe, dignidade ou autoridade das
pessoas, quaisquer que sejam suas condições política ou privada, tal como me
tenha sido ordenado em qualquer tempo pelos agentes do Papa ou pelo superior da
- 4 -Irmandade do Santo Papa, P,.
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