Universidade São Marcos
Educação Inclusiva
Autismo
Inclusão na educação Brasileira
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Não se pode falar em inclusão, sem lembrar ao menos um pouco, da parte legal que a envolve. Precisamos relembrar as conquista feitas na educação desde à época do Brasil – Império, foi na Constituição outorgada de 1824, que foi consagrado o direito à educação para todos os Brasileiros. Tendo esse direito se mantido nas Constituições de 1934, 1937 e 1946. Tendo ainda em
Com a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais em 1997, onde se aborda a diversidade, temos no tocante à Adaptação Curricular a clara necessidade de adequarem objetivos, conteúdos e critérios de avaliação, de forma a atender as peculiaridades dos alunos. Temos numa abordagem geral, o tema Interação e Cooperação, onde um dos objetivos da educação escolar é que os alunos, aprendam a conviver em grupos, valorizando sua contribuição, respeitando suas características e limitações, e de forma mais específica, as Adaptações Curriculares Estratégias para Educação de Alunos com Necessidades Educacionais Especiais. Porém com todas essas leis, adaptações, estabelecimento de parâmetros e tantas outras ações pensadas e elaboradas, é ainda muito pouco o que se oferece, na prática nos deparamos com obstáculos de toda ordem, principalmente quando pensamos nessas questões em relação ao aluno portador de autismo e outros transtornos evasivos do desenvolvimento. Quem está preparado para receber nossas crianças autistas? Quem conhece, ao menos um pouco, do que é ser autista? Ou ainda, quem conhece o autismo? Que criança poderá ser incluída? E o que será oferecido às que não puder ser?
Algumas orientações para professores e educadores.
É importante que o professor verifique com alguma freqüência que o aluno esteja acompanhando o assunto da aula.
Além disto, é aconselhável, que este aluno:
1 Sente o mais próximo possível do professor
2 Seja requisitado como ajudante do professor algumas vezes
3 Seja estimulado a trabalhar em grupo e a aprender a esperar a vez.
4 Aprenda a pedir ajuda
Enfim o educador deve considerar o nível de desenvolvimento do aluno por meio de uma avaliação nas áreas da linguagem, cuidados pessoais, socialização e coordenação motora. Depois dessas observações, o professor terá subsídios para elaboração do plano individual de ensino, currículo e formas de avaliação por portfólio e análise qualitativa do desenvolvimento.
Esses procedimentos deverão contemplar o plano político pedagógico da escola, não sendo uma ação isolada do professor.
A inclusão de alunos com autismo
A professora que tem em sua sala de aula inclusiva um aluno com autismo pode desenvolver atividades, sempre respeitando suas potencialidades e limites. O importante é fazer com que o aluno consiga:
· Socializar – se ( responder e imitar gestos, atender comandos simples, reconhecer e apontar objetos e figuras, emitir palavras isoladas, designando necessidades, dizer seu próprio nome.
· Ter cuidados especiais ( alimentar - se ) mastigar e engolir corretamente; fazer uso do banheiro adequadamente.
· Adquirir cognição ( procurar objetos que estejam fora da sua linha de visão; folhear livros, revistas, gravuras, desenhos e escrever seu próprio nome.
· Realizar atividades motoras ( arremessar objetos, dos pontapés numa bola, por exemplo, dominar os movimentos e a coordenação de vários membros alternadamente, dançar ou cantar. Realizar movimentos coordenadas de mão e dedos.
Entrevista com mãe de aluno autista
Sra. Joelma Barros da Silva
Alunos da Universidade São Marcos
Conhecemos a sra. Joelma em uma dos programas de ajuda social da prefeitura de São Paulo e ao conversarmos com ela ficou feliz em ajudar na elaboração deste trabalho
AUSM - Joelma como e quando você descobriu que o seu filho tinha essa deficiência o autismo?
Tive uma gravidez tranqüila e mesmo após o nascimento meu filho não apresentava nenhum sintoma do autismo; so reparei nesta mudança quando ele tinha um pouco mais de 2 anos de idade notei que seu desenvolvimento não era igual o dos outro meninos, no principio achei que ele sofresse de um retardo mental; o levei ao medico e ele constatou que ele era autista
AUSM – Qual foi sua primeira reação ao receber o diagnostico médico?
No momento em que soube isso do medico, foi como se meu mundo desabasse, pensei o porquê isso aconteceu comigo e me sentia culpada como se tudo dependesse de mim, porem, o amor de mãe falava mais forte e disse a mim mesma, não vou abandonar meu filho por nada .
AUSM – Foi fácil pra você conseguir vaga na rede publica de ensino?
Na verdade não, em primeira mão, tentei ver uma vaga na APAE, próxima ao hospital São Paulo, porem não tive êxito, consegui uma vaga na APAE de São Bernardo do Campo, como não tinha dinheiro pra condução ia de manha e ficava esperando meu filho o dia todo, isso se repetiu varias vezes pois nessa época eu não tinha como pagar varias passagens por dia. E só podia tinha a gratuidade se meu filho estivesse comigo.
AUSM - E como você conseguiu uma vaga no na rede publica de ensino? “CIEJA”?
Tive de permanecer muito tempo fazendo tratamento
AUSM - Como você entende a inclusão social do autista na rede publica?
A inclusão é muito importante pois ajuda no tratamento e no convívio dele com os outros, ele tem melhorado muito com o convívio com outras pessoas.
Entrevista com a Professora Leny Camargo de Campos.
