TCC - A EDUCAÇÃO RELIGIOSA NAS ESCOLAS




ESTE TRABALHO FOI APRESENTADO PARA OBTENÇÃO DO TITULO DE PEDAGOGA DAS ALUNAS GISLENE FERREIRA DOS SANTOS E VALDIRENE VIEIRA NO ANO DE 2009 


Sumário

Introdução.............................................................................................................................4

Capitulo I - A educação religiosa no espaço tempo...........................................................9
1 – A religião antes do descobrimento 8
2 – O Proselitismo jesuítico 10
   3 – O Estado Laico Pombalino......................................................................................... 12
   4 -  A religião no II Império…………..………………………………………………13
   5 -  O rompimento Igreja – Estado no Período Republicano…..………………………..13

Capitulo II – O Conceito de educação religiosa...............................................................17
1 - A diversidade religiosa no Brasil ..................................................................................17
 2 – Crenças indigenas..........................................................................................................18
 3 – Judaismo........................................................................................................................19
 4 – Cristianismo...................................................................................................................20
 5 – Protestantismo...............................................................................................................22
 6 – Islamismo......................................................................................................................23
 7 – Espiritismo.....................................................................................................................24
 8 – Afro brasileiras..............................................................................................................25

Capitulo III – O respeito a religiosidade nas escolas paulistas......................................27
1 – Aculturação religiosa.....................................................................................................27
2 -A educação religiosa e  a formação social. 31
3 - A religiosidade e o autoconhecimento...........................................................................33
3 –Religião e cidadania......................................................................................................35
4 - Comunidade escolar e o ensino religioso 39

Bibliografia:........................................................................................................................43

Midia Eletronica:................................................................................................................45



Introdução



Desde os primórdios da Humanidade o ser humano procura desvendar seus mistérios e mitos, se pesquisarmos o conceito de - homem - no dicionário Michaelis, veremos que o homem é um mamífero bípede, dotado de inteligência e linguagem articulada, a Bíblia por outro lado nos informa que somos a imagem e semelhança de Deus, algo que os evolucionistas negam pois segundo eles é preciso comprovar tudo cientificamente, quando falamos em evolução biológica, geralmente o primeiro nome que nos vem à mente é o de Charles Darwin. Entretanto, não podemos negar que o homem é um ser tricotômico[1], o Padre polonês Michael Keller, de 72 anos, doutor em cosmologia e um dos mais conceituados cientistas no campo da cosmologia e, também um dos mais renomados teólogos de seu país, e percussor na área da Teologia da Ciência, afirma que: ao questionar (a causalidade primeira) não estamos apenas falando de uma causa como qualquer outra. Estamos nos perguntando sobre a raiz de todas as possíveis causas. Invariavelmente eu me pergunto como pessoas educadas podem ser tão cegas para não ver que a ciência não faz nada além de explorar a criação de Deus. Claro que há diferentes idéias e conceitos sobre Deus, para o filósofo americano Daniel Dennett[2], ateu e evolucionista radical, o homem simplesmente tinha a necessidade de acreditar em algo divino e simplesmente o inventou, os Cristãos pensavam normalmente em Deus em termos muito pessoais como um ser que é de algum modo como nós, capaz de pensar e sentir, mas que é diferente de nós por não ter limitações ou imperfeições. Dado que não podemos lidar separadamente com todas estas concepções diferentes de Deus, restringir-nos-emos à concepção de Deus que tem sido dominante na civilização ocidental desde há mais de dois milênios. Esta é a idéia da  concepção de Deus que surgiu com o Judaísmo antigo há cerca de três mil anos e foi adaptada pelos posteriores Cristãos e Muçulmanos.
O filósofo tcheco Comênio, autor da Didática Magma; foi um dos primeiro  a defender uma ruptura da escola com a igreja católica, apesar de ser extremamente religioso, Comênio propôs que houvesse uma separação entre a escola e a religião, pois, o ensino da época era elitista e voltado para os estudos abstratos.
A separação entre a igreja e o Estado foi efetivada no Brasil em 7 de janeiro de 1890 pelo Decreto nº 119-A, e constitucionalmente consagrada desde a Constituição de 1890 a 1891, o catolicismo era a religião oficial do Estado e as demais religiões eram proibidas, apesar de se fazerem presentes na clandestinidade, em decorrência da norma do art. 5º da Constituição de 1824 o ensino era privilégio da elites dominantes, só entre 1940 e 50 alguns intelectuais participaram de campanhas em defesa da escola pública, essas campanhas deram origem a discussões para aprovação da primeira Lei de Diretrizes e bases da educação (LDB), Fernandes Florestam, um dos principáis ativistas em defesa de uma escola pública e participou de debates onde o tema principal era a centralização ou descentralização do ensino, este tema foi polêmico na época e não foi aprovado pois, o então Deputado Carlos Lacerda entrou com um substutivo que defendia o interesse de escolas privadas e religiosas, que pretendiam ganhar verbas do Estado[3]
Florestam lutou para que o ensino fosse democrático e combatia as pretenções das escolas privadas e elitistas, hoje a nova constituição diz que é vedado ao Estado –Distrito Federal (DF) ou Municípios estabelecer em seus currículos culto religioso ou igrejas, subvencionálos embaraçar-lhes o funcionamento ou manter vinculo com eles, inicialmente a lei nº 9394/96, indicava conteúdos para o ensino religioso nas escolas fosse ministrado por voluntários, por se tratar de uma disciplina não obrigatória e com matricula facultativa, porém a lei 9475/97 diz que haja remuneração para o profissional de educação, segundo Roseli Fishimann, presidenta do juri Internacional da UNESCO, vai alem afirma que em tese deveria haver professores capazes de representar todas as religiões explicando seus principios dogmas e dando enfase a ética, moral  e construção da cidadania.[4]
O objetivo desta monografia é fazer uma defesa da laicidade e fazer um reconhecimento ético cultural, de que a proteção a diversidade religiosa deve ser visto como instrumento educacional e um valor humano, abordaremos a pluralidade religiosa da cidade de São Paulo devido a sua tão grande variedade de imigrantes  e migrantes vindos de varias partes do país.
O Estado laico não combate  a religião de seus cidadões, mas a respeita sem predileções nem simpatias, é neutro para proteger e privilegiar, ao contrário do laicismo que separa o Estado por completo de qualquer valor religioso, rejeitando-o invés de respeita-lo. Não queremos enfatizar o ateismo nesta monografia e sim constatar uma ameaça a laicidade, queremos fazer um reconhecimento ético da proteção a diversidade religiosa e mostrar que o ER deve ser visto como instrumento de construção da cidadania.
Entendemos que o Estado é laico mas a sociedade não, e esta sociedade conta com o Estado para assegurar seus direitos e que o pluralismo religioso nela se abrigue, sendo assim o Estado não pode negar – recusar ou impor tal ou qual religião, mas deve devotar o mesmo respeito a todas, segundo Gilberto haddad Jabur, diretor cultural do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), o Estado é imcopetente para reconhecer ou não qualquer religião, porque a ele não cabe alimentar ou difundir a verdade mas sim respeitar a diversidade religiosa e ate sua ausência sem arrogacia ou prepotência.[5]
O trabalho de pesquisa será formado basicamente de uma pesquisa bibliográfica buscando como referencial teórico a atual Constituição brasileira, datada de 1.988,  art. 19;  da Lei de Diretrizes e Bases da educação (LDB), o trabalho do Dr. Rubem Alves nascido a cidade de Boa Esperança, MG, em 1933. Psicanalista - Bacharel  em Teologia, pelo Seminário Presbiteriano de Campinas -Mestre em teologia pelo Union Theological Seminary em New York,Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Seminário Teológico de Princeton (EUA); lecionou no Instituto Presbiteriano Gammon, na cidade de Lavras, Minas Gerais - onde foi Pastor protestante - Seminário Presbiteriano de Campinas, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro e na UNICAMP, onde recebeu o título de Professor Emérito. Autor de um grande número de publicações, tais como crônicas - ensaios e contos - O que é religião (Loyola) -  livro usado neste trabalho como fonte bibliografica - A Tlieology of Hunian Hope - três edições em inglês. Traduzido para o italiano, o francês e o espanhol. Tomorrow's Oúld, um livro sobre a imaginação e a magia, a esperança e a utopia. E sobre plantar árvores em cuja sombra nunca nos assentaremos. O Enigma da Religião (Vozes). Protestantismo e Repressão (Ática). Além de ser ele mesmo o tema de diversas teses, dissertações e monografias. Muitos de seus livros foram publicados em outros idiomas, como inglês, francês, italiano, espanhol, alemão e romeno.
No capitulo I abordaremos a questão da religião em sua fase etimológica, fazendo uma abordagem da educação religiosa na linha espaço, tempo abordaremos tambem a historia das principais religiões, enfatizando a forma com que chegaram ao Brasil e suas ramificações na cidade de São Paulo de acordo com os grupos étnicos, quais seus problemsas ao chegar ao Brasil e de que forma essas religiões foram adptando-se a nossa cultura –explanaremos também como a religião foi incluída no universo escolar da escola publica da cidade de São Paulo; no capitulo II mostraremos de forma imparcial as características  básicas e as relações éticas que cada grupo religioso tem em comum, veremos também neste capitulo qual a contribuição que cada grupo étnico religioso tem colaborado para o desenvolvimento da cidadania e desenvolvimento social na cidade de São Paulo, deixando para o capitulo III a abordagem da educação religiosa em sala de aula, com o objetivo de ajudar os educadores a nortear suas aulas de forma imparcial e de não ferir a identidade religiosa de seus educandos, procurando enfatizar as normas éticas e morais de cada segmento sem caráter pessoal ou confessional









Capitulo I - A educação religiosa no espaço e tempo



1 A religião  antes do descobrimento (1500)

Nas varias fases da história brasileira o ensino religioso foi ministrado de forma diferente e com um objetivo diferente, ora com carater catequisador visando a dominação por meio da fé;  ora de forma confessional.  Quando analisamos a história vemos que desde o século XV,  antes mesmo do chamado Brasil colônia, acordos já eram  fechados entre o Estado e a Igreja, no ano de 1494  Em Tordesilhas, município da província de Valhadolide, em Espanha, o reide Portugal D. João II e os reis Católicos Isabel e Fernando de Castela e Aragão, assinaram um tratado que delimitava as esferas de ação de Portugal e de Espanha nos descobrimentos marítimos realizados e a se realizar.
O ensino religioso esteve presentes em várias fases da história brasileira, mesmo antes da chegada do primeiro explorador Português, pois em nosso país já existiam várias nações indigenas, que apesar de diferentes em liturgias apresentavam padrões éticos comums a sua realidade tribal. 
Após a descoberta do Brasil o primeiro contato com indios brasileiros foram apenas de carater extrativista, sabemos apenas que cada nação indígena possuía sua crença e rituais diferenciados, porem todos tinham em comum a crença nas forças da natureza nos espíritos dos antepassados. Para estes, deuses e espíritos, faziam rituais, cerimônias e festas. O pajé era o responsável por transmitir estes conhecimentos aos habitantes da tribo. Algumas tribos chegavam a enterrar o corpo dos índios em grandes vasos de cerâmica, onde além do cadáver ficavam os objetos pessoais. Isto mostra que estas tribos acreditavam numa vida após a morte. Existem relatos porem que os Tupi –guaranis não tinham nenhuma forma de culto, e que apesar do cristianismo ser inserido em sua cultura seu fundamento não foi modificado.
Veja o que diz o antropólogo Carlos Robrigues Brandão sobre isso:

