Universidade São Marcos
Educação Inclusiva
Autismo
Inclusão na educação Brasileira
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Não se pode falar em inclusão, sem lembrar ao menos um pouco, da parte legal que a envolve. Precisamos relembrar as conquista feitas na educação desde à época do Brasil – Império, foi na Constituição outorgada de 1824, que foi consagrado o direito à educação para todos os Brasileiros. Tendo esse direito se mantido nas Constituições de 1934, 1937 e 1946. Tendo ainda em
Com a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais em 1997, onde se aborda a diversidade, temos no tocante à Adaptação Curricular a clara necessidade de adequarem objetivos, conteúdos e critérios de avaliação, de forma a atender as peculiaridades dos alunos. Temos numa abordagem geral, o tema Interação e Cooperação, onde um dos objetivos da educação escolar é que os alunos, aprendam a conviver em grupos, valorizando sua contribuição, respeitando suas características e limitações, e de forma mais específica, as Adaptações Curriculares Estratégias para Educação de Alunos com Necessidades Educacionais Especiais. Porém com todas essas leis, adaptações, estabelecimento de parâmetros e tantas outras ações pensadas e elaboradas, é ainda muito pouco o que se oferece, na prática nos deparamos com obstáculos de toda ordem, principalmente quando pensamos nessas questões em relação ao aluno portador de autismo e outros transtornos evasivos do desenvolvimento. Quem está preparado para receber nossas crianças autistas? Quem conhece, ao menos um pouco, do que é ser autista? Ou ainda, quem conhece o autismo? Que criança poderá ser incluída? E o que será oferecido às que não puder ser?
Algumas orientações para professores e educadores.
É importante que o professor verifique com alguma freqüência que o aluno esteja acompanhando o assunto da aula.
Além disto, é aconselhável, que este aluno:
1 Sente o mais próximo possível do professor
2 Seja requisitado como ajudante do professor algumas vezes
3 Seja estimulado a trabalhar em grupo e a aprender a esperar a vez.
4 Aprenda a pedir ajuda
Enfim o educador deve considerar o nível de desenvolvimento do aluno por meio de uma avaliação nas áreas da linguagem, cuidados pessoais, socialização e coordenação motora. Depois dessas observações, o professor terá subsídios para elaboração do plano individual de ensino, currículo e formas de avaliação por portfólio e análise qualitativa do desenvolvimento.
Esses procedimentos deverão contemplar o plano político pedagógico da escola, não sendo uma ação isolada do professor.
A inclusão de alunos com autismo
A professora que tem em sua sala de aula inclusiva um aluno com autismo pode desenvolver atividades, sempre respeitando suas potencialidades e limites. O importante é fazer com que o aluno consiga:
· Socializar – se ( responder e imitar gestos, atender comandos simples, reconhecer e apontar objetos e figuras, emitir palavras isoladas, designando necessidades, dizer seu próprio nome.
· Ter cuidados especiais ( alimentar - se ) mastigar e engolir corretamente; fazer uso do banheiro adequadamente.
· Adquirir cognição ( procurar objetos que estejam fora da sua linha de visão; folhear livros, revistas, gravuras, desenhos e escrever seu próprio nome.
· Realizar atividades motoras ( arremessar objetos, dos pontapés numa bola, por exemplo, dominar os movimentos e a coordenação de vários membros alternadamente, dançar ou cantar. Realizar movimentos coordenadas de mão e dedos.
Entrevista com mãe de aluno autista
Sra. Joelma Barros da Silva
Alunos da Universidade São Marcos
Conhecemos a sra. Joelma em uma dos programas de ajuda social da prefeitura de São Paulo e ao conversarmos com ela ficou feliz em ajudar na elaboração deste trabalho
AUSM - Joelma como e quando você descobriu que o seu filho tinha essa deficiência o autismo?
Tive uma gravidez tranqüila e mesmo após o nascimento meu filho não apresentava nenhum sintoma do autismo; so reparei nesta mudança quando ele tinha um pouco mais de 2 anos de idade notei que seu desenvolvimento não era igual o dos outro meninos, no principio achei que ele sofresse de um retardo mental; o levei ao medico e ele constatou que ele era autista
AUSM – Qual foi sua primeira reação ao receber o diagnostico médico?
No momento em que soube isso do medico, foi como se meu mundo desabasse, pensei o porquê isso aconteceu comigo e me sentia culpada como se tudo dependesse de mim, porem, o amor de mãe falava mais forte e disse a mim mesma, não vou abandonar meu filho por nada .
AUSM – Foi fácil pra você conseguir vaga na rede publica de ensino?
Na verdade não, em primeira mão, tentei ver uma vaga na APAE, próxima ao hospital São Paulo, porem não tive êxito, consegui uma vaga na APAE de São Bernardo do Campo, como não tinha dinheiro pra condução ia de manha e ficava esperando meu filho o dia todo, isso se repetiu varias vezes pois nessa época eu não tinha como pagar varias passagens por dia. E só podia tinha a gratuidade se meu filho estivesse comigo.
AUSM - E como você conseguiu uma vaga no na rede publica de ensino? “CIEJA”?
Tive de permanecer muito tempo fazendo tratamento
AUSM - Como você entende a inclusão social do autista na rede publica?