CIEJA – Centro de educação de jovens e adultos
Ela ministra aulas há 28 anos e a 5 trabalha com educação inclusiva, ela nos passa um pouco do seu dia a dia em sala de aula e de como trata com os alunos “especiais e normais”
Ela trabalha com 20 alunos dentre os quais 10 são normais e 10 especiais, sua classe e mista e tem portadores de varias necessidades especiais,
Prof. Leny em sua opinião existe inclusão para o aluno portador de necessidades especiais e se houver; como você a avalia?
Prof. Leny: Posso falar de minha realidade e posso dizer que a educação inclusiva apesar de ser difundida na rede publica em muitos lugares não existe pois a escola não se vê preparada para isso, porem aqui no CEJAI estamos abertos a todo tipo de realidade, desenvolvemos um trabalho com toda a classe de forma que todos sejam alcançados, a maioria dos alunos daqui vem por indicação e temos todo um projeto diferenciado para atende-los.
Você possuía algum treinamento especifico para trabalhar com alunos especiais?
Prof. Leny: Não. Na verdade tive uma tremenda dificuldade, pois minha primeira experiência foram com 8 alunos especiais e com especialidades diferentes, tive de aprender a entender a realidade deles e a criar métodos de alcançá-los, haja vista que mesmo querendo criar algo diferenciado para eles muitos querem fazer o que os outros fazem
Em relação ao material Pedagógico empregado para a educação do aluno com necessidades especiais em especial o Leonardo que é autista a prefeitura faz o fornecimento e se faz esse material e diferenciado ou não?
Prof. Leny: Não é fornecido um material especifico, haja vista eu ter outros alunos com necessidades especiais diferentes, na maioria das vezes os professores tem de criar o seu material pedagógico, temos um armário que chamamos de Brinquedeiro onde tem muitos jogos e também preparamos materiais diferenciados.
Já solicitei junto a prefeitura o material especifico mas tal material não chega em nossas mãos, não temos nenhum retorno, apesar de muitos alunos virem por indicação da APAE e outras entidades eles as vezes eles acompanham o trabalho que nós efetuamos mas não dão nenhum apoio pedagógico eles vêem mais para “vistoriar”, e não para acrescentar nada de concreto ao trabalhos realizados.
Como é o Leonardo em sala de aula e no tratar com os amigos e a escola?
Prof. Leny: O Leonardo não sai de sua casa pra nada, na semana passada tivemos um evento extra classe, apenas com os alunos especiais, esses alunos foram levados ao cinema, eu estava querendo muito que ele fosse pois queria ver a sua reação.
Ele não pode ir porque estava com conjuntivite.
Ele não conversa apenas repete o que houve mas sei que ele entende pois nas vezes que ele faz algo errado eu digo vou falar pra sua mãe! Ele não repete, responde falar pra mãe não.
Uma vez ele começou a soltar gases bem alto e dava gargalhadas e gritava após isso “PORCO”, isso aconteceu varias vezes e atrapalhava o andamento da aula, tive de ser um pouco dura.
Ele parou de fazer isso.
Tem dia que ele ri muito.
Tem dia que esta bem
Tem dia em que esta elétrico, outro dia ele começou a apontar os lápis e só parou quando não tinha mais nenhum lápis.
Como a família do Leonardo ajuda na inclusão social do aluno?
Prof. Leny: A mãe queria que ele fosse para o EMEI porem eu conversei com ela e disse que ele deveria estar aqui pois
Como você avalia o desempenho do Leonardo?
Prof. Leny: Não há como avalia-lo de forma comum ou da maneira escrita, procuro avaliar seu crescimento diário, hoje sei que ele conhece as letras, dei uma atividade onde foi dado desenhos e letras e ele conseguiu associar isso, vejo então que ele tem capacidade de aprender a ler e escrever, o processo será demorado mas ele consegue. Já consegui o fazer escrever o nome, é um grande progresso.
Dei um trabalho em papel quadriculado para trabalhar as seqüências de cores, os alunos deveriam pintar um quadrado e outro não, ele não conseguiu pintar todo o quadrado mas fez um circulo nos quadros da maneira certa.
Pedi que fizessem um desenho ele conseguiu fazer mas não soube explicar o que era.
Ele sempre vem cheiroso, e é muito carinhoso.
Ele sempre mantém sua carteira limpa, porem um dia ele derramou o suco que estava tomando na carteira um outro aluno também especial pegou papel limpou a carteira e jogou a caixa de suco dele fora, ele ainda não tinha terminado de tomar o suco, tentei dar outro a ele mas ele foi irredutível pegou o mesmo suco do lixo e tomou sujou a carteira de novo lambuzou suas mãos e quando acabou jogou a caixinha de suco fora, seu amigo levantou, pegou papel, limpou a carteira, pedi que ele fosse limpar as mãos e ele foi.
As vezes ele faz movimentos repetitivos.
Quando perguntamos o que ela acha da profissão?
Prof. Leny: Amo meus alunos especiais e os normais também faço isso por amor e dedicação (abre um belo sorriso).
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Educação Inclusiva Autismo
Kawakami Gensai
Kawakami Gensai (1834-1871), foi um dos maiores hitokiri do período Bakumatsu, no século XIX, no Japão. Diz-se que poderia ser confundido facilmente com uma garota, ainda que a sua natureza fosse oposta à sua aparência. Tinha atitudes frias, calculistas e era considerado o mais perigoso dos quatro Hitokiri.