Certo é que a religião de todos os grupos da tribo que hoje vivem no Brasil, no Paraguai e na Argentina não cristã, mas a Guarani. De tudo o que de possível cristã se possa descobrir no conjunto de suas crenças, ritos e cerimônias conservaram-se apenas aspectos tangíveis e formais. O conteúdo é pagão[6]

O indio brasileiro com a chegada dos colonizadores portugueses foram expostos a merce de três interesses, que apesar de interligados acabavam em certos momentos se chocando, Portugal em primeiro plano o viu como força de trabalho braçal e quando começou o processo colonizador a metrópole queria intrega-lo ao processo de colonização, os jesuitas queriam converte-los ao cristianismo e condiciona-los aos valores europeus,  e os colonos queriam usá-lo como escravo para o trabalho.[7]

2 – Proselitismo Jesuítico (1549 – 1759):

Chegando ao Brasil no ano e 1500, os colonizadores portugueses encontraram várias nações indígenas, que por sua vez, viviam de forma rudimentar – O governo português entendeu que para assegurar o uso da terra era mais fácil educar o índio, que por causa de sua ingenuidade, aceitaria a doutrina do homem branco, enviaram então os jesuítas, que através da educação – catequização – poderiam fazer com que os povos indígenas aceitassem  sua  religião - língua – hábitos e costumes, pois para o governo português essa educação tinha caráter meramente dominante, uma visão pedagógica que perdurou durante décadas (1549 a 1759), haja vista, a necessidade de manter uma divisão político administrativa.
A união entre o Estado e a igreja era fortissima  e como a educação não tinha o carater de instruir mas sim de dominar, sua atitudeera meramente colonizadora– dominadora,pois, segundo eles acreditavam que era mais fácil dominar um povo através da crença religiosa, em 1549. Estes religiosos da Companhia de Jesus chegam ao Brasil com o objetivo de converter os índios ao cristianismo, eles tem uma missão especifica que consiste em aculturar o índio brasileiro.
Alem de assegurar que o indio aceitasse seus costumes a vinda dos Padres jesuítas para terras brasileiras também, tinha a finalidade de proibir a entrada de protestantes em terras brasileiras, a Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loiola, em 27 de setembro de 1540, instalou-se no Brasil colonial, para combater os cristãos protestantes que porventura aqui estivessem, fato que fica esclarecido pelas palavras do professor Aldir Guedes Soriano historiador. Veja um trecho do  juramento jesuitico reproduzido abaixo:
Prometo e declaro que farei, quando se me apresente a oportunidade, guerra sem quartel, secreta ou abertamente contra todos hereges, protestantes ou maçons (sic), tal como se me ordene fazer, extirpá-los-ei da face da Terra,.[8]
Segundo Soriano os padres jesuítas ensinavam aos índios que não deveria ser levado em conta idade ou sexo empregando  a pena de morte e se não houvesse condição de fazer isso abertamente; empregar veneno para mata-los em segredo, com isso alem de impedir a entrada de outras religiões, faziam com que a imagem dos pajés da tribos existentes no Brasil fossem marginalizados e caçados, ressaltamos porem que ao analisar a história do sistema jesuítico não podemos julga-los pois os padres estavam condicionados a normas éticas de seu tempo histórico, já que de acordo com os missionários jesuítas os índios eram considerados rudes,  sem lei, e sem fé, e muitos achavam impossível conseguir sucesso no processo civilizatório.[9]
Notamos com isso que o aspecto educacional visava a ascensão portuguesa como nação mercantilista, e a propagação da fé católica, segundo Ribeiro, a assinatura do tratado de Methewem 1703[10], firmado pela Inglaterra, que neste século já era uma nação em processo de industrialização, sufoca a processo de industrialização português, com isso seu mercado interno fica saturado de manufaturas inglesas, enquanto a Inglaterra se comprometia em comprar o vinho de Portugal, tal tratado fez com que o lucro português fosse desviado para a Inglaterra, pois havia uma defasagens nos preços dos produtos agrícolas em relação aos industrializados, ou seja, enquanto Portugal entrava a falência a Inglaterra se fortalecia como nação mercante e sua economia crescia; a abertura dos portos permitiu que praticante de várias religiões se estabelecessem no brasil.[11]
Leoncio Bausmam, ao falar sobre este asunto afirma que Portugal estava despovoado - sem braços para lavoura e destituido de poder politico já que sua burguesia se salientava no poder mercantil.

Como nação, continuava Portugal um país pobre, sem capitais, quase despovoado, com uma lavoura decadente pela falta de braços que a trabalhassem, pelas relações de caráter feudal ainda existente, dirigido por um Rei absoluto, uma nobreza arruinada, quase sem terras e sem fontes de renda, onde se salientava uma burguesia mercantil rica, mas politicamente débil preocupada apenas em importar e vender para o estrangeiro: especiarias e escravos e viver no luxo e na ostentação. [12]



3 - O Estado Laico Pombalino (1759 – 1822)

No século XVIII (1759), com a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Barão de Pombal e com a então reforma da educação dá inicio a reforma que tinha como objetivo a transformação da nação portuguesa de mercantil, para capitalista, seguindo o então modelo da Inglaterra. A reforma pombalina (1759 a 1822), como ficou conhecida  era dotada de uma visão elitista e influenciada por conceitos racionalista e iluministas, Pombal estituiu as aulas régias – que na verdade era uma forma de ensino laico pois pertenciam a coroa e o ensino passa a ter uma visão elitista de engrandecimento da coroa Portuguesa.
Embora o ensino deixa-se de ser leigo, continuava obrigatório o ensino da religião católica, nesta fase da Historia,  o material de estudo literário passa pelo controle severo da inquisição e tratava-se de uma defesa dos costumes católicos, rejeitando-se as idéias francesas tidas como abomináveis pelo clero.
Pombal queimou em praça pública obras literárias tida como heréticas pela Igreja Católica, vale ressaltar porem que a pesar de querer modernizar o país Pombal defendia a Monarquia absolutista e a religiosidade.
Veja o comentário do historiador Português Romulo Carvalho sobre um dos atos da Reforma Pombalina:

(….) em 24 de setembro de 1770, um edital da Real Mesa Censória torna pública uma lista de livros proibidos por conterem doutrina ímpia – temerária – falsa – blasfema – herética – cismática – sediciosa – ofensiva da paz e sossego público.
Na longa lista figuram Hobbes – Diderot – Rosseau – Voltaire – La Fontaine – Espinosa etc. De todos os livros recolhidos e condenados mandou o Marquês de Pombal proceder a grandes fogueiras no terreiro do Paço e na Praça do Pelourinho, em Lisboa.[13]

4 – A religião no II Império (1822-1888)

Em 1862 no dia 2 de Janeiro, o então Imperador do Brasil D. Pedro II diz:O ensino deve ser inteiramente secular, com a exceção do religioso.[14]
Entendemos por ensino secular toda forma de ensino tradicional ou seja, materias como, matematica – física – linguas, são consideradas matérias seculares,o então Imperador D. Pedro II escreveu isto em seu diário, pois tinha em vista que o Estado precisava gerir os seus problemas politicos e focar-se na crise que se aproximava.
O ensino secular, no II Império do Brasil ainda era comandado pela Igreja e tinha o carater de catequisar e educar de acordo com a fé cristã católica, os indios, negros e vassalos da corte Portuguesa.
Essa forma de educação predominou ate o termino da monarquia no Brasil e so foi abalado com a proclamação da Republica e o desejo do povo de criar uma Constituição; fez com que houvesse uma conscientização que para haver mudanças se fazia nescessario mudar velhos preceitos e romper com a antiga forma de transmição de conhecimento, rompendo assim os paradigmas da maneira de educar.

5 - O rompimento Igreja – Estado no Período Republicano

Neste período da História deixamos de ser um país oficialmente católico; devido a crise vivida pela Igreja católica e com a proclamação da Republica, o novo regime pede a separação do Estado e Igreja, vinculando a seguinte expressão:
Será Leigo o Ensino ministrado nos etabelecimentos oficiais de ensino.[15]
Temos então uma das primeiras citações oficiais sobre o ensino religioso firmado em nossa Constituição, salientando que o ensino religioso só poderia ser ministrado em estabelecimentos específicos, ou seja em escolas religiosas e não nas escolas mantidas pelo poder publico, nos tornamos laicos pela Carta Magna de 1891, com o reconhecimento da liberdade de religião e de expressão religiosa, vedando-se ao Estado o estabelecimento de cultos, sua subvenção ou formas de aliança. Essa primeira Constituição Republicana, ao mesmo tempo em que reconhece a mais ampla liberdade de cultos, pune também a ofensa a estes como crimes contra o sentimento religioso das pessoas. O ensino oficial, em qualquer nível de governo e da escolarização, tornou-se laico, sendo contrario a do Período Imperial em que a obrigatoriedade do ensino religioso se fazia presente.
O pensamento da separação entre Estado e a Igreja era proveniente dos ideais franceses,  e fazia parte da maioria dos discursos dos parlamentares que atuavam na Assembleia Constituinte e na Implantação  do novo regime,  a Igreja Católica continua com sua atuação voltada a prática da catequização dentro das escolas publicas brasileiras, a idéia do ensino religioso nas escolas publicas foi amadurecida em 1931 com a reforma Francisco Campos, que com a criação do Decreto Lei nº 19.941 - de 30 de abril de 1931, dispõe sobre a instrução religiosa nos cursos primário, secundário e normal, segundo ele o ensino religioso será facultativo, nos estabelecimentos de instrução primária, secundária e normal. Isso passa a ser ratificado no artigo 153 da Constituição federal de 1934.[16]
Em 1937 a nova Constituição brasileira, afirma no artigo nº 133 que o ensino religioso poderá ser contemplado como matéria do curso ordinário das escolas primárias, normais e secundárias. Porem, não poderá ser obrigado pelos mestres ou professores, nem ser exigido àfreqüência compulsória por parte dos alunos.[17] Fato que foi ratificado as futuras Constituições federais e se faz notório ate os dias de hoje.
No ano de 1961 foi notificado pela Igreja Católica que a escola pública não tem condições de dar ao aluno uma formação moral e quiçá apenas a formação da inteligência, em outras palavras ela instrui mas não educa, ela não tem uma filosofia integral de vida, a resolução dos problemas do homem e sua psique suas origens e destinos, tal coisa só pode vir através da solução religiosa da existência humana, assim ela indica que só a escola confessional seria a forma ideal de formar a inteligência e formar o caráter do individuo. De acordo coma Igreja Católica toda a tentativa de harmonização entre os problemas do individuo e o bem das sociedades acha-se condenada a um malogro irreparável, segundo ela existe uma ligação entre a propagação da escola pública e o aumento do índice de criminalidade.
Segundo Leonel Franca historiador, as igrejas evangélicas estavam reunidas em  congresso no Rio De Janeiro, reconheceram a importância e a necessidade do ER e moral, opinaram porem, que este ensino de cunho religioso não deveria ser ministrado nas escolas públicas  e sim nas igrejas e escolas paroquiais, Franca afirma também, que outras seitas dissidentes tem o parecer de que apenas no seio da família, deve se dar o ensino religioso.[18]