A inclusão é muito importante pois ajuda no tratamento e no convívio dele com os outros, ele tem melhorado muito com o convívio com outras pessoas.
Entrevista com a Professora Leny Camargo de Campos.
CIEJA – Centro de educação de jovens e adultos
Ela ministra aulas há 28 anos e a 5 trabalha com educação inclusiva, ela nos passa um pouco do seu dia a dia em sala de aula e de como trata com os alunos “especiais e normais”
Ela trabalha com 20 alunos dentre os quais 10 são normais e 10 especiais, sua classe e mista e tem portadores de varias necessidades especiais,
Prof. Leny em sua opinião existe inclusão para o aluno portador de necessidades especiais e se houver; como você a avalia?
Prof. Leny: Posso falar de minha realidade e posso dizer que a educação inclusiva apesar de ser difundida na rede publica em muitos lugares não existe pois a escola não se vê preparada para isso, porem aqui no CEJAI estamos abertos a todo tipo de realidade, desenvolvemos um trabalho com toda a classe de forma que todos sejam alcançados, a maioria dos alunos daqui vem por indicação e temos todo um projeto diferenciado para atende-los.
Você possuía algum treinamento especifico para trabalhar com alunos especiais?
Prof. Leny: Não. Na verdade tive uma tremenda dificuldade, pois minha primeira experiência foram com 8 alunos especiais e com especialidades diferentes, tive de aprender a entender a realidade deles e a criar métodos de alcançá-los, haja vista que mesmo querendo criar algo diferenciado para eles muitos querem fazer o que os outros fazem
Em relação ao material Pedagógico empregado para a educação do aluno com necessidades especiais em especial o Leonardo que é autista a prefeitura faz o fornecimento e se faz esse material e diferenciado ou não?
Prof. Leny: Não é fornecido um material especifico, haja vista eu ter outros alunos com necessidades especiais diferentes, na maioria das vezes os professores tem de criar o seu material pedagógico, temos um armário que chamamos de Brinquedeiro onde tem muitos jogos e também preparamos materiais diferenciados.
Já solicitei junto a prefeitura o material especifico mas tal material não chega em nossas mãos, não temos nenhum retorno, apesar de muitos alunos virem por indicação da APAE e outras entidades eles as vezes eles acompanham o trabalho que nós efetuamos mas não dão nenhum apoio pedagógico eles vêem mais para “vistoriar”, e não para acrescentar nada de concreto ao trabalhos realizados.
Como é o Leonardo em sala de aula e no tratar com os amigos e a escola?
Prof. Leny: O Leonardo não sai de sua casa pra nada, na semana passada tivemos um evento extra classe, apenas com os alunos especiais, esses alunos foram levados ao cinema, eu estava querendo muito que ele fosse pois queria ver a sua reação.
Ele não pode ir porque estava com conjuntivite.
Ele não conversa apenas repete o que houve mas sei que ele entende pois nas vezes que ele faz algo errado eu digo vou falar pra sua mãe! Ele não repete, responde falar pra mãe não.
Uma vez ele começou a soltar gases bem alto e dava gargalhadas e gritava após isso “PORCO”, isso aconteceu varias vezes e atrapalhava o andamento da aula, tive de ser um pouco dura.
Ele parou de fazer isso.
Tem dia que ele ri muito.
Tem dia que esta bem
Tem dia em que esta elétrico, outro dia ele começou a apontar os lápis e só parou quando não tinha mais nenhum lápis.
Como a família do Leonardo ajuda na inclusão social do aluno?
Prof. Leny: A mãe queria que ele fosse para o EMEI porem eu conversei com ela e disse que ele deveria estar aqui pois
Como você avalia o desempenho do Leonardo?
Prof. Leny: Não há como avalia-lo de forma comum ou da maneira escrita, procuro avaliar seu crescimento diário, hoje sei que ele conhece as letras, dei uma atividade onde foi dado desenhos e letras e ele conseguiu associar isso, vejo então que ele tem capacidade de aprender a ler e escrever, o processo será demorado mas ele consegue. Já consegui o fazer escrever o nome, é um grande progresso.
Dei um trabalho em papel quadriculado para trabalhar as seqüências de cores, os alunos deveriam pintar um quadrado e outro não, ele não conseguiu pintar todo o quadrado mas fez um circulo nos quadros da maneira certa.
Pedi que fizessem um desenho ele conseguiu fazer mas não soube explicar o que era.
Ele sempre vem cheiroso, e é muito carinhoso.
Ele sempre mantém sua carteira limpa, porem um dia ele derramou o suco que estava tomando na carteira um outro aluno também especial pegou papel limpou a carteira e jogou a caixa de suco dele fora, ele ainda não tinha terminado de tomar o suco, tentei dar outro a ele mas ele foi irredutível pegou o mesmo suco do lixo e tomou sujou a carteira de novo lambuzou suas mãos e quando acabou jogou a caixinha de suco fora, seu amigo levantou, pegou papel, limpou a carteira, pedi que ele fosse limpar as mãos e ele foi.
As vezes ele faz movimentos repetitivos.
Quando perguntamos o que ela acha da profissão?
Prof. Leny: Amo meus alunos especiais e os normais também faço isso por amor e dedicação (abre um belo sorriso).
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