Kawakami ficou famoso por matar, cortando Sakuma Syouzan ao meio, em plena luz do dia, usando o seu estilo de Battojutsu, chamado "Shiranui-ryu" (literalmente, "estilo Shiranui", ou "estilo do fogo fátuo") e que consistia, essencialmente em dobrar perpendicularmente a perna direita, esticando a esquerda até ficar paralela ao solo e, depois, sacar da espada. Ainda que se lhe atribuam outros assassinatos, estes aconteceram sempre com uma aura de mistério e nunca ficou esclarecido como e quando aconteceram. Depois da Restauração Meiji, e com o fim da era dos samurais, as ideias xenófobas e isolacionistas de Kawakami colidiram com as defendidas pelo governo, pelo que foi julgado sob acusações falsas e executado no quarto ano da era Meiji, em 1871.
Como na maioria das vezes em que os governantes não necessitavam mais de seus assassinos, armaram uma missão armadilha para Kawakami, resultando em sua morte.
Se inspiraram nele pra fazer o kenshin....
ERA MEIJI - ESTILO HITEM MITSURUGI
A ERA MEIJI - criador do estilo Mitisurugi - e a OBRA RUROUNI KENSHIN:
MODERNIZAÇÃO, TENSÕES E DISPUTAS NA CONSTRUÇÃO DO “NOVO” JAPÃO
Mostraremos com este artigo as familiaridades entre o manga Samurai X e os conflitos existentes no Japão tendo como foco principal discutir alguns aspectos do fim do shogunato e da Era Meiji na segunda metade do século XIX, O escritor do mangá Rurouni Kenshin, de Nobuhiro Watsuki, enfoca as tensões e conflitos que marcaram esse período, e que desembocaram na modernização japonesa em plena época imperialista.
A obra Rurouni Kenshin, do autor Nobuhiro Watsuki, inicialmente publicada em 1994, é considerada uma verdadeira obra-prima dos mangás (história em quadrinhos japoneses), e tido como uma oba classica, não somente por
apresentar personagens carismáticos e impactantes, mas, sobretudo, por seu enredo, que é baseada em um dos períodos mais turbulentos da história do Japão: a denominada “Revolução” ou “Restauração” Meiji,
Finalizada em 1868, e seus futuros desdobramentos para a sociedade japonesa como um todo.
A narrativa é focada no Japão da segunda metade do século XIX, mais especificamente o período
de transição do regime Tokugawa à Era Meiji, em que o shogunato, regime político estabelecido,
desde 1603, por Tokugawa Ieyasu (1542-1616), foi derrubado a partir de um processo que durou
décadas e que foi marcado por uma sangrenta guerra civil opondo os defensores do shogunato aos
partidários de uma nova ordem que seria principiada com a Restauração da monarquia e a posterior
modernização das estruturas socioeconômicas, políticas, culturais e militares que, de acordo com o
projeto dos “restauradores”, era de fundamental importância para uma inserção proeminente do país
no quadro das relações internacionais e fundamental para a própria sobrevivência do Japão
enquanto país soberano, situação que estava consideravelmente ameaçada pelo avanço das
principais potências ocidentais (Inglaterra, Holanda, EUA, França), no âmbito do período
conhecido como imperialismo (ou neocolonialismo), ocorrido na segunda metade do século XIX, e
que foi caracterizado pela disputa entre as nações imperialistas por mercados consumidores e com a conseqüente instauração de inúmeras colônias formais e/ou informais, fundamentalmente na África e na Ásia.
O enredo de Rurouni Kenshin gira em torno do personagem Kenshin Himura, um samurai com uma cicatriz em forma de “x”, localizada em sua face esquerda, que se diz um andarilho (daí o nome Rurouni) e que é possuidor de uma sakabatou, uma espada de lâmina invertida.
Com uma personalidade serena e gentil, sua aparência transmite tranqüilidade e segurança, o que faz com que sua presença passe despercebida em cada local por onde anda. A vida de Kenshin é alterada no momento em que conhece Kaoru Kamiya, uma shihandai2 do dojo3 Kamiya. Kaoru ensina neste dojo o estilo Kamiya Kasshin, criado por seu pai e que prega a filosofia da “espada para a vida”,
isto é, ensina o uso da espada com a finalidade única de proteger, e não matar. Kenshin ajuda Kaoru a afastar um grupo de assassinos que estavam interessados em adquirir o terreno do dojo Kamiya, os quais utilizavam como principais meios de persuasão freqüentes ameaças e intimidações. Como
esse terreno era financeiramente muito valioso, o grupo tenta fazer com que Kaoru o venda a uma quantia irrisória. No meio dessa luta, Kaoru descobre que Kenshin Himura é na realidade o lendário Hitokiri(4)Battousai, o Retalhador, um samurai monarquista muito poderoso que retalhava seus inimigos na época da guerra civil, promovendo verdadeiras carnificinas e limpando o caminho para a Era Meiji, desaparecendo repentinamente logo depois do fim do shogunato, tornando-se uma
espécie de lenda desse período. No instante em que a história de Rurouni Kenshin se inicia, no ano 11 da Era Meiji (1878),
na localidade de Shitamachi (Tóquio), já se passaram 10 anos desde o fim do Bakumatsu(5) e vemos um Battousai transformado. Kenshin revela a Kaoru que mesmo que ele tenha sido anteriormente o temível Battousai, o Retalhador, sua espada e seu estilo "Hiten Mitsurugi",
O ataque final do estilo Hiten Mitsurugi, chamado Amakakeru Ryu No Hirameki, é um Battoujutsu, uma técnica que tem como objetivo derrotar o oponente com um único golpe, a partir do desembainhar da espada. O Battoujutsu em si é executado com uma velocidade muito acima do normal, para que a precisão do golpe seja executada com sucesso
No Amakakeru Ryu no Hirameki,a espada é desembainhada com o pé esquerdo adiante, o que constitui uma antecipação do movimento original de sacar a espada, pois, normalmente, é preciso realizar a manobra avançando o pé direito, Proporcionando assim um Battoujutsu mais veloz ainda. Para executar o Amakakeru Ryu no Hirameki, é impresindível que esteja em boas condições físicas, isso é a única limitação da execução do golpe. que é constituído de 3 partes
agora são usados para salvar vidas, afirmando que proibiu a si mesmo de matar, daí a explicação para portar uma sakabatou, pois sua lâmina invertida faz com que os ferimentos provocados com ela nunca sejam
fatais. A partir desse momento, Kenshin passa a viver no dojo Kamiya, iniciando uma série de
Aventuras, intrigas e reviravoltas.