Capitulo II -O Conceito de educação religiosa


1- A diversidade religiosa no Brasil


O pluralismo religioso no Brasil e bem diverso. Só na cidade de São Paulo é comum vermos templos de varios seguimentos religiosos, na região do Brás por exemplo vemos templos evangelicos, católicos e lojas espíritas e maçônicas próximas; segundo o censo 2010 do IBGE, temos em nosso território nacional representações de todas as religiões existentes mundo, apesar do Brasil ser oficialmente considerado um país católico.
De acordo com o IBGE é comum o fluxo de membros entre os cultos; por este motivo se faz tambem comum levarem conceitos religiosos de uma religião para outra, o que acaba sendo absorvido como forma cultural, o chamado sincretismo religioso, significa absorver ritos de uma religião para outra, adotando parte de uma doutrina ou filosofia, ou até mesmo toda ela e mudando seus dogmas e principios luturgicos, transformando-a. 
Essa diversidade religiosa, no entanto parece respeitar uma certa ordem social, o espiritismo apesar de ser comum na capital paulista não tem uma presença muito significativa na periferia, nota-se tambem que muitos espíritas se auto denominam católicos, na periferia paulista existem muitos adeptos de cultos evangélicos pentecostais, segundo Cesar Romero Jacob; desde o Centro a zona Oeste da capital paulista em bairros com Pinheiros – Jardins – Mooca e Ipiranga, há um domínio de 82% de católicos e apenas 5% de evangélicos; em outra regiões da cidade como Cidade Tiradentes e Guaianazes no extremo da zona Leste paulista a proporção de evangélicos tem uma alta e vai para 30%, em contra posto os católicos caem para 40%, nas regiões Sul e Oeste a presença de evangélicos é menor enquanto nas áreas mais nobres da cidade em bairros como Jardins há uma concentração de Judeus  fato que se da tambem na região central.
Segundo o Jornal O GLOBO, a capital paulista ganhou em media um novo templo religioso a cada dois (2) dias, só no período entre 2005 e 2009, existiam em 2005, 2.675 imóveis destinados a pratica de cultos este numero subiu para 3.584 em 2009, ou seja em cada 12 meses foram abertas 277 igrejas na capital paulista, o que da uma media de um (1) templo para cada 3 mil moradores na cidade de São Paulo[19].
Por sua vez os espíritas se concentram em uma série de bairros que vão do sudoeste ao nordeste da capital, onde a religião representa de 6% a 10% dos moradores. Eles se encontram também em alguns bairros dos municípios de Santo André e São Bernardo.
Notamos porem que apesar de suas diferenças litúrgicas, que as religiões tem princípios éticos comuns, e tais princípios servem como bussulas morais para o aluno, não que a falta da religião faça com que o educando se torne antiético ou imoral, mas serve como uma ferramenta que pode e deve ser usada para trazer ao jovem princípios de humanidade e cidadania; relacionaremos as principais religiões existentes na cidade de São Paulo  e seus pontos em comum, tal relação será feita a partir do numero de adeptos e sua contribuição para formação cultural da sociedade.
Segundo dados do IBGE a religiosidade aumenta de acordo com a idade e 7,4% da população brasileira se declara sem religião definida, esse numero entre os paulista é de aproximadamente 6,5% [20]
Relacionamos a seguir algumas religiões existentes no Brasil; entretanto devido a grande diversidade religiosa; estão presentes neste trabalho apenas as de maior numero de adeptos e presentes na cidade de São paulo, entretanto queremos deixar registrado tambem nosso sincero respeito a todas as outras religiões não citadas e destacarmos que isto não significa que as mesmas não deixaram sua contribuição no contexto histórico.


2 - Crenças indigenas

Como já vimos anteriormente os primeiros habitantes do Brasil os índios,  eram distribuídos por todo o território em varias nações, não tinham uma religião predominante, cultuavam os rios – o sol – a lua – e a natureza dando a eles nomes e caracteres humanos, alguns desses povos  acreditavam na existência de espíritos – na reencarnação segundo Raine Souza  historiador da equipe Brasil escola - em alguns casos os índios praticavam a antropofagia como um importante ritual em que os guerreiros da tribo entendiam que absorviam a força e as habilidades  dos inimigos capturados[21]


3 - Judaísmo
 O Judaísmo é uma das religiões mais antiga e praticada até os dias atuais, ela tem mais de três milênios de existência e tem perdurado através do tempo pelo fato de que muitos judeus atuais se identificam com os que viveram na época do rei Davi (1000 a.e.c), o que não significa propriamente que a religião judaica não tenha passado por transformações. Podemos citar que diferentes circunstâncias históricas têm marcado o judaísmo, que nos dias atuais passa de 16 milhões de fiéis, concentrados nos Estados Unidos e no Estado de Israel.
O Cristianismo uma das religiões mais numerosas do mundo recebeu grande influencia do Judaísmo, Um dos livros principais é a Tora, que é composta pelos cinco primeiros livros da Bíblia, também conhecidos como o Pentateuco.
Conhecemos seus nomes pela derivação do grego são eles os livros de Gêneses – Êxodo – Levítico – Números e Deuteronômio; seus nomes em hebraico são: Bereshit – Shemot – Vayikra – Bamidbar – Devarim – quando lidos em hebraico as primeiras frases dos livros formam um texto que significa;
No principio estes são os nomes que chamou no deserto e disse estas palavras.
Um dos testos judaicos mais conhecidos é o Decálogo ou Dez Mandamentos que podemos definir como uma norma ética voltada para os valores da pessoa, um apelo ao ser humano interior, um resgate da consciência.[22]
O nome – judeu - foi usado primeiramente para aqueles que eram Hebreus e faziam parte da tribo de Judá, com o exílio em Babilônia uma das únicas tribos que eram consideradas puras, pois, não se casavam com pessoas de outras etnias. Os Israelitas foram perseguidos ao longo da Historia mundial, podemos citar vários conflitos porem o de maior repercussão mundial foi o Holocausto judeu promovido por Hitler, que vitimou mais de seis milhões de pessoas. Com a instauração de sistema políticos laicos as situações anti-semitas e discriminatórias foram revisadas e intelectuais de origem judaica como Marx e Freud, revigoraram um pensamento formalmente livre da divindade.
Podemos citar, por exemplo, a relação entre a esperança Marxista de uma sociedade sem classes e a familiaridade direta com a esperança messiânica onipresente do judaísmo desde o século II a.e.c.[23]

Religião com aproximadamente 2.106.962.000 de adeptos no mundo, segundo Philip Wilkinson[24], O Cristianismo é a religião dos seguidores de Jesus Cristo, Que crêem que Jesus é o Filho de Deus; o Messias cuja vinda fora prometida pelos Profetas nos livros do Velho Testamento Bíblico. O Cristianismo prega que a humanidade vive em pecado desde que Adão e Eva desobedeceram a Deus, no Jardim do Éden, os cristãos crêem, na doutrina edênica criacionista que Jesus, através de sua vida, morte e ressurreição, trouxeram a seus seguidores a redenção de seus pecados. É uma doutrina monoteísta que acredita por meio da fé em um só Deus, que existe sob três formas distintas – Pai - Filho e Espírito Santo - constituindo a Santíssima Trindade. Jesus Cristo foi o fundador dessa religião, basta lembrar também que segundo alguns historiadores Jesus é um nome comum e Cristo é na verdade um titulo; que significava o Ungido; seus ensinamentos enfatizavam o amor e o perdão e a redenção dos pecados passados recentes e futuros.
A História de sua vida - doutrina - ensinamentos e história de sua morte juntamente com os principais credos do Cristianismo, são descritos nos evangelhos de Mateus – Marcos – Lucas e João e nos livros iniciais do novo testamento bíblico. Cerca de 300 anos depois da morte de Jesus Cristo, o cristianismo tornou-se religião oficial do Império Romano.
A fé se expandiu da Palestina para a Europa, o oeste da Ásia e o norte da África, e, através de pregação e ensinamento constantes, continuou a espalhar-se por todo o mundo desde então. Desde o Século 16, colonos europeus trouxeram a fé Cristã para as Américas, e no século 19 houve uma grande expansão quando missionários seguiram os colonizadores europeus em várias regiões da África e da Ásia. Atualmente há mais de dois bilhões de cristãos em todas as partes do mundo.
Eles pertencem a três grupos: católicos, ortodoxos e protestantes e/ou evangélicos - que apesar de terem diferenças quanto à liturgia de seus cultos - doutrinas e rituais, compartilham as crenças básicas cristãs, chamadas pelos teólogos de doutrinas sistemáticas; o Cristianismo ao longo de sua existência gerou tendências esotéricas - gnósticas e neoplatônicas, que em geral são considerados desvios perigosos pelo Cristianismo oficial. Veremos algumas dessas variações separadamente, para compreendermos melhor seus dogmas doutrinários.


