Campanha de incentivo a leitura

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Inconfesso Desejo





Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo

tís estin? (O que é isto?)




A filosofia é o aperfeiçoamento da alma humana através da apreensão das coisas e a confirmação das verdades especulativas e práticas, de acordo com a capacidade humana.
A filosofia relativa às coisas especulativas, as quais devemos conhecer mas que não precisamos praticar, é chamada filosofia especulativa. 
A filosofia relativa às coisas práticas as quais devemos conhecer e praticar, chama-se filosofia prática.
Cada uma destas duas filosofias divide-se em três partes. As partes da filosofia prática são: filosofia política, filosofia econômica e ética. 
O princípio destas três partes beneficia-se da Lei Divina e, também, o aperfeiçoamento de suas definições aclara-se através da Lei Divina. 
faculdade humana especulativa age de acordo com as leis práticas e pela utilização destas leis em particularidades
2.1  A tradução teve com referência principal as seguintes obras: IBN SINA [AVICENA]. 
Al-Shifá’ [A Cura]. [Edição em árabe do milenário de Avicena]. Cairo, 1980. v. 1; 
 IBN SINA [AVICENA].Ilahiyyát [metafísica], [Edição em árabe do milenário de Avicena]. 
Cairo, 1980. v. 1; IBN SINA [AVICENA]. Al-Tabi’iyyát: Al-Samá’ al-Tabi’í-[ A Física: Audição Natural]. [Edição em árabe do milenário de Avicena]. Cairo, 1983; GOHLMAN, 
W. E. The Life of Ibn Sina: A critical edition and annotated translation. Albany: State 
University of New York Press, 1974.
  Particularidades: o mesmo que questões particulares.89
A filosofia política: seu benefício é ensinar o modo de associação 
que ocorre entre pessoas para que possam auxiliar-se nas vantagens no que diz respeito aos corpos e os proveitos que auxiliam na permanência da espécie humana.
3 A filosofia econômica: seu benefício é ensinar o modo de associação que deve haver entre as pessoas de uma casa com o objetivo de ordenar os interesses da casa. A associação na casa ocorre entre marido e mulher, entre pai e filho e entre patrão e escravo. Quanto à ética, seu benefício é ensinar as virtudes e o como adquiri-las para que, por intermédio delas, a alma possa purificar-se; para conhecer o vil e saber como este ocorre a fim de que a alma possa purificar-se do mesmo.
4 Quanto à filosofia especulativa, divide-se em três partes, ou seja: 
a) filosofia relativa ao movimento e à mudança, chamada filosofia natural. 
b) filosofia relativa ao que o espírito abstrai da mudança mesmo que sua existência seja mesclada para a mudança. Esta filosofia chama-se filosofia da matemática. c) filosofia relativa àquilo cuja existência prescinde da mescla para mudança; a princípio, não se mescla com a mudança e, se mesclar, será por acidente e não porque sua essência necessita (da mescla) para concretização da existência. Esta filosofia é a filosofia primeira. 
 5  A Filosofia Divina: 
é parte desta e é o conhecimento da teologia. Os princípios destas partes da filosofia especulativa beneficiam-se dos conhecedores da religião divina por meio de  advertência
6. A escolha 
para sua consecução por completo através do poder do intelecto ocorre pela via da argumentação.
Quem obtiver o aperfeiçoamento de sua  alma por meio destas 
duas filosofia e se esforçar para apegar-se às duas, obterá muitos bens
7.3 Permanência da espécie humana: preservação da espécie humana. 
4 Mudança: entenda-se com o significado de transformação, modificação.
5 Filosofia Divina: é uma alusão à metafísica.
6 Por meio de advertência: por esclarecimento.
7 Bens. É uma referência aos bens no âmbito da ética.

Receita de Ano Novo



Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta, recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.Carlos Drummond de Andrade