Ao longo do enredo, Kenshin Himura faz inúmeras amizades, algumas notáveis, como
Yahiko Myoujin, um menino órfão proveniente de uma família de ex-samurais de Tóquio e cujo pai
era membro do Shougitai 6; e Sanosuke Sagara, conhecido como Zanza, um ex-membro do
sekihoutai, uma antiga tropa composta por pessoas oriundas das camadas sociais mais humildes que
lutava pelo fim do Shogunato e pela instauração de uma sociedade mais igualitária. No entanto,
2 Mestre Substituto, que dá aulas em nome do Mestre do estilo.
3 Academia de artes marciais.
4 Assassino.
5 Literalmente, “Final do Shogunato”.
6 Um exército de leais ao Shogunato que não reconheceu a tomada de Edo (Tóquio) pelos Monarquistas. Eles se
aquartelaram no Monte Ueno até serem derrotados em maio de 1868.
Kenshin enfrenta também ao longo da trama diversos e poderosos inimigos, destacando-se o exmonarquista
Makoto Shishio e Enishi Yukishiro, este último buscando vingança pela irmã
supostamente morta por Battousai.
Figura 1: capa da edição brasileira nº 17 de Rurouni Kenshin (Samurai X). Figura 2: WATSUKI,
Nobuhiro. Rurouni Kenshin. São Paulo: Japan Brazil Comunication (JBC), 2004, p. 56.
Rurouni Kenshin apresenta uma narrativa não-linear, caracterizada por muitas “idas e
vindas”, basicamente girando em torno de Kenshin e de seu passado como Battousai, passado este
que Kenshin, mesmo que tenha mudado o propósito de sua vida, não consegue se desvencilhar por
completo. Esse passado e a transformação de Kenshin em Hitokiri Battousai são mais
profundamente explicados durante a saga de Enishi Yukishiro. Enishi acusa Kenshin de ter
assassinato sua irmã Tomoe Yukishiro e começa, junto com seu grupo, composto por mais cinco
homens sedentos por vingar-se de Battousai, a atacar diretamente os locais e entes queridos por
Kenshin. Inicia-se o que Enishi denomina de Jinchuu, a justiça dos homens, já que a Tenchuu, a
justiça dos deuses, não cumpriu sua tarefa de punir Battousai, cabendo aos homens, neste caso o
grupo de Enishi, realizar essa missão.
Nessa parte da trama, Kenshin sofre uma crise de consciência, tentando buscar algum modo
de expiar seus crimes do passado. Mergulhado nesse caos existencial, Kenshin começa a contar em
detalhes, pela primeira vez no enredo, o seu passado para seus amigos Kaoru, Sanosuke, Yahiko e
Megumi, revelando a eles que a irmã de Enishi, Tomoe, era sua esposa e por sua culpa ela morreu.
Nesse momento a história volta 10 anos, ápice da crise do shogunato e da confrontação de forças
entre os “monarquistas” e os defensores do regime shogunal.Vale ressaltar que o marcante nessa
passagem é o mergulho no período do Bakumatsu, com Nobuhiro Watsuki brilhantemente nos
proporcionando uma verdadeira aula de história deste conturbado período representado pela
sangrenta guerra civil.
Com a derrocada do shogunato e a consolidação da Restauração Meiji em 1868, o novo
governo tinha como objetivo primordial a modernização das estruturas sociais, políticas,
econômicas e culturais do Japão. Para concretizar esse objetivo, a palavra-chave era
“ocidentalização”. Em outras palavras, o grupo majoritário que encabeçava o governo Meiji
reconheceu que para “salvar” o país e preservar o regime, era necessária uma substancial
transformação que passasse por uma ocidentalização sistemática. “A força motriz era a
ocidentalização. O Ocidente possuía claramente o segredo do sucesso e, portanto, precisava ser
imitado a todo custo” (HOBSBAWM, 2005, pp. 217-218).
No decorrer da obra, vemos como a ocidentalização promovida pelo governo Meiji afetou,
de modo transformador, hábitos e costumes japoneses, como cortes de cabelos, estilos
arquitetônicos, dentre outros. "A abertura cultural da Era Meiji influenciou também a gastronomia,
introduzindo diversos pratos novos no cardápio" (WATSUKI, Rurouni Kenshin, nº 2, p. 30),
surgindo o gyunabe, restaurante especializado em comida ocidental, retratado no mangá pelo
restaurante Akabeko, o preferido por Kaoru Kamiya. Uma das maiores inovações na gastronomia
japonesa foi a introdução da carne de boi (os japoneses não comiam carne até então), sendo que
pratos como o sukiyaki7 eram facilmente encontrados nesses restaurantes.