 5 - Catolicismo
O Cristianismo no principio de sua criação não era como o conhecemos hoje, segundo a BIBLIA; os discípulos de Cristo foram pregando sua doutrina de cidade em cidade e firmando igrejas que não tinham uma liderança eclesiástica, o líder dessas igrejas eram os então evangelistas e firmavam sua liderança nas cidades em que estavam; o então Catolicismo romano começou a tomar forma no ano 325 com a “conversão” do imperador romano Constantino, após sua ”conversão" ao cristianismo, Constantino convocou o primeiro concilio das igrejas que foi dirigido por Hosia Cordova com 318 bispos presentes; esses bispos na verdade eram os lideres cristãos das cidades onde havia pessoas convertidas ao cristianismo, os cristãos viviam de forma ilegal, proscritos nas catacumbas, e realizavam suas reuniões e atos religiosos às escondidas; com a conversão do imperador ao cristianismo, a religião passou a ser considerada oficial e universal, porem sua universalidade cabia ao domino do império romano. Constantino construiu a -Igreja do Salvador - num bairro nobre de Roma, chamado Vaticanus. Os bispos de então construíram vários palácios ao redor da – igreja - construída pelo imperador, formando o Vaticano que hoje existe; com a morte de Constantino seu sucessor Teodósio com a intenção de centralizar o poder da recém igreja criada pelo império, favorece o triunfo do cristianismo sobre os povos pagãos ou gentios, convocando o 2º Concílio Ecumênico, de Constantinopla, no ano 381; O então imperador reafirma a universalidade da religião cristã, com o decreto Cunctus Populos dando-lhe então o nome de Católica - que significa universal. Segundo os católicos, todas as Igrejas Apostólicas - que têm sucessão dos Apóstolos - são Católicas.[25]

6 - Protestantismo
O protestantismo foi um movimento que começou com a revolução e/ou reforma protestante criada por Martinho Lutero; sua doutrina se baseia em que qualquer pessoa pode se dirigir diretamente a Deus baseada na morte de Jesus Cristo na cruz, segundo Lutero o homem não pode interpor-se entre o homem e a palavra de Deus colocando obstáculos éticos, ele deseja que o homem defronte-se com Deus face a face, a base de sua doutrina é a distinção entre a lei e o Evangelho, para ele se estas duas coisas se misturam o evangelho perde sua soberania e se torna uma lei terrestre, seus dogmas principais são as 95 teses contra as vendas das indulgências pregadas pela então doutrina católica romana, no dia 31 de outubro de 1517;[26] os primeiros indícios da chegada do movimento protestante ao Brasil foi no século XVI com a chegada dos holandeses; os holandeses criaram sua própria igreja estatal nos moldes da igreja reformada da Holanda, e durante os 24 anos de sua dominação, foram organizadas 22 igrejas e congregações, essas igrejas formaram mais de 50 pastores chamados de Predicantes, alem de pregadores auxiliares os Proponentes.
Segundo Boanerges Ribeiro, escritor e historiador, ao iniciar-se o século XIX não havia no Brasil vestígios do protestantismo, porem, com a chegada da família real ao Rio de Janeiro, o príncipe regente D. João decretou à abertura dos portos as nações amigas, esse decreto concedia amplos privilégios a imigrantes de qualquer nacionalidade ou religião [27]
Segundo Ribeiro, no período da República Velha as religiões não católicas, principalmente as evangélicas, passaram a fazer parte do cenário nacional, ele enfatiza que: “Alastrou-se a Reforma por todo o Brasil e por todas as classes sociais”
Em fevereiro de 1810 Portugal assinou com a Inglaterra Tratados de Aliança - Amizade e de Comercio; nestes tratados prometia aos estrangeiros, “perfeita liberdade de consciência” para praticarem sua fé, tal liberdade por sua vez era na verdade limitada, pois vinha acompanhada de proibições de fazer prosélitos e de falar contra a religião oficial, outra exigência era de que as igrejas protestantes não poderiam ter forma exterior de templo nem utilizar sinos.  Uma das primeiras igrejas brasileiras foi à igreja Anglicana, e teve como um de seus capelães Robert C. Crane que chegou ao Brasil em 26 de maio de 1822, após isso continuaram a chegar missionários de varias igrejas protestantes.
No ano de 1910 na cidade de Belém do Para nascia a Igreja Evangélica Assembleia de Deus, que foi a primeira igreja protestante nascida no Brasil e que se denominava Pentecostal,A Assembléia de Deus é uma igreja protestante, que segue os princípios da Reforma pregada por Martinho Lutero, no século 16, contra a Igreja Católica. Em 1920 a chamada Comissão Brasileira de Cooperação, liderada pelo Rev. Erasmo de Carvalho Braga (1877-1932) procurou unir as igrejas evangélicas na luta pela preservação dos seus direitos. Após 1964, as relações das igrejas evangélicas e da Igreja Católica com o estado brasileiro tomaram rumos por vezes diametralmente opostos, também no que tangem ao ensino da educação religiosa.[28]
Reily enfatiza que houve três grandes fases do movimento pentecostal:

As três ondas ou fases do pentecostalismo brasileiro foram as seguintes: (a) décadas de 1910-1940: chegada simultânea da Congregação Cristã no Brasil e da Assembléia de Deus, que dominaram o campo pentecostal por 40 anos; (b) décadas de 1950-1960: fragmentação do pentecostalismo com o surgimento de novos grupos – Evangelho Quadrangular, Brasil Para Cristo, Deus é Amor e muitos outros (contexto paulista); (c) anos 70 e 80: advento do neopentecostalismo – Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus e outras (contexto carioca).[29]


7 - Islamismo
O Islamismo é uma das religiões que mais crescem em número de adeptos no mundo e tem enviado missionários para varias partes do globo para intensificar sua doutrina, é uma religião monoteísta fundada por Maomé entre o ano 578 a 622 DC;  após receber uma revelação do anjo Gabriel, ela tem entre seus principais dogmas, que existe um só Deus, que seu nome é Ala seu profeta é Maomé; o livro de fé da religião Muçulmana é o Alcorão.  
Segundo o livro sagrado da religião mulçumana o alcorão, todo fiel deve visitar a cidade de Meca, cidade natal do profeta Maomé, pelo menos uma vez na vida (se tiver condições para isso); o alcorão é a compilação das revelações tidas pelo profeta Maomé durante os 23 anos que sucederam sua morte, estudiosos dizem que o profeta Maomé, recitava suas revelações a quem quer que esteja por perto, e estes por sua vez, memorizavam, o alcorão trata de temas relacionados à lei – sabedoria – doutrinas – rituais – ética e cidadania; é um texto com base político-religiosa, e para o povo mulçumano é como uma constituição, onde um dos principais temas é o relacionamento do homem com Deus.
Para a doutrina mulçumana os peregrinos ao visitar a mesquita sagrada de Meca edevem dar sete volta em torno da grande edificação negra (a Caaba); diz a tradição islâmica que este templo foi construído por ordem de Abraão e representa o ponto em que os poderes divinos tocam a terra, dentro deste templo existe uma pedra negra que os mulçumanos devem beijar ou tocar.
Segundo a revista Veja,o Monsenhor Vittorio Formenti, encarregado do relatório anual de estatística do vaticano afirmou que os mulçumanos serão cerca de 30% da humanidade; ele enfatiza que:


A vantagem islâmica no jogo demográfico é, por enquanto, parcial, pois se forem somados os fiéis de todas as denominações cristãs o total ultrapassa 2 bilhões de pessoas. O próprio Islã não é um bloco monolítico. Cada uma de suas várias vertentes – xiita, sunita, alauíta etc. – é, isoladamente, menor que o catolicismo. O futuro, de todo modo, favorece os seguidores de Maomé. No ritmo atual de expansão do islamismo, em menos de vinte anos os muçulmanos serão 30% da humanidade. O número de católicos então representará 16,7% da população mundial e os cristãos serão 25%. (VEJA – 2008)[30]

Formenti acredita que hoje os mulçumanos estão em numero igualado com os cristão porem em 20 anos seu numero sera maior que os cristãos em numero de adeptos; e tem uma caracteristica em comum: tambem se dividem em grupos ideológicos.


8 - Espiritismo
Codificada na França no mês de abril de 1857, pelo bacharel em letras e ciências, e professor universitário, Hippolyte Denizard Rivail, mais popularmente conhecido como Allan Kardec, a religião Espírita prefere se identificar como ciência de observação embasada numa doutrina filosófica,ou seja o espiritismo procura identificar atraves da psicometria fatos metafisicos, segundo os espíritas Kardec, não é o fundador o espiritismo e sim o codificador da doutrina espírita,Prof. Rivail após encontrar com fenomenos sobrenaturais onde mesas e cadeiras se movian, estudou o fenomeno e se convenceu de sua mediunidade, após isso adotou o nome de Allan Kardec, nome que ele havia usado em uma encarnação passada – na época dos druidas - esta doutrina teve sua maior divulgação com o fato acontecido com as irmãs Magie e katie, que segundo elas se comunicavam com o espírito de Charles Rosna,
A primeira seção espírita registrada no brasil realizou-se no dia 17 de setembro de 1865, em Salvador na Bahia. Atualmente, a Federação Espírita Brasileira estima que há cerca de 8 milhões de adeptos do espiritismo, 30 milhões de simpatizantes, e quase 55 mil centros espalhados por todo o território nacional. De acordo com seus praticantes o Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica; Como ciência de observação prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os espíritos que estão em constante desenvolvimento, e a relação com o mundo corpóreo, por outro lado como filosofia, tenta incluir todas as conseqüências que podem decorrer dessas relações. Estudando a natureza, da origem e da destinação dos espíritos, e suas relações com o mundo físico, ou seja unir o abstrato e o concreto.[31]

9 - Afro-brasileiras
Em algumas regiões da América existem manifestações religiosas que são resultantes do sincretismo entre o cristianismo e os cultos afros; no brasil esse sincretismo resultou em religiões como o candonblé e umbanda. De acordo com  o censo em 2010 haviam cerca de 648,5 mil adeptos, entretanto estudiosos dessas religiões estimam que o numero de adptos é bem maior, pois muitos fequentam os centros de forma esporádica, e estão ligados a outras crenças. 
O Candonblé cultua os orixás , que são os deuses das naçoes africanas, que demonstram sentimentos humanos como ciumes e vaidade, o candonblé chegou ao Brasil no séulo XVI e XIX com o tráfico de negros trazidos da Africa Ocidental.
A Umbanda é uma religião afro-brasileira nascida no Rio de Janeiro na década de 20, ela é produto do sincretismo de crenças  e cerimoniais africanos e europeus; a umbanda considera o universo povoado de entidades espirituais, os guias, que entram em contato com os homens por intermédio de um iniciado (o médium), que os incorpora, a umbanda mistura rituais espiritas – indigenas e praticas européias.[32]








Cap. III - O respeito a religiosidade nas escolas Paulistas.