Para alguns dos partidários da ocidentalização não havia limites, propondo inclusive o
abandono de tudo que fosse japonês, pois a modernização implicava a negação do passado, que era
visto como atrasado e bárbaro. Nesse contexto, setores das elites dirigentes e intelectuais do "novo"
Japão abraçaram a teoria do racismo social-darwinista, perdendo as esperanças em "seu" povo e
sonhando com uma transformação biológica da população japonesa, que a tornasse receptiva ao
"progresso", exemplificado pelo projeto de "cruzamento maciço com brancos" (HOBSBAWM,
2006, p. 401).
Outro aspecto relevante presente em Rurouni Kenshin são os projetos derrotados ou
frustrados de grupos, como os adeptos da democracia liberal ou a tendência xenófoba, que lutaram
contra o shogunato pela transformação efetiva do Japão. Após a "Restauração Meiji", esse "novo"
Japão não se concretizou ou não se verificou condizente com as propostas que cada um desses
7 Prato com carne de boi e legumes cozidos, servidos com arroz e ovo cru.
grupos carregava, explicitando que mesmo após o fim do shogunato o Japão ainda possuía uma
sociedade bastante fragmentada social e politicamente.
No mangá, um dos expoentes desse descontentamento contra os rumos da chamada Era
Meiji é o ex-monarquista e também ex-retalhador Makoto Shishio. A filosofia de Shishio baseia-se
na sobrevivência do mais forte como a lei suprema deste mundo, defendendo "para os fortes, a
vida; para os fracos, a morte" (WATSUKI, nº 31, p. 40). Líder do grupo Juppongatana, Shishio foi
traído pelos monarquistas, os quais, após a instauração do governo Meiji, tentaram assassiná-lo
queimando-o vivo. Contudo, Shishio consegue sobreviver, e mesmo com praticamente todo o corpo
queimado, busca muito mais que uma simples vingança: ele pretende, através de sua organização
Juppongatana, tomar o controle do Japão, aplicando seus princípios neste seu futuro/pretendido
governo, que teria como meta o fortalecimento total do Japão frente às demais nações. Seu braço
direito da Juppongatana, Houji, defende que para que o Japão fosse realmente forte, o governo
deveria ser composto por homens com os ideais de Shishio:
Na situação mundial atual, onde os países fortes do Ocidente estão transformando
os do Oriente em suas colônias, não há saída para o Japão a não ser tomar a
iniciativa e se tornar mais forte que os países do Ocidente. Para isso, é necessário
um homem forte para centralizar o poder em suas mãos. E é por isso que os tempos
necessitam de um homem como Makoto Shishio (WATSUKI, Rurouni Kenshin nº 32,
pág. 52).
É nesta parte que notamos a semelhança entre o projeto político de Shishio e as dissidências
conservadoras que buscavam a limitação dessa "ocidentalização", juntamente com o fortalecimento
do Japão no âmbito na dinâmica imperialista. De acordo com Hobsbawm,
No lapso de duas décadas surgiu uma reação contra os extremos da ocidentalização
e do liberalismo, parcialmente com a ajuda da tradição crítica ocidental do
liberalismo, como a alemã, que ajudou a inspirar a constituição de 1889, em grande
parte uma reação neotradicionalista que iria virtualmente inventar uma nova
religião do Estado, centrado no culto ao imperador, o culto Shinto. Foi essa
combinação de neotradicionalismo e modernização seletiva (...) que prevaleceu.
Mas as tensões entre aqueles para os quais a ocidentalização implicava revolução
fundamental e os outros para quem ela significava apenas um Japão forte
prevaleceram. A revolução não iria ocorrer, mas a transformação do Japão num
formidável poder moderno tornou-se realidade (HOBSBAWM, 2005, p. 219).
De fato, mesmo permeado por constantes disputas e tensões internas, o Japão conseguiu se
constituir em um Estado forte e bem-sucedido tanto interna quanto externamente, tornando-se na
virada do século XIX para o XX "um lobo entre os lobos" (Ibidem). De uma nação ameaçada pelo
imperialismo ocidental para uma nação imperialista: eis a grande transformação do Japão no
cenário internacional.
Superadas as dificuldades internas decorrentes do período pós-shogunato e concretizado o
novo regime, a política externa japonesa começa a exigir igualdade nas negociações internacionais e
adota um tom agressivo para satisfazer os interesses nipônicos de expansão comercial e territorial.
Os primeiros tratados comerciais com as potências ocidentais, concluídos em meio aos conflitos
característicos do fim do shogunato passam a ser questionados, com o governo japonês alegando
que foram assinados de forma unilateral, a partir das pressões das forças estrangeiras, e afirmando
que favoreciam exacerbadamente as outras partes em detrimento do Japão. A desvantagem japonesa
justificaria a eliminação desses tratados, vistos como “injustos” pela opinião pública e pelo governo
japonês. Após muitas negociações são concluídos acordos com os Estados Unidos, Alemanha,
França e outros países, os quais reformulam esses tratados, fazendo com que o Japão atinja seus
objetivos, ainda que de forma não integral, destacando-se o fim do direito de extraterritorialidade
concedido às potências ocidentais, além de promover uma recolocação de destaque do país no
quadro das relações político-econômicas internacionais.
Após essa etapa, inicia-se a expansão imperialista japonesa. Ocasionada por atritos
envolvendo a cobiça japonesa na península coreana, a Guerra Sino-Japonesa (1894-95), vencida
pelo Japão, demonstra ao mundo a evolução deste país, que obtém com o tratado de paz
consideráveis concessões territoriais chinesas. Mas a surpresa maior para o Ocidente ocorreu com a
surpreendente – e fulminante – vitória japonesa sobre a Rússia na denominada Guerra Russo-
Japonesa (1904-05), eclodida por causa de disputas na Manchúria e península coreana entre os dois
países. Era a primeira vez na história que uma potência ocidental era derrotada por uma nação nãoocidental
em uma guerra de proporções relativamente grandes. Com a vitória, o Japão obtém o
direito de domínio na Coréia, transformando-a em seu protetorado, além de iniciar sua penetração
na Manchúria, uma região rica em minerais, e também na própria China, inaugurando uma fase de
décadas de expansão sobre o Sudeste Asiático, que somente seria interrompida com a derrota
japonesa na Segunda Guerra Mundial.
A Era Meiji não contemplou todos os sujeitos e grupos sociais de modo uniforme. Muitas
pessoas se viram desalojadas de seus espaços de sociabilidades, modos de vida e práticas de
trabalho, portanto, desestruturando suas relações sociais e suas próprias vidas como um todo. Como
Watsuki nos lembra,
as mudanças ocasionadas pelo final do shogunato e o início da era Meiji se
refletiam nas vidas das pessoas. Nem todos foram beneficiados pela chegada dos
novos tempos. Algumas pessoas forma abandonadas pelo mundo. Outras
abandonaram o mundo (WATSUKI, Rurouni Kenshin, nº 47, p. 33).
Os samurais e, principalmente, os camponeses foram os mais prejudicados com a nova era.
Em 1871, o país se dividiu em províncias (ken), abolindo-se os han (feudos). Com o Regulamento
da Propriedade da Terra, elaborado em 1873, foi estabelecido o compromisso individual e não
comunal em relação aos impostos, definindo direitos de propriedade individuais e o direito de
venda. O governo tomou posse da propriedade comunal, desestruturando modos de vida,
sobrevivência e práticas de trabalho da grande maioria dos camponeses, deixando-os à mercê dos
ricos proprietários de terras, ao mesmo tempo em que a base econômica dos antigos nobres e
samurais, fundamentada na cobrança e arrecadação de impostos em koku8, foi perdendo cada vez
mais a sua importância. Ainda que o governo Meiji permitisse alguns pequenos “benefícios” aos
camponeses, como a permissão de usar sobrenomes, algo que era proibido durante o shogunato, as
condições no campo eram cada vez mais degradantes.
Os samurais também foram afetados pelo decreto baixado em 1876 que proibia o porte de
espadas no Japão e pela Lei do Serviço Militar (1873), que introduziu o serviço militar obrigatório,
abolindo "os últimos vestígios de separação e distinção de status dos samurais como classe"
(HOBSBAWM, 2005. p. 217). No mangá, especialmente em sua fase inicial, não são poucas as
vezes que Kenshin é surpreendido pelas forças policiais por portar uma espada, mesmo que ela seja
uma sakabatou, sendo, de acordo com o decreto de 1876, ameaçado de ser preso por cometer tal
“crime”. Veja que o porte de espadas, antes um símbolo de poder e status dos samurais durante
séculos, passa a ser considerado, a partir do governo Meiji, uma infração grave e ilícita,
desestruturando em certa medida relações sociais e hierárquicas constituídas sob o regime
Tokugawa que estavam alicerçadas de modo profundo na sociedade japonesa, desagradando os
samurais e contribuindo para o aumento das tensões e conflitos no âmbito do regime Meiji. Tal
situação conflituosa pode ser melhor expressa em dados concretos: ocorreu cerca de 30 levantes
camponeses por ano entre 1869 e 1874 e uma importante rebelião samurai em 1877.
Com a pauperização da vida dos camponeses, muitos migram para as cidades em busca de
melhores condições sociais, mas poucos conseguem ascender socialmente, passando a engrossar as
fileiras dos desempregados e miseráveis urbanos. Surge também, a partir da abertura dos portos, a
possibilidade de emigração para o exterior. Diversos países receberam imigrantes japoneses, dentre
eles o Brasil, que a partir de 1908, quando chegou a primeira leva de imigrantes a bordo do (hoje
histórico) Kasato Maru, tornou-se um dos países mais visados para esse tipo de iniciativa, cujos
destinos geralmente eram os cafezais de São Paulo que necessitavam de vasta mão-de-obra. Em
suma, no final do século XIX e início do XX, muitos camponeses e desempregados são obrigados a
deixar o Japão frente às inúmeras dificuldades econômicas resultantes da chamada “modernização”
empreendida pelo governo Meiji, pautada pelo seu caráter conservador e excludente de grande
parcela da população, especialmente as camadas mais pobres.
O aspecto mais valioso dessa obra de Nobuhiro Watsuki é que ela é baseada em fatos
concretos que marcaram a trajetória japonesa, trazendo, deste modo, informações valiosas sobre a
sociedade, cultura e a própria história do Japão. A grande maioria dos personagens é baseada em
8 Unidade de medida de capacidade, mais ou menos equivalente a 180 litros. Fundamentalmente, servia para medir a
quantidade de arroz. Por exemplo, durante o regime Tokugawa, a medida da terra se expressava em termos de koku por
unidade de superfície cultivada, e todas as colheitas de cereais ou de outros cultivos eram reduzidos a um equivalente
teórico em arroz. O valor senhorial de um feudo era o total de todas as colheitas nas terras cultivadas desse feudo,
expresso na quantidade teórica de arroz. Ver: AKAMATSU, p. 294.
sujeitos que participaram ativamente de um período marcante para a história nipônica, representado
pelo fim do shogunato e a instauração do governo Meiji.