1 - A aculturação religiosa

Antropologicamente só podemos conhecer a cultura de um povo através de sua historia, pois a cultura é o resultado das atividade das formas que esse povo agiu em determinadas épocas e o resultado da transformação resultante da adaptação desse povo a sua realidade, ou seja a cultura de uma nação se constrói, a partir dos resultados de erros e acertos de seus antepassados, de acordo com isso podemos dizer que a cultura está em constante transformação; ou seja, estamos fazendo cultura, transformando o espaço em que vivemos. Definimos por aculturação, o procedimento de imposição cultural queno Brasil colonial, ocorreu pela doutrinação dos índios, negros escravos e por meio de referências civilizatórias trazidas por portugueses, franceses e ingleses.[33]
Sociologicamente cultura é um processo permanente de evolução, que não é apenas o modo de vida de uma determinada civilização, mas também a maneira de como esta civilização sobrevive aos fatos da História. Observando a aculturação religiosa e seu sincretismo religioso podemos dizer que o Brasil em sua historia absorveu características de todos os povos que outrora se instalaram em nosso território, segundo  Roberto Damatta, as formas culturais ou sub-culturas de uma sociedade, são na verdade resultado de uma absorção de outras sub-culturas que não foram propriamente extintas, mas sim adaptadas, nossa cultura como já dissemos é formada de traços portugueses – africanos – indígenas; formação ocorrida no decorrer de nossa história pela colonização e pelo processo de imigração.
A globalização e a interatividade dos meios de comunicação social consentem uma metodologia de aculturação e nivelamento das culturas pela proximidade das sociedades, das trocas e da rapidez dos veículos de transmissão que espalham diversos códigos, condutas e símbolos culturais em diferentes países.[34]
Podemos notar esse processo de aculturação ouajustamento, nos cultos afro-brasileiros, onde é comum a identificação entre os Orixás e os Santos Católicos, essa troca de dogmas e liturgias faz com que exista em nosso país todo tipo de culto religioso, fato que alguns chamam de inculturação, pois  se observamos por exemplo conceitos éticos de acordo com uma visão católico romano, esses conceitos poderão parecer heresia comparados a conceitos mulçumanos, da mesma forma que uma visão espírita possa parecer refutável, se levarmos em conta a doutrina evangélica, nossa constituição resguarda a liberdade de culto e característica cultural religiosa, de cada seguimento religioso, porem ao observarmos os novos cultos religiosos que vêem se mostrando no âmbito nacional, podemos notar por exemplo que alguns cultos católicos se renderam a pratica evangélica e hoje cultuam de forma mais moderna; é a chamada renovação carismática, por outro lado, os cultos neo pentecostais são hoje mais flexíveis em relação a doutrinas que a tempos atrás eram consideradas radicais, tanto nos usos quanto a vestuário e também na forma litúrgica.
Segundo Rubems Alves, o sagrado não éuma eficácia inerente às coisas; ele considerava o contrário, existiam coisas e gestos se tornam religiosos quando os homens os balizavam como tais. Dessa forma a religião nasce com o poder que os homens têm de dar nomes às coisas, que ele não compreende, fazendouma discriminação entre coisas de importância secundária e coisas de importancia primárias, nas quais seu destino, sua vida e suamorte se dependuram.
E por esta razão ele faz uma concatenação entre seu conhecimento empirico e cientifico e aquilo que para ele não tem explicação lógica, por que, fazendo uma abstração dos sentimentos e experiênciaspessoais que acompanham o encontro com o sagrado, a religião nos apresenta como um certo tipo defala, um discurso, uma rede de símbolos. O ser humano tendo por base estes símbolosdiscriminam objetos, tempose espaços, construindo, com o seu auxílio, uma abóbada sagrada com que recobrem o seu mundo; com o objetivo de exorcizar o medo, Alves parte do principio que sem esses simbolos o mundo seja por demais frio e escuro; e fazendo uso de seus símbolos sagrados ohomem constrói diques contra o caos.
Com isso, coisas inertes — pedras, plantas, fontes — e gestos, em si vulgares, passam a ser os sinais visíveis desta teia invisível de significações, que vem a existir pelo poder humano de dar nomes às coisas, atribuindo-lhes um valor. Não foi sem razão que ele se refere à religião como - a mais fantástica e pretensiosa tentativa de transubstanciar a natureza - dessa forma, objetos e gestos que poderiam ser discriminados como insensiveis e indiferentes ao destino humano, são integrados a natureza humana; quando tocamos nos simbolos o corpo inteiro estremece, e este estremecer é a marca emocional/existencialda experiencia do sagrado.
Em nossa historia notamos que o homem tem um certo fascinio pelo sobrenatural e tudo o que está relacionado ao metafísico e sobrenatural, um dos principais desafios da educação pós moderna é então definir qual a melhor metodologia para ministrá-la e tambem definir ate que ponto o educador pode adentrar neste tema; sem ferir a liberdade religiosa cada grupo, e sua definição de Deus.[35]
O termo religião deriva do latin religio, que entre os romanos signifacava, o conjunto de crenças e práticas tradicionais, proprias de uma cultura ou de uma sociedade humana que assim honra seus deuses; não entendem a religião como uma tradição religiosa, e sim como uma manifestação real do sagrado; que faz uso de inumeras práticas culturais e ritualistas; esse termo deu origem, a palavra reeligere (re-eleger uma verdade para a vida); re-eligare (religar uma pessoa a si mesma, aos outros ao mundo e ao transcendente, Deus);  re-Ligare, que significa religação com o divino e relegere que por sua vez é reler o fenomeno religioso; entretanto, em muitas outras linguas o termo religião, é ausente
Segundo o Forum Nacional Permanente de Ensino Religioso(FONAPER); o ER em sua concepção trabalhava esses 3 (três), sentidos de religião:
- re-eleger sempre que trabalha com ensinamentos de que uma unica denominação religiosa é a verdadeira; Lei 4024/61
- re-ligare, quando se desenvolve a ER a partir do presuposto de uma vivência religiosa de valor antropológica de relacionamento do si mesmo, com os outros, com o mundo a natureza e o absoluto (Deus); Lei 5692/71
- re-legere; quando se atende a forma da diversidade cultural e religiosa, Lei 9394/96, alterada pela Lei 9475/97 artigo nº 33, através da resolução 02/98 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional o ER deve constar no projeto pedágógico da escola e o paragrafo 6 do artigo Nº3 desta resolução diz que as escolas precisam usar o conteúdo diversificado para inserir em seu projeto pedagógico atividades de interesse da comunidade.[36]
Um dos principios do ER é mostrar que não existem seitas – pois não existem pequenas ou gandes religiões – e que para o historiador ou para o filósofo não existe também sincretismo, por não termos uma religião melhor que a outra, pois cada religião apresenta uma visão diferente de um grupo específico valores diferentes do que é considerado sagrado.[37]
Para Mannheim: Religião é a atividade humana pela qual o homem atinge uma unidade mais fundametalao ligar as atividades dispersas a uma finalidade social comum, apenas válida quando enraizada em sua consciência,[38]
Definem-se assim quaisquer formas de pensamento ou filosofia, é  o serviço ou culto a Deus, ou a uma divindade qualquer, expresso por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino.[39]
Segundo Feuerbach:
A consciência de Deus é autoconsciência, conhecimento de Deus é autoconhecimento. A religião é osolene desvelar dos tesouros ocultos do homem, a revelação dos seus pensamentos íntimos, a confissãoaberta dos seus segredos de amor.[40]
Para Feuerbach ter conhecimento de Deus, é se auto conhecer e revelar a si mesmo seus segredos mais intimos mostrando o lado romantico de nossa criação, definiremos então por educação religiosa a forma de abordar os fundamentos das religiões, normas éticas e morais; e como esses fundamentos norteiam o desenvolvimento psicosocial do aluno, seu relacionamento e sua conduta para com a sociedade.
Segundo o artigo 33 da Lei n.º 9.394/96, de 20 de dezenbro a educação religosa é traduzida como área de conhecimento[41], e visa passar ao educando normas éticas e morais concernentes a religião, passando a ser um novo foco de pesquisa, reflexão e também como componente curricular, essa lei é sancionada pelo então Presidente da Republica Sr. Fernando Henrique Cardoso, pela Lei nº 9475/97, que estabelece a modalidade do Ensino Religioso, de modo a respeitar a diversidade cultural e o pluralismo religioso, sendo vedadas quaisquer formas de proselitismo[42]. Além do mais, delega aos sistemas de ensino a competência de organizá-lo e orientar sua prática pedagógica, ouvindo as entidades civis constituídas pelas diferentes denominações religiosas.
Com base nas observações feitas na Lei de diretrizes e Bases da educação (LDB), o ER é um estudo sobre as principais religiões, presentes no território brasileiro e qual a influência cultural que essas religiões causaram nos costumes, ideologias e relações sociais, enfatizando princípios éticos e morais de cada uma delas; segundo Meslim, é através da religião que o ser humano se define no mundo e para com seus semelhantes, ela empresta um sentido e constitui para seus fiéis uma fonte de informações, que servirão como modelo para o mundo e seus semelhantes, pois para seus crentes ela é um modelo de ações e de explicações, porque fornece respostas as ameaças que pesam sobre a vida humana: o sofrimento; a ignorancia e a injustiça.[43]


2 - A educação religiosa e a formação social

O ser humano tem como uma de suas necessidades básicas a vida em sociedade, e viver em grupo geram certos problemas de espaço e faz com que o individuo tenha que se acondicionar e respeitar normas de padrão social, essas normas por sua vez tendem a ser orientada por conceitos éticos, designados por essa comunidade, a ética comum de um povo é apontada pelas leis dessa sociedade constituindo assim a moral dessa sociedade.
 Historicamente as normas morais de uma sociedade estabelecem entre seus cidadãos certo padrão que é transmitido para seus descendentes através da cultura,  já vimos que a cultura de um povo absorve padrões religiosos (transcendentais) e também conceitos lógicos, na História observamos grandes filósofos como, Sócrates – Platão – Aristóteles - Santo Agostinho - Tomás de Aquino – Hobbes – Hume – Hegel – Kant – Bérgson – Heidegger – Habermas - Jesus Cristo - cada um a seu modo, buscando o estabelecimento de códigos de ética válidos universalmente.[44]Segundo Gramsci, o saber público e o saber científico são mostrados na comunidade através de suas manifestações populares e sua superioridade é mostrada no cotidiano popular.[45]
Verifica-se que entre as varias religiões do mundo, existem pontos comuns que provam os princípios filosóficos de eras passadas, então podemos entender frases históricas como a de Albert Einstein, que afirmou que a ciência sem a religião é paralitica e a religião sem a ciência é cega; convém lembrar que as teorias de Einstein quanto a teoria da relatividade, eram tão avançadas para sua época que não havia como provar se estavam certas, entretanto, Einstein tinha plena convicção de sua crenças pois ele cria em Deus, e segundo ele, esse Deus não era o Deus da crença Judaica que ele abandonara aos 11 anos, mas sim, um Deus cientifico matemático que para ele simbolizava a simplicidade do universo relativo.[46]
Ao ser indagado sobre a existência de Deus Einstein respondeu:
Acredito no Deus de Espinoza.
Baruch Espinoza era filho de judeus portugueses que migraram para Holanda, fugindo da inquisição, expulso de uma sinagoga em 1654, aos 34 anos, ele propunha a idéia de um Deus que não estava em sua visão acima da natureza mas faz parte dela; Einstein acreditava num Deus que se manifesta na harmonia ordenada do que existe na natureza e não em um Deus que se preocupa com o destino e ações dos seres humanos[47]
 A Declaração dos Direitos do Homem firma a propriedade como direito supremo do cidadão, e valores como compaixão – solidariedade – justiça  e verdade – são princípios presentes em todas as religiões, algumas dão ênfase a piedade e solidariedade outras a prudência e castidade, livros ético religiosos como a Bíblia mostram a família como centro da contexto ético social da comunidade e vemos normas éticas  velho testamentárias  presentes na nossa sociedade atual, se observarmos os ensinamentos de Jesus, veremos normas de conduta presentes no código de Hamurabi que por sua vez foi baseado na lei de talião – dente por dente  e olho por olho.