É evidente que, enquanto historiadores, nosso dever seja problematizar e analisar de forma
crítica e reflexiva todos os tipos de fontes, incluindo obras ficcionais. Mesmo assim, essa verdadeira
obra-prima dos mangás possui um valor histórico inegável, na medida em que nos oferece
informações sobre uma época de extrema complexidade e importância que foi a chamada Era Meiji,
na qual múltiplos sujeitos sociais e projetos políticos conflituaram-se, expondo as fraturas dessa
sociedade permeada por tensões e disputas entre os diversos grupos que integravam a sociedade
japonesa naquele momento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AKAMATSU, Paul. Meiji – 1868: Revolución y contrarrevolución em Japón. Historia de los
Movimientos Sociales. México, España y Arge ntina: Siglo Veintiuno Editores, 1977.
BENEDICT, Ruth. O Crisântemo e a Espada: padrões da cultura japonesa. São Paulo: Editora
Perspectiva, 2ª edição, 1988.
HOBSBAWM, Eric J. A Era do Capital:1848-1875. São Paulo: Paz e Terra, 11ª edição, 2005.
_________________. A Era dos Impérios: 1875-1914. São Paulo : Paz e Terra, 10ª edição, 2006.
WATSUKI, Nobuhiro. Rurouni Kenshin: Samurai X. Vols. 1-56. São Paulo: Editora JBC, 2004.
YAMASHIRO, José. Japão: passado e presente. São Paulo: IBRASA, 2ª ed., 1986.
AGE MEIJI SEEN FROM MANGA RUROUNI KENSHIN:
MODERNIZATION, TENSIONS AND DISPUTES IN THE CONSTRUCTION
OF “NEW” JAPAN
Fonte: Tarcílio Divino Nunes
Federal University of Uberlândia (UFU). Street Antônio de Castro Andrade, nº 293, Jardim Ozanan, Uberlândia/MG.
[Resenha] Escritores da liberdade

Escritores da liberdade
ESCRITORES DA LIBERDADE. Direção: Richard Lagravenese. Produção: Richard Lagravenese. Roteiro: Richard Lavagranese, Erin Gruwell, Freedom Writers. Elenco: Hillary Swank; Patrick Dempsey; Scott Glenn, Imelda Staunton; April Lee Hernandez; Kristin Herrera; Jacklyn Ngan; Sergio Montalvo; Jason Finn; Deance Wyatt. EUA/Alemanha, 2007. Duração: 123 min. Genero: Drama.
Resumo
O filme é baseado em fatos reais, e narra a história de Erin Gruwell, uma professora recém formada que no ano de 1994 vai lecionar literatura para a turma nº203 1º ano do 2º Grau, do Colégio Wilsom, descobre que a educação naquela escola não era como a teoria aplicada na faculdade.
A turma era heterogênea e toda a região do entorno escolar era dividida em gangues étnicas, e isso faziam com que as disputas territoriais viessem para dentro do ambiente escolar. A professora G, como também era chamada pelos alunos de sua turma, nota a indiferença que os alunos têm pelo ensino, pois para eles ela é apenas mais uma professora iniciante que não se importa com eles e tem o ensino como um mero trabalho, ela começa a utilizar as características comuns às vidas deles para lhes ensinar a matéria, fazendo com que eles se interessem um pouco mais.
Erin Gruwell leva até a direção da Escola a dificuldade encontrada em sala de aula, e também é ignorada inclusive pela direção da escola. Mais Erin não desiste, chega a sala de aula com uma proposta de trabalho que se identifica com os alunos, tenta primeiro a musica depois o conflito entre gangues atividades que acabam tocando suas consciências
Cipriano Luckesi em seu livro Avaliação da Aprendizagem Escolar, fala sobre a avaliação diagnostica, e as possibilidades que o educador pode usar para identificar potencialidades e atributos que os alunos possuem e utilizá-los no processo de aprendizagem.
A professora cria um projeto de leitura e escrita, iniciado com a leitura do livro “O Diário de Anne Frank”, em que os alunos poderão registrar em
cadernos, (material comprado e doado por ela), o que quiserem sobre suas vidas, relações, interações, idéias de mundo, leituras, e diz: que se alguém quiser que ela leia o material o deixe em um armário que havia na sala; após ler o material, toma conhecimento do modo de vida dos alunos, sua história, seu cotidiano, suas lutas internas e vocabulário, ela usa isso para adentrar em temas de cunho histórico e que abordassem a violência e tensão racial em que eles vivenciavam tão bem, tal método é abordado por Paulo Freire em suas rodas de conversa, em seu Livro Pedagogia do Oprimido, FREIRE afirma que os alunos saem da condição oprimidos e iniciam no campo das possibilidades, ao lutarem pelos seus ideais, pelas suas conquistas ao enfrentarem os obstáculos, não mais com a violência, mais com o conhecimento.Um dos temas principais tratados no filme é a valorização da educação, o diretor Richard Lagravanese, apresenta um contexto da educação existentes nos anos 90 nos EUA e que podemos notar em varias escolas brasileiras, ele aborda as dificuldades que alguns professores comprometidos com o ensino e a valorização do aluno enfrentam, tais como: falta de compromisso do corpo docente, ideologias do sistema educacional, e falta de recursos para educação.
O filme mostra uma educação voltada para o aluno e seu desenvolvimento social e problemas do entorno escolar, sobre como formar o aluno como ser pensante critico e atuante em sua sociedade. Erin Gruwell não se ocupou apenas em preencher cadernetas ou formulários, bater cartão e transmitir conteúdos pré fixados, ela foi alem, doou-se a sua causa pessoal, a melhora na qualidade ensino e nas relações entre professor e aluno, mudando a vida de todos, levando algum significado a suas existências, segundo Lawrense Stenhouse, educador inglês; tanto o professor quanto o aluno devem compartilhar a mesma linguagem e o educador não deve ter medo de aprender, para ele o educador deveria assumir o papel de aprendiz e que o ensino mais eficaz se baseia em pesquisa e descoberta, o filme apresenta cenas de discussões em sala de aula coisa e que os alunos deveriam chegar a um consenso, algo que para Lawrense deve ser o objetivo do educador.
Erin Gruwell é hoje a presidente da Freedom Writers Foundation que tem como objetivo promover publicamente e de forma sistemática uma filosofia educacional que homenageia a diversidade na sala de aula, sua pagina na internet é: http://www.freedomwritersfoundation.org.
“A educação não Transforma o mundo, educação muda as pessoas. E as pessoas Transformam o mundo” (Paulo Freire)
O livro Escritores da liberdade foi publicado em 1999.

Problemas abordados:
Socialização
Violência
Desenvolvimento escolar
Descaso do corpo docente
Ideologias sistema educacional
Conflitos Raciais
Desigualdades nas classes sociais;
Racismo;
Desemprego;
Desestrutura familiar;
Intolerância ao que é diferente;
Políticas públicas sem uma função de fato;
Exclusão social;
Políticas geradoras de sujeitos apenas com capacidade funcional
Resumo Filme: Pro dia nascer feliz
Resumo
Filme: Pro dia nascer feliz
Diretor: João Jardim
Duração 82 min.
O diretor João Jardim faz um documentário crítico onde expõe as varias faces da educação brasileira, através de relatos e depoimentos de professores e alunos, ele procura mostrar de forma direta e real os desafios e problemas, enfrentados por professores e alunos da rede publica e privada.
Abordando de maneira direta os assuntos relacionados a preparo e segurança, o diretor procura mostrar a duabilidade socioeconômica expressa de forma gritante na educação, para isso o autor mostra a dura realidade dos alunos da rede publica do interior de Pernambuco, ate a cobrança dos estudantes da classe média da região sudeste.
Em Pernambuco depoimentos de alunos mostra a dura realidade da educação com falta a de professores e desmotivação do corpo docente, os alunos e professores tem de conviver em prédios sucateados e sem infra-estrura, algo que no Brasil chega a 13.7 mil escolas, dentre as quais 1,9 mil não tem água: na região sudeste do país, em locais como Rio de Janeiro e São Paulo os problemas mais freqüentes são a falta de segurança publica e drogadição ativa na comunidade e entorno da escola, também a cobrança psicológica feita pela necessidade de ascensão social da classe media.
a obra de João Jardim revela a dificuldade que há em avaliar o complexo labor travado pelos educadores diante da imensa carência das escolas, tanto no âmbito estrutural como na falta de suporte psicológico. Chega-se à conclusão de que as escolas brasileiras estão doentes, beirando a um coma, e não há vontade política para prestar socorro ao moribundo.
O filme expõe trechos que nos fazem refletir sobre o que somos, e o que queremos, e o que faremos, para mudar o contexto da educação Brasileira.
Em Pernambuco vemos uma aluna sendo julgada pelo conteúdo de seus escritos, seus professores chegam a conclusão de que o texto produzido não é de sua autoria devido ao contexto sério e pela abordagem coesa de seus escritos.
Como acreditar que em um lugar onde nem ao menos uma escola de segundo grau existe, onde chegar a escola é uma batalha, onde o transporte de alunos é feito de forma precária, e que a evasão escolar chega a ser alarmante possa gerar texto com conteúdo tão sério.
No Rio de Janeiro e São Paulo nas comunidades carentes, os alunos ficam expostos a falta de segurança chegando ao ponto de uma aluna esfaquear a outra em plena escola e se sentir feliz por isto, tal aluna em questão, chega ao cumulo de ser irônica; dizendo que apenas adiantou sua morte, pois um dia ela iria morrer mesmo. Enquanto um outro aluno é aprovado sem nem ao menos saber o conteúdo da matéria.
Por outro lado em locais mais privilegiados os problemas são outros porem não deixam de ter maior valor, haja vista, a complexidade do assunto, os alunos de escolas particulares se vêem pressionados por professores e familiares para darem o seu melhor pois carregam em sua história um nome e um legado.
Vemos que o governo procura fazer a sua parte e que a educação tem feito alguns avanços:
O governo investe na capacitação de professores, abre vagas para a universidade com programas como o pró-uni, promove cursos extra curriculares de cultura e musica com o objetivo de retirar o jovem do contesto violento e fatídico a que esta exposto, em escolas mais bem estruturadas e escola vira ponto de encontro da comunidade, fazendo a família estar mais próxima do ambiente escolar.
O contexto geral da educação brasileira pode ser mudado, basta os governantes investirem na conservação das escolas dando ao aluno dignidade, investindo nos lugares onde há uma precariedade, não só na preparação do corpo docente, mas também na infra-estrutura básica que garanta ao aluno uma identidade de respeito, capacitar e avaliar o aluno como ser humano e não apenas como um mero numero ou estatística.
Emfim a educação brasileira em seus primórdios tinha a finalidade de escravizar e colonizar, hoje porem com os avanços tecnológico e industriais fazem, com que o ser humano seja escravo do sistema, que deseja que ele seja apenas um número, que compõe um eleitorado, sem noção alguma de suas responsabilidades.
Como educador, vejo que e preciso fazer com que a educação cumpra seu papel primordial que é o de formar um ser humano pensante e feliz, apto par tomar suas decisões e decidir sobre seu futuro e o de sua comunidade.
Celso Ferreira dos Santos
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