O homem racional tende a mudar as coisas e deseja dizer que suas leis e normas são baseadas em deduções lógicas, vimos esse contexto acontecer na Grécia onde o pensamento filosófico entrou em conflito com os seres mitológicos e o homem buscou uma explicação lógica e natural para seus problemas cotidianos; tal observação também aconteceu com Hegel e Marx  que chegou a dizer que religião é o ópio do povo, pois faz com que o homem se esqueça dos problemas cotidianos e se foque no metafísico.[48]
O raciocínio humano passou por muitas transformações nas ultimas décadas, quando falamos em História 100 anos é uma fração de tempo muito pequena, a História da Civilização substituiu a História Universal. Temos então um afastamento entre o laico e o sagrado e direcionamos os acontecimentos da religião para o processo civilizatório, identificado os fatos com os próprios desígnios divinos, surgiam várias teorias que pretendiam provar a existência de Deus, e também existiam aqueles que pensavam negar sua existência.
Segundo os PCNs o Estado passa a ser visto como o principal agente histórico condutor das sociedades ao estágio civilizatório. Por isso abandonou-se a periodização da História Universal, que identificava os Tempos Antigos com o tempo bíblico da criação, com o predomínio do sagrado sobre o tempo histórico, e passou-se ao estudo da Antiguidade do Egito e da Mesopotâmia, momento de gênese da Civilização com o aparecimento de um Estado forte, centralizado e uma cultura escrita.[49]
Só a partir do século XVIII houve um crescimento na mentalidade filosófica humana; e fundamentos outrora defendidos no período medieval perderam sua validade; como prova disso podemos citar, por exemplo, que os navegadores da época das grandes navegações tinham mitos de que a terra era plana, fato que foi mais tarde desmentido pela ciência; filósofos como Kant e Feuerbach estimulavam o estudo das religiões no âmbito social e antropológico e sua visão filosófica persiste ate os dias atuais e foram absorvidos pela sociedade pós-moderna e o homem procura fazer uma ligação entre a fé e a lógica, entre o material e o sobrenatural, entre o absoluto e o concreto.
Podemos notar isso nesta citação feita a respeito de Aristóteles que mostra a busca do homem pela racionalidade filosófica e a felicidade:

Aristóteles, discípulo de Platão e uma das maiores mentes observadas pelo mundo ocidental, entra no furacão da racionalidade e, embora se afastando da orientação de seu mestre, pensa a ética no contexto da polis, sem desconsiderar as paixões, naturais no ser humano, o que influenciaria definitivamente qualquer ética, retirando a possibilidade de uma solução puramente lógica, pois o homem para chegar à perfeição, deve alcançar seu objetivo final – a felicidade.[50]


3 – A Religião e o autoconhecimento.

Na cidade de Delfos na antiga Grécia, no templo de Apolo havia uma inscrição que dizia - Ó homem conhece-te a ti mesmo e conheceras o universo dos deuses; o homem moderno procura resposta para seus dilemas pessoais e procura na religião essas respostas, O Rei Salomão; que levou ao auge o império Israelita, escreveu que para que o homem se projetasse na sociedade ele teria de ter um pensamento de conquista, uma conquista autopessoal, que começaria em primeiro lugar no campo do subconsciente, que no contexto neo-testamentário, é chamado de consciência, ou seja, segundo Salomão, o homem deveria pesar suas palavras e pensar antes de colocar em prática suas ações atitudes[51]
O apóstolo São Paulo, ensinando as novas Igrejas relacionava que todo ser humano é dotado de algo chamado consciência, para ele todo homem tem em seu interior ou subconsciente, algo que em seus pensamentos o acusa ou defende; segundo Paulo o homem se vê justificado de suas ações para com Deus e sua consciência pela fé.[52]
Para Freud, o que Paulo chama de consciência ele chamaria séculos mais tarde de inconsciente, o que segundo Freud é um depósito de ações rejeitadas pelo consciente, isento de movimento e estático, e que se forma a partir do consciente; por outro lado, para Jung, o inconsciente é na verdade uma herança biológica de muitos conteúdos herdados de seus ancestrais, desse modo o inconsciente existe antes mesmo de existir uma consciência lógica.   Freud e Jung têm visões diferenciadas quanto a consciência para Jung a consciência era o Self (si - mesmo), ou seja, o conceito biológico de vida psíquica do ser humano, que exige ser reconhecido, integrado, realizado; porém, não há esperança de incorporar mais que uma parte de um todo na vasta consciência humana, entretanto, para Freud o inconsciente é na verdade a causa, o efeito, ou seja, enquanto Freud busca as causas,Jung busca a direção.
Estudiosos afirmam que é na adolescência que se tem as disfunções da Self, pois o indivíduo começa a canalizar o conhecimento empírico adquirido em seu cotidiano, e mostra isso em seus relacionamentos com a comunidade e o grupo, segundo Manhein é através da consciência que o homem faz a ligação entre suas ações - responsabilidades individuais e o seu contexto social, ou seja, através da consciência ele filtra os pensamentos subjetivos da Self e os liga ao grupo e a sociedade em que esta inserido, há registros históricos de que a religiosidade tem o objetivo de canalizar as ações e responsabilidades e ditar regras de conduta éticas e morais; um desses registro já foi citado neste trabalho na confissão de fé do período jesuítico, convém lembrar que quando a religiosidade de um povo enfraquece, essa mudança é sentida no contexto social, um exemplo disso são os antigos feudos da idade média, observa-se que houve a dissolução da sociedade medieval, porem o povo permaneceu intacto, pois sua religiosidade fez com que a sociedade civil se reagrupasse, sua fé era fundamentada em sentimentos que iam alem do credo comum, servindo como fonte de inspiração, que culminou em idéias de bem viver e comportamento.[53]


4 –  Religião e cidadania

Ao examinarmos os Parametros Curiculares Nacionais (PCNs)[54], vemos que a cidadania é um dos objetivos da educação e segundo a Lei de Diretrizas e Bases (LDB) ela é também uma de suas finalidades básicas; com isso, podemos dizer que para cumprirmos os PCNs e garantir a cidania temos de garantir tambem o acesso a cultura e lazer e o direito a nanifestações religiosas sem discriminação; ao examinarmos os PCNs notamos quatro (4), pontos específicos que norteiam a educação de forma interdisciplinar; são eles:

- Respeito mútuo: Valorização do ser humano, independentemente de sua posição social – etnia – religião – sexo - gênero opinião política.  Garante ao aluno a liberdade de expressar sentimentos e emoções - revelar seus conhecimentos empíricos - admitir dúvidas sem ter medo de ser ridicularizado - exigir seus direitos são atitudes que compreendem respeito mútuo. Respeitar significa aceitar as diferenças mesmo que não concordemos com elas.

- Justiça: Basicamente isso remete à obediência às leis. Mas o conceitode justiça trabalhado na educação fundamental vai muito além disso. Ela vai nortear a noção de igualdade de direitos, sejam eles de gênero – sexo - religião e de oportunidades, o que ira definiro julgamento do que é justo ou injusto.

- Solidariedade: É a forma de expressar respeito pelo próximo e seus problemas. Participando de sua solução opinando pelo bem estar comum da comunidade; com isso é ensinado a criança que devemos ser solidários com o próximo independente de posição social – credo – raça ou gênero.

- Diálogo: É a forma de comunicação entre duas pessoas, é a maneira de passar verbalmente suas idéias e conceitos sejam eles, de ordem moral -religioso ou ético, o diálogo só acontece quando os interlocutores têm voz ativa, então, limitar-se a impor visões de mundo sem considerar o que o outro tem a dizer não constitui um diálogo. E sim em um monólogo[55]

A interpretação critica de fatos históricos nos mostra que a religião é uma das mais fortes significativas formas de manifestação cultural, notamos isso por exemplo na Inconfidencia Mineira, quando vemos quadros e gravuras desse feito histórico, esses desenhos ou pinturas, nos mostram Tiradentes o martir da Inconfidencia Mineira; barbudo e vestido em sacos, fazendo uma analogia a pessoa de Jesus Cristo; é o que os teólogos chamam de tipificação de imagem. Percebe-se então a influencia religiosa na manifestação artistica de quem desenhou ou pintou a cena; pois como já vimos a religião consiste em todo um aglomerado de anos de cultura de uma nação, ora sendo influenciada ora influenciando em seu contexto social, por este motivo é impossivel falar em cidania  e cultura sem a presença da religião.[56]
A cidadania aponta o sujeito como um titular de direitos e deveres e torna todos iguais diante da lei, fazendo assim do aluno um cidadão que pode com suas ações transformar a sociedade em que esta inserido, sendo a escola o instrumento pelo qual o Estado passa para as futuras gerações as noções de ética - moral e socialização, se faz nescessario que o educador compreenda que a educaçao religiosa é uma feramenta prioritária que pode e deve ser usada na construção da cidadania.
Veja o que Nilson Jose Machado disse sobre isso:


Atualmente, a noção de cidadania ainda permanece diretamente associada à idéia de ter direitos, uma característica que não parece suficiente para exprimi-la, uma vez que, em termos legais, os direitos não são mais privilégios de determinadas classes ou grupos sociais. Um documento fundamental no balizamento de tal generalização é a declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada e proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. [57]



Quando falarmos em tolerância religiosa - cidadania e educação; compreendo que para alguns educadores isso parecia algo impossível, era como se tais coisas fossem lados extremos de um mapa. Em conseqüência disso muitos erros foram cometidos, ferindo o direito de liberdade religiosa de cada individuo, alem disso vimos que historicamente o Brasil é um país considerado católico, podemos notar que o calendário escolar foi criado respeitando-se os feriados eclesiásticos católicos, entretanto, não temos em nossas escolas apenas praticantes da fé católica ou cristã, hoje devido à liberdade religiosa e ao sincretismo religioso de nosso povo; temos em nossas salas de aula, mulçumanos – judeus – espíritas – protestantes e também adeptos de religiões Orientais.
Em conseqüência disso a escola tornou-se um lugar onde as diversidades se encontram e o conceito de tolerância religiosa deve ser trabalhado em sala de aula, entretanto ao argumentarmos sobre isso temos de ser cautelosos, pois, o pluralismo religioso brasileiro se faz presente em todas as regiões do país, e cada cidadão pode exercer seu direito a religião; trata-se então de reconhecer que isso esta ligado a assuntos básicos e essenciais sobre o que é uma vida com sentido e qualidade, que não é possível imaginar um consenso sobre vários temas; incluindo as questões de ética e moral, sem respeitar a opinião do outro.
Alem disso, respeitar e reconhecer o valor do ser humano é garantir a ele direitos básicos de liberdade de expressão, ou seja, a liberdade de seguir suas próprias crenças e credo religioso.   Quando respeitamos os outros em seu contexto religioso, estamos cultivando o conceito de cidadania e bem estar social.

Neste rico e complexo processo, quando as identidades afloram, há uma maior visibilidade da pluralidade cultural existente, o que tende a debilitar identidades nacionais fortes e estáveis. É nesse contexto que as culturas se tencionam. Portanto a situação vivida em cada país no processo de desenvolvimento ou sobrevivência faz emergir as necessidades e reivindicações de cada grupo e o embate entre eles. A emergência das pluralidades culturais vem realçar a importância da tolerância e da democracia, onde a "negociação" tem papel fundamental. Assim, acreditamos que a sociedade poderá construir um caminho para resolver suas tensões e conflitos.[58]

Com isso se fez necessário pensar em uma maneira de transmitir o ER, e quais os termos para sua implantação no Estado de São Paulo; foi promulgado então, no dia 9 de março de 2001 a lei paulista que implantava essa forma de ensino, e em 27 de julho do mesmo ano o Conselho Estadual de educação, aprovava a deliberação, que delineava os limitese os requisitos para a formação  do professor de ER e pensou-se também no conteúdo que seria transmitido em sala de aula.
Ficou estabelecido então que a formação profissional do professor de ER deveria ser de magistério ou licenciatura em Pedagogia, com habilitação em magistério.
O ER definido como tema transversal; que segundo os PCNs. , incluem Ética, - Meio ambiente – Saúde – pluralidade cultural e orientação sexual – entre outros e expressam conceitos que correspondam a questões prioritárias para a formação da sociedade brasileira e contida em todo o seu cotidiano, deve ser abordados - explicados e aplicados de forma ampla para poder abranger questões em debate na sociedade e onde o confronto de opiniões se coloca.[59]
Embora a cidade de São Paulo ser um dos pólos onde há à formação de profissionais com o curso de Ciência da Religião, tais profissionais ficaram fora dos que poderiam ministrar as aulas de ER; pois, segundo as normas pedagógicas do Conselho Estadual deEducação, os cursos que não são de licenciatura. Outra controvérsia também se deu a respeito a considerar o ER como tema transversal; alguns grupos religiosos viram isso como a tentativa do Estado de fazer com que o ER não seja reconhecido como área do conhecimento, descaracterizando e desprezando seu valor.  
Para lecionar na 8ª séries é preciso graduação em Filosofia, Ciências Sociais ou história, abordando temas relacionados à história das religiões e que os mesmos abordassem temas que ressaltassem o valor da cidadania; segundo Gabriel Chalita, secretário da Educação do estado de São Paulo em 2002, o ensino religioso precisa ser um elo, que conduza os estudantes ao caminho do bem, para ele, valores sólidos como bondade - fraternidade – honestidade – humildade e respeito a liberdade de expressão, são cada vez mais escassos em um mundo onde prevalece o materialismo, é papel dos estudantes lutar para que esse quadro seja mudado, sem comprometermos o futuro de nossas gerações.[60]
Analisaremos no próximo capitulo noções de respeito e imparcialidade na educação religiosa e a postura do professor em sala de aula.



4 – Comunidade escolar e ER


O ER na escola tem causado um certo medo nos país de alunos da rede pública, isso por quê, há uma certa falta de informação sobre o objetivo dessa disciplina, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional (LDB), o ER faz parte da formação básica do cidadão, ou seja, segundo a LDB sem o ER faltaria algo, e o educando seria imcompleto, a legislação afirma tambem que a educação é dever da família e do Estado.  Já abordamos neste trabalho que a família é a responsavel por passar ao educando valores culturais e principios de cidadania, entendemos que através do contato famíliar temos os primeiros apontamentos sobre ética – moral e religião.
Sócrates filósofo da antiguidade, dizia que; O grande segredo para  plenitude é compartilhar; e onde esse principio estaria mais presente que no seio da família, onde conceitos sobre religião - moral - bons costumes – amor ao próximo – caridade e respeito devem ser passados ao educando de forma fraternal e carinhosa.[61]
O Ensino Religioso deve ser visto como a especialidade na qual a escola Leiga e pluralista transmitira ao aluno noções de ética que não partem do princípio segundo os quais os fims não justificam os meios; baseada em uma educação que supera o proselitismo e a posição monoteista de algums seguimentos religiosos e firma-se no sistema de ensino público e que beneficia o povo.
São principios desenvolvidos e centralizados em pontos errados que corrompem os bons costumes e no decorrer da história causaram erros que até os nossos dias sentimos dor em mencioná-los, em nome de ideologias efêmeras e usando o nome de Deus, muitas vezes o homem por razões egoistas praticaram roubos – homicídios - morte – travaram guerras - e o assassínio de milhões de vidas humanas, podemos citar por exemplo as cruzadas onde em nome da fé  no século XI, cristão provenientes da Europa iniciaram uma série de peregrinações que colocavam os cristãos em combate com os muçulmanos para tentar dominar as terras que eram consideradas sagradas, esses movimentos induziam os fieis do cristianismo ao Oriente para tomarem as terras que eram ocupadas por seguidores do islã, no século XX também não foi diferente fatos com o Holocausto judeu já citado neste trabalho,, os gulags de Stalim, produziram 20 milhões de cadaveres; com isso podemos afirmar que apenas a ética não consegue frear o impulso humano da sede de poder, porem quando olhamos com respeito o ensino religioso de cunho não proselitista vemos nele incluso uma ética diferente fundamentada nos principios gregos de cidadania porem fortalecida pelas mensagens de Cristo sobre a nescessidade de o homem amar o próximo como a si mesmo, e tendo como meta máxima não fazer ao próximo o que não desejamos a nós mesmos.[62]
Os ensino religioso compreende que o individuo precisa ter uma experiência com o mundo metafísico ou transcendente, entendemos por experiência o ato ou o efeito de experimentar algo e deduzir a partir desse contato se isto é bom, podemos relaciona-la também como uma habilidade adquirida ao longo do tempo, uma emoção pessoal, não falamos aqui da experiência tecnicista adquirida de forma metodologica em escolas e cursos, e sim da experiencia empírica, pessoal, adquirida no decorrer dos anos, tambem relacionado com nosso desenvolvimento cognitivo.
Para K Rahmer, alem do desenvolvimento biológico existe um desenvolvimento espiritual do ser humano, e isto tambem vale para o religioso, segundo ele determinados procedimentos religiosos têm seu lugar proprio e correto em uma determinada fase da vida, nem tudo o que é religioso está disponivel em uma fase e nem tudo pode se completar sincera e originalmente em todas as fases[63]
 Não é objetivo do Estado retirar da familia suas atribuições, nem de ditar que religião é a correta, pois isso golpearia o conceito Estado Laico, cabe a ele fazer com que a família seja participante do universo escolar e da educação de seus filhos e por este motivo o ER nas escolas precisa ser abordado pelos educadores de forma imparcial, o educador deve então abordar na unidade de ensino conceitos básicos que ajudem o educando a entender como se processa o desenvolvimento do religioso 
Podemos relaciona-los como: Religiosidade – Fenomeno Religioso – Religião e  Fé e abordaremos cada um deles separadamente:

- Religiosidade: É a dimensão religiosa que impulsiona o ser humano a buscar sua realização plena e definitiva na constante superação e transcendência de seus limites. O ser humano é um ser finito chamado ao infinito. Atraves da dimensão religiosa o homem busca respostas para suas perguntas existenciais, como o sentido da vida, da dor , do mal e da morte, ela traz ao ser humano uma atitude dinamica de busca do que é sagrado, fazendo que o indivíduo chegue ao encontro do místério do qual ela emana, Deus, o Todo Poderoso, o Eu Sou, o Logos. Derrida segue essa mesma ideologia ao expressar que:

A história da metafísica, como a história do Ocidente, seria a história dessas metaforas e dessas metominias (os diferentes nomes que utilizamos para nos referirmos ao centro ou fundamento estável a partir do qual possamos pensar a totalidade de uma estrutura  ou mesmo uma realidade em geral).[64]

Segundo Derrida, Deus é a forma matrícial da qual todas as coisa são originárias, a determinação do ser, ele afirma ainda que:

(....) a determinação do ser como presença em todos os sentidos dessa palavra. Poderse-ia mostrar que todos os nomes do fundamento, do princípio, ou do centro, sempre designaram o invariante de uma presença (eidos, arque, telos, energeia, ousia, essência, substancia, sujeito, aletheia, transcendenta lidade, consciência, Deus, Homem)[65]


- Fenomeno religioso: É a expressão da religiosidade através de gestos, palavras, atitudes e ritos em carater social, trata-se da expressão individual da religiosidade, que aparece nas manifestações culturais dos grupos humanos, é preciso no entanto tomar cuidado para não associar-se o fenomeno religioso ao ato de fé teologal.  apesar do ato teologal tambem resultar em fenomeno religioso, Libanio define ato teologal como; fé - ético-histórica. teologal - cristológica e eclesial – para ele, Há uma unidade profunda ontológica que entrelaça essas dimensões, de modo que não podemos falar de forma concisa de uma das dimensões sem conotar as outras, ou seja, para cita-la s é preciso fazer uma interligação pois elas se comdizem.[66]
Entretanto o fenomeno religioso não se apresenta sempre em contexto religioso, as vezes ele fica escamoteado sob  a estrutura social e economica como absolutização do poder, do dominio da ordem


A mente humana aceita as evidências dos argumentos “a posteriori” a favor de um Criador antecedente ao Universo, com potência suficiente para criar a matéria do nada, com a sabedoria necessária para governar e ordenar o universo; e com a santidade de justiça necessária para dar ao homem sua consciência e moralidade; pois atribuímos ao Ser que tem tais atributos em grau sobre-humano a eternidade e a perfeição em todos os Seus atributos. Ainda que não possamos provar isto nosso mente nos leva a crer, mesmo sem raciocinar que Aquele que nos fez com sentimentos ou instinto de amar, de adorar, de pensar etc., revelou-nos também um Deus, como objeto infinito e perfeito, a Quem podemos adorar e com Quem podemos ter comunhão. Assim é que a mente humana atribui ao Criador o caráter de Deus e nos parece muito lógico fazê-lo, mesmo que não o demonstremos cientificamente. (TUNER,s/d)[67]


.

Metafísica: palavra de origem grega, usada para nomear o conjunto de textos de
Aristóteles. Esta não foi usada por ele e sim a expressão Filosofia Primeira, que
denota com maior precisão a sua filosofia: a ciência dos primeiros princípios e das
primeiras causas.

Anexo I
Juramento Jesuitico reproduzido na integra:

Prometo e declaro que farei, quando se me apresente a oportunidade, guerra sem quartel, secreta ou abertamente contra todos hereges, protestantes ou maçons (sic), tal como se me ordene fazer, extirpá-los-ei da face da Terra que não tomarei em conta, idade, sexo, ou condição, que enforcarei, queimarei, destruirei, envenenarei, cegarei, estrangularei vivos a esses hereges, abrirei os ventres de suas esposas e baterei com a cabeça de seus filhos nas paredes, afim de aniquilar essa execrada raça. (sic) Que, quando não possa fazer isto abertamente, empregarei secretamente a taça de veneno, a estrangulação, o aço do punhal, a bala de chumbo, sem ter consideração à honra, à classe, dignidade ou autoridade das pessoas, quaisquer que sejam suas condições política ou privada, tal como me tenha sido ordenado em qualquer tempo pelos agentes do Papa ou pelo superior da - 4 -Irmandade do Santo Papa, P,.[68]


Bibliografia.

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Fonte:




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[1]Relativo à tricotomia sf. (tricô+tomo+mia) 1  divisão de um caule em três ramos 2 divisão de um gênero em três espécies
[2]Daniel Dennett - especialista em dois ramos complicados do conhecimento filosófico: a filosofia da mente (relacionada às ciências cognitivas) e a biofilosofia (ligada à biologia evolutiva). Fonte revista superinteressante Ed.263
[3]Marcio ferrari, Ramalho e Roberta Bencini. (2009). Revista Nova Escola, Edição Espeial, Grandes Pensadores ed.25. São Paulo: ed. Abril.
[5]Jabur, G. H. (Maio/2011). Letrado,Imformativo94p.22,Instituto dos advogados de SãoPaulo
[6]SCHADEN, Egon. Religião Guarani e Cristianismo. São Paulo, Revista de Antropologia, vol. 25,1982, p. 1-24 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141990000300004 acesso em 27/09/2010
[7]Aranha, M. L. (2008). História da Educação e da Pedagogia, Geral e Brasil p.141. São Paulo: Moderna.
[8]SORIANO, Aldir Guedes. Liberdade religiosa no direito constitucional e internacional. P.70 -71;  São Paulo: J. de Oliveira, 2002
[9]Aranha, M. L. (2008). História da Educação e da Pedagogia, Geral e Brasil p.141. São Paulo: Moderna.
[10]METHEWEM,acordo firmado entre ingleses e lusitanos estabelecia a compra dos tecidos ingleses por parte de Portugal, enquanto a Inglaterra se comprometia a adquirir a produção vinícola dos lusitanos
[11]RIBEIRO, Maria Luíza Santos. História da Educação Brasileira: a organização escolar. 18 ed. ver. ampl.. Campinas: Autores Associados, 2000.
[12]BAUSBAUM, Leônico. História sincera da República: das origens até 1889. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1957.
[13]Aranha, M. L. (2008). História da Educação e da Pedagogia, Geral e Brasil p.184. São Paulo: Moderna.
[14]D. Pedro II, 1840-1891 - Diário do imperador, publicado em CD-Rom pelo Museu Imperial, de Petrópolis; também publicado no Arquivo do Museu Imperial, vol. XVII, 1956, p. 20.
[15]Parametros Curriculares Nacionais (PCN), Ensino Religioso p.14. (2004).
[17]Presidência da Republica - Subchefia de Assuntos Jurídicos – Constituição Federal de 1937 art. 130 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao37.htm , acesso 26/09/2010
[18] FRANCA Leonel - O Protestantismo no Brasil - S. J. Rio: ABC, 1938. 
[19]JACOB Cesar Romero - "Religião e Sociedade em Capitais Brasileiras"- 2006
[22]Aranha, M. L. (2008). História da Educação e da Pedagogia, Geral e Brasil p.49. São Paulo: Moderna.

[23]Mª Victoria Ortega; Francisco Diez Velasco, Luis Diez Del Corral Belda; Beatriz Torres Liscano; Francisco José Viciana Hermando. (2008). Enciclopédia do Estudante 18 - Religiões e Culturas p. 158a174. São Paulo: Moderna.
[24]WILKINSON, P. (2005). Lendas e Hístorias sobre Grandes Heróis e Deuses do Mundo Inteiro. São Paulo: Publifolha.
[25]CAMPOS. Lauro de Barros (1998) - O Estado do Vaticano – 11ª edição ilustrada-
[26]VALENÇA Rachel teixeira Biblioteca da História, Lutero p.81 // As noventa e cinco teses. - São Paulo : Editora Três, 1974. - Vol. 17
[27]RIBEIRO, Boanerges. Igreja evangélica e República Brasileira: 1889-1930.p.25; São Paulo: O
semeador, 1991.
[28]REILY, Duncan Alexander. História documental do protestantismo no Brasil. 2ª impr. rev. São Paulo: ASTE, 1993.
[29]MATOS Alderi Souza de – Historia do protestantismo no Basil
[30]REVISTA VEJA - Edição 20559 de abril de 2008 – Demografia da Fé
[33]http://www.infoescola.com/sociologia/aculturacao/ acesso em 30/11/2010
[34]DAMATTA Roberto – Você tem cultura? – 2009 disponivel em: http://naui.ufsc.br/files/2010/09/DAMATTA_voce_tem_cultura.pdf ; acesso em  27/09/2010
[35]ALVES, R. (2002). O que é religião - Coleção Primeiros Passos p.10-11. São Paulo: Loyola - Brasiliense.
[36]FONAPER. (1998). (FORUM NACIONAL PERMANENTE DE ENSINO RELIGIOSO) Parametros curriculares Nacionais. São Paulo: Ave Maria
[37]Cleide Bauab Bochixio, Walter Siqueira Lazzarini. (2002). Ensino Religioso, Secretaria de Estado da Educação p.9. São Paulo: Ed. Brasil do Prata.

[38]PEREIRA Luiz, FORACHI Marialice - MANNHEIM Karl – Educação e Sociedade –Pg. 339 – Cia Ed. Nacional - 1978
[39]Fonte - MICHAELIS – dicionário da língua portuguesa – verbete RELIGIÃO
[40]ALVES, R. (2002). O que é religião - coleção Primeiros Passos p.7. São Paulo: Loyola - Brasiliense.
[43]MESLIM – A experiência humana da divina. Petrópolis; Ed. Vozes; 1992  p.21
[44]ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 4ª edição. São Paulo: Martins Fontes, 2000
[45] GRAMSCI, A. Os Intelectuais e a Organização da Cultura, 4a ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982.
[46] ELSEVIER Andrew Robson – Einstein os 100 anos da Teoria da relatividade - 2005
[47]Rabinovitch, J. (2011). Jornal de Letras 157 p.4, Sobre Spinoza Einstein e Deus . Rio de Janeiro: Instituto Antares de Cultura/Edições Consultor.
[48]MARX, Karl. 1844. "A Contribution to the Critique of Hegel's" Philosophy of Right, Deutsch-Französische Jahrbücher, February. (en inglés)
[49]Parametros Curriculares Naionais  - História – p21 - http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro051.pdfaccesso em 20/11/2010
[50]ARISTOTELES - Coleção "Os Pensadores". Rio de Janeiro: Nova Cultural, 1973.
[51]BIBLIA PENTECOSTAL – PROVERBIOS p.932 – Cap. 4.v10 -
[52] MOODY – Comentário bíblico – Editora Regular 2001
[53]PEREIRA Luiz, FORACHI Marialice - MANNHEIM Karl – Educação e Sociedade –Pg. 339 – Cia Ed. Nacional - 1978
[55]Parâmetros Curriculares Nacionais: fáceis de entender. Ética de 5ª a 8ª série. Fundação Victor Civita, 2000 – p. 36
[56]ALVES, Luís Alberto Sousa. O fenômeno religioso e as culturas. In: ALVES, LuísAlberto Sousa; JUNQUEIRA, Sérgio Rogério Azevedo. Educação Religiosa:construção da identidade do Ensino Religioso e da Pastoral Escolar. Curitiba: Champagnat, 2002. p. 221-242.
[57]MACHADO,N. J. (1997),Cidadania e Educação p.95. São Paulo: Escrituras
[58]ANDRADE, Marcelo. Multiculturalismo e educação: questões, tendências e perspectivas- Input: CANDAU, Vera Maria (Org.). Sociedade, educação e culturas. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 11-101.
[59]Para o MEC, “temas transversais” são aqueles “voltados para a compreensão e construção da realidade social e dos direitos e responsabilidades relacionados com a vida pessoal e coletiva, e com a afirmação do princípio da participação política” (www.mec.gov.br). NA.
[60]CHALITA, G. Um novo horizonte. In: KARNAL, L.; SILVA, E. O Ensino religioso nas escolas
públicas do Estado de São Paulo. São Paulo: Cenp, 2002. p.5-6.
[61]Azevedo, F. d. (2011). Princípios filosóficos da doutrina cristã p.11. São Paulo: Organização Monteiro de Barros.

[62]Azevedo, F. d. (2011). Principios filosóficos da doutria cristã p.10. São Paulo: OMB.
[63]METTE, N(199).:Pedagogia da Religião. Petrópolis,Vozes 
[64]DERRIDA, J. (2001). Posições p.231. Belo Horizonte: Autêntica.
[65]DERRIDA, J. (2001). Posições p.231. Belo Horizonte: Autêntica
[66]http://fejus.vilabol.uol.com.br/libanio.htm
[67]TURNER, Donaldo D.: A Doutrina de Deus. São Paulo, SP.: Instituto Bíblico Brasileiro por Correspondência, Curso A-5. Editora Batista Regular, s/d., p.27.
[68]SORIANO, Aldir Guedes. Liberdade religiosa no direito constitucional e internacional. P.70 -71;  São Paulo: J. de Oliveira, 2002

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